Pular para o conteúdo principal
Chapéu
Memória Sindical

2025: é na democracia, com muita mobilização e luta, que os trabalhadores avançam

Imagem Destaque
Foto da Conferência Nacional dos Bancários 2025

Que ano, senhoras e senhores! Quem nunca ouviu dizer que merece um Oscar o roteirista que está desenhando os rumos do nosso amado país? Brincadeiras à parte, o Brasil teve mais um ano intenso em 2025. E a categoria bancária, que não foge à luta, manteve-se firme e forte mesmo diante de tantos desafios, garantindo direitos e avançando em conquistas. “Tudo exemplo de que a organização e mobilização dos trabalhadores ao lado do Sindicato dão resultado”, afirma a presidenta da entidade, Neiva Ribeiro.

Foi assim com a dura situação vivida pelos trabalhadores do Itaú e do C6 Bank. No C6, após muita pressão e mobilização entre Sindicato e bancários, uma parcela adicional foi finalmente paga aos trabalhadores, como forma de correção dos valores pagos a menor a título de participação nos resultados.  No Itaú, o Sindicato conquistou, na luta conjunta ao lado dos bancários, acordo com pagamento para bancários impactados pela demissão em massa feita pelo banco.

O ano de 2025 acabou e o Sindicato segue ao lado dos bancários do Master, cobrando respeito aos empregos e direitos após a operação de liquidação extrajudicial do banco. E também no Nubank, no qual os trabalhadores sofrem com os impactos da alteração no modelo de teletrabalho, inclusive havendo 12 demissões. 

Se tem luta contra injustiças, também é fruto da luta da categoria ao lado do Sindicato a conquista da Campanha Nacional Unificada, que elevou os salários dos bancários em 5,68% a partir de setembro deste ano. O índice corresponde à reposição total da inflação medida pelo INPC acumulado em 12 meses, mais 0,6% de aumento real. O reajuste também abrangeu vales alimentação, refeição, valores fixos da PLR e todas as demais verbas previstas nas cláusulas econômicas da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria.

E tem muito mais mobilização pela frente. A Conferência Nacional dos Bancários, realizada em agosto, debateu a conjuntura e temas como defesa do emprego; impactos da inteligência artificial nos empregos; o fechamento de agências; a regulação do setor financeiro. Os bancários aprovaram como eixos centrais de luta, além da defesa dos empregos e dos direitos da categoria, a defesa dos bancos públicos, da democracia e da soberania nacionais.

A bela história de vanguarda da categoria bancária na construção de sua CCT nacional virou documentário em 2025 (Crédito: Imprensa/Seeb-SP)

A CCT dos bancários é exemplo para outras categorias de trabalhadores no Brasil e no mundo. Para contar essa história de muita luta e muitas conquistas, o Sindicato lançou, em 1º de outubro, o documentário Somos Vanguarda – Além da Convenção Coletiva de Trabalho dos Bancários. Uma sessão de estreia aberta para os bancários foi realizada no Cine Reserva Cultural, na avenida Paulista. “Com isso, reafirmamos o papel do Sindicato na preservação da memória, na valorização da organização coletiva e na defesa permanente dos direitos trabalhistas, especialmente em um contexto de ataques e tentativas de retirada de direitos”, ressalta a presidenta Neiva Ribeiro. O documentário está disponível no canal do Sindicato no YouTube.

E como o roteirista desse nosso Brasil não descansa, o ano de 2025 já estava caminhando para o fim, quando um acontecimento alçou-o à condição de estar marcado para sempre na história do nosso país. Pela primeira vez no Brasil, militares – um deles ex-presidente da República – foram condenados e presos pela participação na trama golpista que eclodiu na destruição dos prédios do Congresso Nacional, do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal (STF) em 8 de janeiro.

Após as prisões, em 25 de novembro, parlamentares da extrema-direita e o chamado Centrão seguem pressionando por anistia ou redução das penas. “Luta que segue para quem, como nós, defendemos com todas as forças a democracia”, ressalta Neiva Ribeiro, lembrando a participação do Sindicato nos atos contra a anistia dos golpistas e a PEC da Blindagem. “É somente no ambiente democrático que os direitos e os ganhos dos trabalhadores avançam. Não há país livre e soberano sem democracia. Essa será sempre uma das nossas lutas”, completa a dirigente.

Categoria que não foge à luta, bancários estiveram nas ruas em 2025 na defesa da democracia e de um Brasil melhor para todos os brasileiros (Crédito: Imprensa/Seeb-SP)

Outra demanda da sociedade apoiada pelo movimento sindical bancário, que se tornou lei em 2025, foi a ampliação da faixa de isenção do imposto de renda. Cumprindo compromisso assumido na campanha eleitoral, o presidente Lula sancionou em 26 de novembro a lei que expande a faixa de isenção do imposto de renda para trabalhadores que ganham até R$ 5 mil por mês. A nova regra também cria descontos para ganhos de até R$ 7.350 mensais e aumenta a taxação de quem ganha até R$ 600 mil mensais. “A justiça tributária é uma bandeira da categoria bancária, é reivindicação antiga dos trabalhadores e ver acontecer mudanças nesse sentido fortalece nossa luta”, destaca Neiva.

Leia abaixo um resumo desses e outros grandes acontecimentos de 2025 para os bancários.

BANCO DO BRASIL

Logo no início de 2025, no dia 7 de janeiro, o Sindicato, por meio da Comissão Executiva dos Empregados do Banco do Brasil (CEBB), esteve reunido com a direção da instituição financeira que apresentou em detalhes ajustes e novas funções no banco público. Essa foi mais uma conquista da Campanha Nacional dos Bancários 2024.

Em maio, após muita cobrança do Sindicato por melhorias na área, foi conquistada a ampliação do teletrabalho para os funcionários lotados na Central de Relacionamento do banco (CRBB). Assim, desde junho, o trabalho remoto está disponível para todos da CRBB, tanto da capital quanto nas unidades em outros locais do país.

Também foi com muita mobilização, inclusive paralisação parcial do prédio da Superintendência em 4 de junho, que os bancários conseguiram garantir a ampliação do Regime de Trabalho Remoto (TRI), combinando trabalho presencial com o home office. A conquista foi apresentada à Comissão de Empresa dos Funcionários do BB em mesa de negociação no dia 8 de julho.

A mobilização de bancários e Sindicato, que incluiu paralisação no prédio da Super, em junho de 2025, garantiu o regime de trabalho remoto no BB (Crédito: Imprensa/Seeb-SP)

Após luta histórica do movimento sindical bancário, a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), órgão regulador vinculado ao governo federal, aprovou o novo regulamento do plano Previ Futuro com uma mudança estruturante para os associados da Previ: a nova Tabela PIP (Pontuação Individual do Participante). Há anos os trabalhadores cobravam melhorias na fórmula de cálculo da PIP para ampliar o acesso à Contribuição Adicional com contrapartida do Banco do Brasil. Agora será possível contribuir com valores maiores desde o ingresso no plano, ampliando o saldo de conta dos associados e possibilitando reserva previdenciária mais robusta no longo prazo. A mudança permitirá que cerca de 17 mil empregados da ativa passem a ter acesso à Contribuição Adicional (2B), com direito à contrapartida do banco — possibilidade antes limitada por barreiras na pontuação individual. Ao todo, 63 mil participantes do Previ Futuro serão beneficiados com a nova sistemática, aumentando significativamente sua capacidade de poupança previdenciária.

Em agosto, o 35º Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil aprovou o plano de lutas para o próximo período. Entre os principais eixos estão a defesa da função pública do BB, essencialmente quanto ao desenvolvimento econômico e social, da agroecologia e da agricultura familiar e o fim das terceirizações. Também a abertura de agências em municípios desbancarizados e um novo concurso, cumprindo efetivamente a cota de pessoas com deficiência (PCDs).

CAIXA FEDERAL

Em janeiro, os empregados elegíveis da Caixa receberam a distribuição linear de um delta, representando aumento médio de mais 2,31% no salário-base. Essa distribuição linear foi garantida pela Campanha Nacional de 2024, fruto da negociação entre a representação dos trabalhadores e o banco. Os valores injetaram aproximadamente R$ 360 milhões na economia do país em 2025. Em anos anteriores, a promoção por mérito foi creditada somente em abril.

Em junho de 2025, a mobilização do movimento sindical bancário garantiu uma importante vitória na Caixa: a devolução dos descontos feitos nos salários de empregados que participaram da greve nacional de 2021, realizada no dia 27 de abril. A conquista reafirmou a força da organização coletiva e o direito legítimo de lutar, sem punições, em defesa dos direitos e da valorização dos trabalhadores.

O 40º Conecef, Congresso Nacional das Empregadas e dos Empregados da Caixa Econômica Federal, foi realizado em agosto. Após aprofundados debates sobre os atuais desafios dos bancários da Caixa, foram definidas as bandeiras de luta: reajuste zero no Saúde Caixa e fim do teto de custeio; defesa da Caixa 100% pública com reincorporação das áreas vendidas; mais contratações; fim de todas as formas de assédio; combate ao adoecimento em função do trabalho.

Unidos ao Sindicato, empregados da Caixa garantiram a renovação do acordo coletivo do Saúde Caixa com reajuste zero e válido até agosto de 2026 (Crédito: Henrique Guilherme – Contraf/CUT)

Em outubro, uma bandeira já estava conquistada. Em negociação com a direção da Caixa, os empregados do banco público, junto com o Sindicato e demais entidades representativas, conquistaram proposta de renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) do Saúde Caixa com a manutenção do percentual do salário a ser pago pelos titulares (3,5%) e do valor fixo pago pelos dependentes (R$ 480). Ou seja, com reajuste zero, permanecendo as regras atuais. Além disso, respeito ao pacto intergeracional e mutualismo; ampliação do plano de saúde para filhos até 27 anos (R$ 800). O ACT é válido até 31 de agosto de 2026.

BRADESCO

O Bradesco anunciou em 2 de janeiro de 2025 o Supera, novo programa de remuneração do banco criado em diálogo com o movimento sindical. O modelo garantirá pagamento a partir de 95% do atingimento das metas. Além do Supera, o banco anunciou a criação do Programa de Resultados do Bradesco (PRB), que contemplará todos os funcionários da rede de agências, condicionado ao retorno sobre o patrimônio líquido (Roae). Se o Roae atingir 15,5%, o banco pagará R$ 1.000; se atingir 17%, serão pagos R$ 2.000; e se atingir 18,5% serão pagos R$ 2.500. Assim, em 29 de agosto, bancários do Bradesco e do Bradesco Financiamentos aprovaram, com 94,44% dos votos válidos, Acordo Coletivo de Trabalho tanto sobre o Supera, quanto sobre o PRB, referentes ao exercício de 2025. Os programas devem ampliar a participação nos resultados para todos os funcionários, sem as limitações do antigo Prêmio por Desempenho Extraordinário (PDE), exclusivo da área comercial.

Programa de remuneração Supera foi criado em diálogo entre Bradesco e movimento sindical; junto com PRB deve ampliar participação dos funcionários nos resultados do banco (Crédito: Imprensa/Seeb-SP)

No dia 28 de maio, o Sindicato realizou protesto na matriz do Bradesco, na Cidade de Deus (Osasco), contra demissões, fechamento de agências e assédio, reforçando a indignação com a política do banco e a pressão sobre os trabalhadores.

Fruto também de protestos do Sindicato, e após anos de negociações, em agosto os bancários garantiram importante vitória na Cidade de Deus: a implementação de serviço exclusivo de vans ligando a estação Osasco da CPTM à sede do banco e de volta, ao fim do expediente. A conquista atende à necessidade dos trabalhadores por mais segurança, conforto e qualidade de vida no deslocamento diário.

No começo de dezembro, o Sindicato foi informado por trabalhadores sobre o fim do home office na tesouraria do Bradesco. A entidade confirmou a informação junto ao banco, que definiu o retorno de uma das três diretorias do setor (Mesa Clientes) para de 2 a 5 de janeiro de 2026. São 50 bancários afetados, todos lotados em São Paulo. O banco também comunicou em 1º de dezembro que 844 funcionários do departamento de investimentos voltarão ao trabalho 100% presencial a partir de 2 de janeiro de 2026.

Em plenária realizada pelo Sindicato, em 9 de dezembro, os bancários da Mesa demonstraram seu descontentamento com o retorno ao modelo 100% presencial, alegando que a mudança acarretará prejuízos na qualidade de vida e na rotina familiar. Além de sustentarem que o mesmo trabalho feito de forma 100% presencial a partir de janeiro poderia tranquilamente seguir sendo feito de forma remota, como acontece hoje no modelo híbrido. O Sindicato permanece ao lado dos trabalhadores, ouvindo e apoiando seus posicionamentos, ao menor sinal de mudança do regime de trabalho.

ITAÚ

O Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) do Itaú para 2025 foi aprovado pelos bancários ao final de 2024, em 27 de dezembro. A proposta garantiu cláusulas sobre concessão de bolsas de estudo; banco de horas semestral; ponto eletrônico; validação do registro de ponto; teletrabalho. E ainda previu importante conquista na área de saúde e condições de trabalho: a redução de metas para quem retorna de licença-saúde. Além de outras questões específicas dos bancários que atuam em agências digitais e centrais de atendimento.

No dia 15 de janeiro de 2025, um susto: um grupo de bancários que aguardava na fila de um restaurante nas proximidades do Centro Empresarial Itaú Conceição (Ceic), foi vítima de um arrastão. Foram roubados celulares, joias, pertences pessoais e até computadores do banco. Testemunhas relataram que, além dos prejuízos materiais, houve registros de escoriações devido à violência da ação. A situação causou pânico e levantou questionamentos sobre a segurança no entorno do Ceic. Em 25 de fevereiro o Sindicato participou de reunião na Secretaria de Segurança Pública (SSP) para discutir o assunto e a insegurança que alimenta grande preocupação entre os trabalhadores. O encontro foi um desdobramento de reunião realizada em janeiro com o deputado estadual Luiz Cláudio Marcolino (PT), na qual o Sindicato havia reforçado a urgência de ações concretas para garantir a segurança dos empregados do Ceic e de outras áreas afetadas pela criminalidade.

Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato, e deputado Marcolino (gravata vermelha) em reunião na Secretaria de Segurança Pública cobram atenção aos problemas de assaltos na região do Ceic (Crédito: Imprensa/Seeb-SP)

O fechamento de agências pelo Itaú foi alvo de protestos promovidos pelo Sindicato em maio e junho, na agência Mandaqui, e em junho no Centro de São Paulo, e na Vila Ré. Os dirigentes sindicais denunciaram o fechamento de unidades lucrativas e o impacto negativo para trabalhadores e clientes, sobretudo idosos e quem precisa de atendimento presencial. O Sindicato cobra responsabilidade social do banco e segue na luta para defender os empregos e o direito de a população ter acesso aos serviços bancários.

Sindicato promoveu uma série de protestos contra o fechamento de agências do Itaú, como a do Mandaqui (Crédito: Imprensa/Seeb-SP)

Audiência pública em defesa dos aposentados do Itaú foi realizada em 23 de junho por iniciativa do deputado Marcolino, em conjunto com o Sindicato, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e outras entidades representativas. A mobilização ocorreu uma semana depois de outra audiência sobre o mesmo tema, realizada na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Marcolino, ex-presidente do Sindicato e bancário do Itaú, lamentou a ausência de representantes do banco na audiência. E destacou que a instituição financeira está usando o argumento de que, por lei, não pode subsidiar o plano dos aposentados. O Itaú, no entanto, tem condição de custear o plano e a audiência definiu encaminhamentos para a continuidade da luta pelo direito ao plano de saúde na aposentadoria.

Com apoio do deputado estadual Marcolino, Sindicato promoveu audiência pública em defesa dos direitos dos aposentados do banco (Crédito: Imprensa/Seeb-SP)<br>

Cerca de mil bancários do Centro Tecnológico (CT), Ceic e Faria Lima, que trabalhavam em regime híbrido ou integralmente remoto, foram demitidos pelo Itaú em 8 de setembro. A imagem do banco foi duramente atingida, já que a alegação para os cortes logo se demonstrou frágil. Segundo o Itaú, esses empregados estavam sendo monitorados há mais de seis meses e teria sido detectada “baixa aderência ao home office”. No entanto, os trabalhadores foram dispensados sem qualquer advertência prévia e sem qualquer diálogo com o Sindicato, num claro desrespeito aos bancários e à relação com o movimento sindical. Imediatamente o Sindicato repudiou a ação, emitiu nota à imprensa, cobrou explicações públicas, denunciou a falta de diálogo e classificou a medida como um grave ataque aos direitos dos trabalhadores. Também foi realizada uma série de atividades de protesto no Ceic, BBA e CT denunciando inclusive o lucro do Itaú que apenas no último semestre foi superior a R$ 22,6 bilhões, com rentabilidade em alta, consolidando-se como o maior banco do país em ativos. Ou seja, inaceitável que uma instituição com lucros bilionários faça demissões em massa sob a justificativa de “produtividade”.

No dia seguinte ao desligamento em massa, 9 de setembro, representantes do Sindicato se reuniram com o Itaú e questionaram a falta de transparência do processo, a ausência de negociação prévia com o movimento sindical e a inexistência de feedbacks ou medidas de orientação aos trabalhadores antes do desligamento.

Em 11 de setembro o Sindicato realizou plenária com centenas de demitidos do Itaú. Ouviu os trabalhadores, esclareceu dúvidas e estabeleceu o cronograma da mobilização. O sentimento unânime na plenária, tanto entre dirigentes do Sindicato, quanto entre os bancários demitidos, foi de completa indignação com a demissão em massa e a forma como os trabalhadores foram expostos publicamente. Outras reuniões com o banco ocorreram nos dias 15 e 18 de setembro, esta com participação da federação dos bancos (Fenaban). Mesmo com as diversas rodadas negociais, o Itaú se manteve irredutível em relação à reintegração dos demitidos e apresentou seu sistema de monitoramento, defendendo sua eficácia.

Protestos, paralisações no CT, Ceic, BBA; plenárias com demitidos, negociações: Sindicato e bancários juntos contra demissões no Itaú (Crédito: Imprensa/Seeb-SP)

O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 2ª Região definiu, então, por mediação com o Itaú, solicitada pelo Sindicato e realizada no dia 6 de outubro. Nessa mediação, o Sindicato conquistou proposta de acordo com pagamento para bancários impactados pela demissão em massa. A luta do Sindicato conquistou a remuneração de até dez salários a mais, valor fixo de R$ 9 mil, 13ª cesta-alimentação e manutenção da taxa de financiamento imobiliário diferenciada. O Itaú também se comprometeu a não encerrar o modelo de teletrabalho no banco.

Além das mesas de negociação com o banco; dos protestos e paralisações no Ceic, CT e BBA; das plenárias com demitidos sobre a mobilização; e com os que seguem no banco sobre o futuro do home office, durante todo o processo o Sindicato esteve atento às necessidades dos bancários. A entidade manteve o Departamento Jurídico e de Saúde do Sindicato à disposição dos demitidos, com realização de plantões de atendimento. Também fez um importante trabalho de comunicação junto à opinião pública, muito bem sucedido, para contrapor a narrativa do banco sobre as demissões.

Assim, em assembleia híbrida, no dia 9 de outubro, os bancários demitidos pelo Itaú aprovaram, com 89,30% dos votos, a proposta de acordo conquistada pelo Sindicato.

Mobilização dos bancários com o Sindicato resultou em acordo de pagamento aos bancários impactados pela demissão em massa do Itaú (Crédito: Imprensa/Seeb-SP)

SANTANDER

O ano de 2025 começou mal no Santander. No dia 7 de janeiro, o banco deu início às demissões dos trabalhadores do departamento de câmbio, lotados na concentração Radar, em Santo Amaro. A unidade tem sido palco de inúmeras demissões e terceirizações. Em agosto de 2024, no início da campanha salarial, o Radar já havia sido palco de ação truculenta da Polícia Militar, com agressão de trabalhadores que protestavam pacificamente contra as ações antissindicais praticadas pelo banco. Tudo isso com a anuência do Santander.

Funções essenciais não deixaram de existir. Contudo, estão sendo desempenhadas por trabalhadores das coligadas, criadas pelo banco para “fraudar a representação sindical” já que esses trabalhadores deixam de ser abrangidos pela Convenção Coletiva de Trabalho, que garante uma série de direitos, como VR, VA, PLR, entre outros. No dia 13, o Sindicato realizou protesto no Radar, contra essas demissões e terceirizações promovidas pelo banco espanhol.

Desde o início de 2025, o Sindicato foi às ruas para denunciar fraudes, demissões e a precarização do trabalho no Santander (Crédito: Imprensa/Seeb-SP)

Desde que o Santander iniciou tal prática para fraudar a representação sindical, precarizar as relações de trabalho e fragmentar a categoria bancária, o Sindicato realiza protestos para denunciar a postura do banco espanhol e atua judicialmente para defender os direitos dos trabalhadores.

Em 25 de fevereiro, uma campanha nacional de mobilização foi lançada pelo Sindicato junto com a Contraf-CUT e outras entidades, para denunciar essas práticas fraudulentas. E questionar a terceirização de bancários e a retirada de direitos históricos conquistados pela categoria ao longo de décadas de luta sindical.

Desde 2021, o Santander Brasil vem transferindo bancários para outras empresas do conglomerado, como a F1RST, SX Tools, Prospera, SX Negócios, entre outras. São mais de 30 CNPJs diferentes. O banco, assim, paga menos impostos, fragmenta a categoria excluindo esses trabalhadores dos acordos coletivos e direitos conquistados.

Na defesa dos trabalhadores, o Sindicato vem realizando protestos, o que tem causado reação da direção do banco, por meio de ações judiciais contra a entidade. Em maio, o Sindicato intensificou mobilizações em suas regionais, denunciando as práticas irregulares e abusivas do Santander, que além de desrespeitar os trabalhadores, atinge também clientes e sociedade em geral. Enquanto amplia seus lucros bilionários, o banco continua a fechar agências – especialmente em regiões periféricas —, impor metas abusivas, demitir bancários e promover práticas fraudulentas.

Bancários protestam: Santander vem transferindo bancários para outras empresas do conglomerado, retirando direitos dos trabalhadores (Crédito: Imprensa/Seeb-SP)

Em junho de 2025, o Sindicato foi às ruas para denunciar essas fraudes, demissões e a precarização do trabalho no Santander. Clientes e população foram alertados sobre as práticas que colocam em risco o emprego bancário e a qualidade do atendimento. As atividades ocorreram em agências do Campo Belo, Liberdade, avenida Paulista e também em Cotia, Barueri e Osasco. Na Vila Matilde, o Sindicato realizou um protesto simbólico e fechou uma agência do Santander que operava com apenas um bancário, denunciando o risco à segurança, a sobrecarga de trabalho e o descaso do banco com funcionários e clientes.

Os bancários levaram ao Congresso Nacional, em Brasília, no mês de julho, denúncias sobre as fraudes, demissões e más práticas do banco espanhol. Também foram realizadas audiências públicas, em dezembro, contra o fechamento de agências do Santander e o impacto direto de toda essa situação na vida da população. A audiência na Câmara Municipal de Embu das Artes expôs o desrespeito do banco com clientes e trabalhadores, especialmente idosos, pessoas com deficiência e moradores que dependem do atendimento presencial. O encerramento de agências e a redução drástica de bancários resultaram em filas, dificuldades de acesso a serviços básicos e sobrecarga aos bancários remanescentes. A audiência foi uma iniciativa do vereador Uriel Biazin (PT), e contou com a contribuição do Sindicato. O vereador destacou que o Santander foi convidado para que, como parte citada, tivesse a oportunidade de se pronunciar sobre o tema, mas o banco não enviou nenhum representante. O descaso do Santander com a sociedade voltou a ser pauta no debate público em Pirapora do Bom Jesus, após o fechamento da única agência da cidade, deixando a população sem atendimento bancário local. A audiência foi solicitada formalmente pelo vereador José Aparecido, o Cidinho (PT), com apoio do Sindicato. Pirapora é uma cidade com quase 19 mil habitantes e não conta com nenhuma agência de banco privado.

Denúncias sobre demissões, fraudes nas contratações e más práticas do Santander foram levadas ao Congresso Nacional em Brasília e audiências públicas em Embu e Pirapora (Crédito: Imprensa/Seeb-SP)

BANCO PAN

No início de 2025, o Banco Pan abriu o ano com uma onda de demissões em massa, que atingiu mais de 100 trabalhadores nos primeiros nove dias de janeiro, principalmente consultores e gerentes de conta da área de crédito consignado. A ação gerou forte reação do Sindicato, que identificou impactos em outras áreas. Foram realizados protestos denunciando a falta de diálogo prévio e questionando os critérios adotados pelo banco. Embora o setor de crédito consignado tenha passado por mudanças regulatórias no país, o Sindicato ressaltou que o Pan vinha apresentando crescimento e lucro, e que, mesmo assim, optou por desligar funcionários em vez de realocá-los internamente.

Banco Pan também começou o ano com demissões e o Sindicato protestou denunciando falta de diálogo e em defesa dos trabalhadores (Crédito: Imprensa/Seeb-SP)

C6 BANK

O C6 Bank foi outro caso de flagrante desrespeito ao processo negocial e à Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria bancária em 2025. A instituição financeira não pagou a PLR integral a um grupo de empregados da ativa, por mera liberalidade, com a falsa alegação de que esses trabalhadores exerceriam atividades “que não são de bancários e, portanto, não deveriam receber esses valores muito altos”. Em outra situação de desrespeito à legislação vigente, o C6 estabeleceu internamente, por meio de uma comissão de empregados, sem participação e anuência do Sindicato, um programa próprio de participação nos lucros e resultados.

Em 14 de março, o Sindicato enviou ofício à Fenaban solicitando instalação de mesa de negociação sobre o pagamento incorreto. E promoveu, no dia 24 do mesmo mês, plenária virtual para ouvir os trabalhadores, informá-los sobre atualizações e próximos passos. Durante todo o processo, ações nas redes sociais e nas ruas denunciavam o banco e cobravam pagamento correto para todos.

Em reunião com a direção do C6, na sede da Fenaban, em 10 de abril, o Sindicato voltou a cobrar o pagamento correto da PLR, para todos os bancários, conforme as regras previstas na CCT da categoria, da qual o banco é signatário. Mas a instituição financeira não deu nenhuma resposta. No dia 5 de maio, nova reunião de negociação intermediada pela Fenaban, após o Sindicato enviar ofício para a entidade. Apesar dos esforços dos representantes dos bancários em buscar uma solução, a negociação chegou a um impasse e nova reunião foi marcada para 26 de maio.

Após muito protesto e um longo processo de negociação, pressão do Sindicato e bancários fez com que C6 compensasse prejuízos da PLR paga com valor menor (Crédito: Imprensa/Seeb-SP)

Foi um longo e exaustivo processo de negociação. E a pressão do Sindicato, junto com os bancários do C6 Bank, conquistou proposta apresentada pelo banco em 18 de agosto, que, dentre outros benefícios, compensa prejuízos que os trabalhadores tiveram com o descumprimento da regra da PLR. Também garante pagamentos atrelados aos resultados do banco, da área e individuais, para cargos específicos. Ainda a previsão de uma parcela adicional que é direcionada aos cargos de assistentes, auxiliares, atendentes e operadores de atendimento, e empregados com cargos comerciais nas áreas de veículos (GN e GP) e Home Equity. Tudo para compensar os pagamentos menores realizados a esse público pelo C6. A proposta foi aprovada pelos trabalhadores no dia 5 de setembro.

NUBANK

O Nubank anunciou, no dia 6 de novembro, adoção de um novo modelo de trabalho híbrido, com dois dias presenciais por semana a partir de 1º de julho de 2026 e três dias a partir de 1º de janeiro de 2027. A mudança, que irá valer para cerca de 70% do quadro de pessoal, será significativa em relação ao atual formato, que exige uma semana de trabalho presencial por trimestre. O anúncio teve grande repercussão na imprensa e o debate ganhou ampla difusão também nas redes sociais.

O caso ganhou ainda mais visibilidade depois da demissão de 12 funcionários durante reunião realizada no dia 7, via zoom, com mais de sete mil trabalhadores, para explicar as mudanças. De acordo com denúncias recebidas pelo Sindicato, os desligamentos aconteceram logo após essa reunião com o CEO, durante a qual alguns trabalhadores supostamente teriam manifestado críticas às novas regras.

Em uma grande plenária virtual promovida pelo Sindicato no dia 12 de novembro, com cerca de 300 pessoas, os trabalhadores do grupo Nubank mostraram-se indignados com as mudanças no regime de trabalho e manifestaram disposição para a luta, ao lado do Sindicato, contra o fim do modelo atual de trabalho remoto e pela reintegração dos demitidos por criticarem as mudanças.

Imagem do Nubank saiu abalada após protestos nas ruas e nas redes sociais contra demissões de bancários críticos às alterações no modelo de trabalho híbrido (Crédito: Imprensa/Seeb-SP)

No dia 19 de novembro, o Sindicato cobrou do Nubank a revisão das 12 demissões por justa causa. E a empresa reiterou que, apesar de todos os protestos, não reverá sua decisão. Com a mudança, que entrará em vigor a partir de julho de 2026, a maioria de trabalhadores da financeira ficará em home office três dias na semana, até adotar definitivamente o home office para dois dias na semana.

A mudança no regime de home office não tem a ver com os resultados: o Nubank alcançou lucro de US$ 829,9 milhões no terceiro trimestre de 2025, aumento de 41,4% em relação ao mesmo período de 2024, quando ganhou US$ 602 milhões.

O Nubank anunciou que pretende obter uma licença bancária em 2026. A empresa pode solicitar ao Banco Central, do zero, uma autorização para atuar formalmente como banco, ou comprar uma instituição que já possua a licença.

BANCO MASTER

Desde o anúncio da liquidação extrajudicial do Master, em 18 de novembro, o Sindicato tem cobrado respeito aos empregos e aos direitos dos bancários, e acompanha de perto a situação. No dia 24 enviou ofício ao responsável técnico Eduardo Bianchin, nomeado pelo Banco Central, reivindicando preservação dos empregos, manutenção dos salários, direitos e benefícios garantidos pela CCT da categoria.

De acordo com dados do Ministério do Trabalho (junho de 2025), a base do Sindicato conta atualmente com 515 empregados do Master. Informações recentes, fornecidas pelo próprio banco, no entanto, indicam que desde julho de 2025 ocorreram aproximadamente 100 desligamentos, resultando em cerca de 400 empregados ainda ativos.

Sindicato permanece atento na defesa dos direitos e empregos dos bancários, diante da liquidação extrajudicial do Master (Crédito: Imprensa/Seeb-SP)

O Sindicato tem realizado protestos em frente à sede do banco para demonstrar apoio aos trabalhadores do grupo, que atravessam momentos de instabilidade e ansiedade em razão da crise que atinge a instituição. Além disso, cobra do RH do banco acesso a mais informações para apurar denúncias sobre um processo de demissão de 170 trabalhadores. Já foram enviados dois ofícios ao responsável pela operação de liquidação, cobrando uma reunião. Até o momento o Sindicato não obteve resposta. A entidade insiste nesta reivindicação pois os trabalhadores que ainda permanecem no banco estão em estado de insegurança diante da falta de diálogo e de informações.

REGULAMENTAÇÃO DO SISTEMA FINANCEIRO

No dia 9 de maio, a presidenta do Sindicato, Neiva Ribeiro, participou da reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social e Sustentável do governo federal. A dirigente é uma das representantes do movimento sindical no Conselhão. O encontro contou com a participação da ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Gleisi Hoffmann, entre outras autoridades.

Em sua intervenção, Neiva expôs a preocupação do movimento sindical bancário com a regulamentação do sistema financeiro nacional.Fintechs e outras instituições de pagamentos, apesar de na maior parte dos casos se apresentarem como bancos, são submetidas pelo Banco Central a regras muito mais brandas do que as aplicadas aos bancos tradicionais em termos de tributação, segurança de dados e obrigações trabalhistas.

Presidentas Neiva Ribeiro, do Sindicato, e Juvandia Moreira, da Contraf-CUT, em debate no Conselhão, do governo Federal, sobre a necessidade de regulamentação do sistema financeiro nacional (Crédito: Imprensa/Seeb-SP)

No final de novembro, um avanço. O Banco Central e o Conselho Monetário Nacional (CMN) divulgaram, no dia 28, Resolução Conjunta nº 17/2025, que proíbe instituições financeiras de utilizarem termos que possam sugerir atividades para as quais não possuem autorização específica, em português ou em língua estrangeira. Ou seja, fintechs, instituições de pagamento e cooperativas de crédito não poderão mais se apresentar como “banco” ou “bank”. A medida busca coibir o uso indevido de nomenclaturas que levam a população a acreditar que essas empresas oferecem as mesmas garantias das instituições bancárias tradicionais. Entre 2016 e 2024, o número de fintechs autorizadas pelo Banco Central saltou de 1 para 258, chegando a 308 em 2025. Um avanço vertiginoso sob regras mais flexíveis que as dos bancos tradicionais.

Sindicato e Contraf-CUT apresentaram, ainda em 2024, proposta formal ao Ministério da Fazenda pedindo uma regulamentação mais rígida para o setor. A denúncia alertava que a atuação das fintechs fora das mesmas normas fiscais, trabalhistas e de segurança poderia abrir brechas para ilícitos e precarizar relações de trabalho.

IGUALDADE DE OPORTUNIDADES

Conquista dos bancários da Campanha Nacional 2024 já está melhorando a realidade laboral de muita gente. Em março de 2025 foram oficialmente abertas as inscrições para cursos de capacitação de mulheres na área de Tecnologia da Informação (TI). Sem custo para as participantes, os cursos foram estruturados especialmente para ampliar a presença feminina no setor tecnológico, onde historicamente a participação de mulheres é muito menor que a de homens. Em 2022, 75,4% dos trabalhadores de TI nos bancos eram homens e apenas 24,6% mulheres. Sendo que em 2012, a proporção de mulheres na área era maior: 31,9%. Importante destacar que, de 2012 a 2022, o percentual de trabalhadores de TI nos bancos passou de 5,1% para 11,2%.

No dia 7 de abril, Sindicato e Fenaban assinaram carta compromisso pela igualdade no trabalho. A ratificação do documento ocorreu durante cerimônia de apresentação dos dados do 3° Relatório de Transparência Salarial e de Critério Remuneratórios. O evento foi realizado no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em Brasília. Esse relatório apresenta um balanço completo dos dados nacionais e por Unidade da Federação, a partir das informações enviadas pelas empresas ao MTE sobre igualdade salarial e critérios remuneratórios entre mulheres e homens que exercem trabalho de igual valor ou atuam na mesma função, conforme determina a Lei de Igualdade Salarial (Lei nº 14.611/2023). Durante a cerimônia, também foi instalado o Comitê Gestor do Plano Nacional de Igualdade Salarial e Laboral e lançado um guia com recomendações que possam contribuir com as negociações coletivas sobre a implementação dessa lei.

Em 2025, avanços na igualdade de oportunidades: cursos de capacitação de mulheres em TI; Fenaban e Sindicato assinaram carta compromisso por igualdade de gênero no trabalho; conferência de mulheres defende combate às violências e mais direitos (Crédito: Imprensa/Seeb-SP)

Em 2 de agosto de 2025, o Sindicato realizou a Conferência Livre de Mulheres, consolidando propostas construídas coletivamente que foram levadas a Brasília para a Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres. A atividade fortalece a luta por igualdade salarial, combate às violências, autonomia econômica e mais direitos para as mulheres do ramo financeiro. E reafirma o compromisso do Sindicato com a participação ativa das mulheres na formulação de políticas públicas e na defesa de um mundo do trabalho mais justo e igualitário.

SAÚDE DOS BANCÁRIOS

Em julho de 2025, audiência pública realizada na Câmara Municipal de São Paulo escancarou a gestão adoecedora praticada pelos bancos. A rotina dos bancários é imersa em metas abusivas, assédio moral, sobrecarga de trabalho. Tudo isso leva ao crescente adoecimento mental da categoria. A atividade reuniu bancários, dirigentes sindicais, especialistas e parlamentares para denunciar essas práticas que afetam a saúde dos trabalhadores e cobrar responsabilização das instituições financeiras, além de políticas efetivas de prevenção e respeito à dignidade no trabalho.

Audiência pública realizada em julho de 2025, na Câmara Municipal de São Paulo, denunciou gestão adoecedora dos bancos (Crédito: Imprensa/Seeb-SP)

Dados apresentados durante a audiência demonstraram a gravidade da situação. No estado de São Paulo, em 2024, a categoria bancária foi responsável por 72,30% de todos os acidentes de trabalho por doenças mentais; e de 51,77% de todos os benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). No município de São Paulo, no mesmo ano, doenças mentais nos bancários representaram 75,70% de todos acidentes de trabalho e 56,10% de todos os benefícios. Os dados são do INSS.

Em 2024, o Sindicato atendeu 2.361 trabalhadores adoecidos por doenças psicológicas. Até junho de 2025, foram 1.183 atendimentos. O Canal de Denúncias do Sindicato recebeu, em 2024, 518 reclamações só de assédio moral. Até junho de 2025, foram 236. A pressão nos locais de trabalho gerou 105 denúncias em 2024, e 51 em 2025.

SINDICATO CIDADÃO

A lógica do Sindicato Cidadão é defender os trabalhadores para além dos seus locais de trabalho, em todos os seus direitos na sociedade.  E uma excelente ferramenta para essa atuação é estar nas ruas, com alegria, que é revolucionária e o Sindicato sabe muito bem disso. No sábado do Carnaval de 2025, por exemplo, o tradicional Bloco dos Bancários voltou às ruas do Centro de São Paulo, unindo folia e mobilização social em um momento que celebrou a cultura popular e a força dos trabalhadores. Com o tema “Categoria Forte, Unida por Direitos”, o bloco percorreu ruas históricas da cidade sob o som da bateria do Acadêmicos da Ursal que embalou o cortejo com marchinhas, samba e axé.

Alegria nas ruas: Bloco dos Bancários uniu folia e mobilização social para celebrar a cultura popular e a força dos trabalhadores (Crédito: Imprensa/Seeb-SP)

No Dia Internacional da Mulher, no 8 de março de 2025, bancárias e bancários se organizaram para ocupar a avenida Paulista, marcando a data com luta, reflexão e mobilização social. Com o tema “Construindo o Futuro com Igualdade”, a mobilização reforçou uma série de reivindicações fundamentais como o fim da escala 6×1 com redução de jornada sem perda salarial; salário igual para trabalho igual; ratificação da Convenção 190 da OIT que busca eliminar a violência e o assédio no mundo do trabalho. Além disso, liberdade, igualdade e autonomia das mulheres; defesa da democracia, combate ao racismo e inclusão social; ampliação da licença-maternidade e justiça reprodutiva. Ainda o fim das privatizações e terceirizações e a luta por políticas públicas de saúde e cuidado.

Categoria bancária marcou presença na Paulista, no Dia Internacional da Mulher, para construir um futuro com igualdade (Crédito: Imprensa/Seeb-SP)

Em 29 de abril, dirigentes do Sindicato participaram da Marcha da Classe Trabalhadora, em Brasília, tendo a redução da jornada de trabalho e a justiça tributária como motes. A mobilização reuniu CUT e demais centrais sindicais, somando diferentes categorias profissionais com um objetivo em comum: melhorar as condições de vida da classe trabalhadora.

Na Marcha da Classe Trabalhadora, em 29 de abril, ou no ato do 1o de maio, luta pelo fim da jornada 6 x 1 e por justiça tributária (Crédito: Imprensa/Seeb-SP)

No 1º de maio, Dia do Trabalhador, bancários e bancárias se uniram a profissionais de outras categorias para pressionar novamente pela redução da jornada, pelo fim da escala 6X1, pela taxação dos super-ricos e isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil.

Durante a atividade organizada pela CUT-SP, em Osasco, na grande São Paulo, os trabalhadores também protestaram contra a privatização dos serviços públicos na educação, na saúde, no Metrô e na CPTM. E cobraram a condenação dos golpistas que atentaram contra a democracia.

No Mês do Orgulho, o Sindicato convidou a categoria a participar da 1ª Marcha LGBTQIA+ da Classe Trabalhadora, que aconteceu em 20 de junho. A entidade reafirmou seu compromisso com igualdade, diversidade e inclusão no ambiente de trabalho e na sociedade.

Dirigentes do Sindicato na 1ª Marcha LGBTQIA+ da Classe Trabalhadora reafirmam compromisso com diversidade, igualdade e inclusão (Crédito: Imprensa/Seeb-SP)

A nona edição do Prêmio CineB do Cinema Brasileiro foi realizada no Sindicato em 28 de junho. O já tradicional evento celebrou a força e diversidade do cinema nacional, com a participação de artistas e cineastas renomados, como Ailton Graça, Vinicius de Oliveira, Yuri Marçal e Lucas Penteado, entre outros, e contou com a apresentação dos atores Silvio Guindane e Marina Person. Cerca de 100 entidades e 34 diretores e produtores de filmes foram homenageados com troféus especiais, reconhecendo seu papel na difusão e valorização do audiovisual brasileiro e no compromisso do projeto CineB de levar cultura às periferias, universidades e comunidades. O prêmio reforça a importância de promover o acesso democrático à cultura e apoiar produções nacionais, celebrando obras dos últimos cinco anos exibidas pelo circuito itinerante CineB.

Nona edição do Prêmio CineB: evento realizado em junho de 2025 reforça reconhecimento à força e diversidade do cinema nacional (Crédito: Imprensa/Seeb-SP)

No dia 3 de julho o Sindicato promoveu a Conferência Livre LGBT+. O encontro, na sede da entidade, reuniu bancários, dirigentes sindicais e convidados para debater direitos, diversidade, combate à LGBTfobia e políticas públicas voltadas à população LGBT+ no mundo do trabalho. A atividade integrou o processo preparatório para conferências institucionais, reafirmando o compromisso do Sindicato com a inclusão, o respeito às diferenças e a defesa de ambientes de trabalho mais justos e seguros para todas as pessoas.

Em julho de 2025, o Sindicato iniciou a coleta de votos para o Plebiscito Popular que debateu duas pautas centrais para a classe trabalhadora: a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil – conquistada em novembro – e o fim da escala 6×1, bandeira inclusive do governo federal. A iniciativa, levada a vários pontos da cidade e da região de Osasco, promoveu esse debate nas ruas e nos locais de trabalho, fortalecendo a participação popular e reafirmando o compromisso do Sindicato com a justiça tributária, a redução da jornada e melhores condições de vida para os trabalhadores. A iniciativa angariou mais de dois milhões de votos, evidenciando o amplo apoio da população.

Em homenagem ao Dia do Bancário, tradicional festa do chope celebrou categoria que luta o ano todo em defesa dos seus direitos e por novas conquistas (Crédito: Imprensa/Seeb-SP)

E no dia 29 de agosto mais de mil pessoas participaram da XIII Festa do Chopeno Clube Homs, na avenida Paulista. O tradicional evento promovido pelo Sindicatofoi realizado em comemoração ao Dia do Bancário, celebrado em 28 de agosto, data que remonta à histórica greve de 1951, em São Paulo, marco de resistência que consolidou a força e a união da categoria. A Festa do Chope é também uma forma de homenagear trabalhadores e trabalhadoras que lutam o ano todo, junto com o Sindicato, em defesa dos direitos, por novas conquistas e valorização.

No dia 7 de setembro, quando o Brasil completou 203 anos de sua independência, movimentos populares, centrais sindicais e entidades de classe tomaram as ruas em diversas cidades do país para defender a soberania nacional e a democracia. A mobilização, convocada pela CUT, pelas Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, pelo Fórum das Centrais Sindicais, pelo Grito dos Excluídos e Excluídas e outras organizações, tevecomo lema: “7 de Setembro do Povo – quem manda no Brasil é o povo brasileiro”. As manifestações ocorreram em um cenário marcado pelo tarifaço de 50% imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a produtos brasileiros. As tarifas caíram em novembro, após negociações entre o governo do presidente Lula e dos EUA. A mobilização em São Paulo também coletou votos para o Plebiscito Popular por um Brasil mais justo e soberano.

Nos 203 anos da independência nacional, trabalhadores foram às ruas no 7 de setembro para lembrar: quem manda no Brasil é o povo brasileiro (Crédito: Imprensa/Seeb-SP)

No dia 21 de setembro, milhares de pessoas foram às ruas em 33 cidades do Brasil para protestar contra a PEC da Blindagem e os projetos que tentam garantir anistia aos golpistas do 8 de janeiro. Em São Paulo, a manifestação em frente ao Masp, na avenida Paulista, reuniu mais de 42 mil pessoas, segundo dados da USP. O mote “Congresso Inimigo do Povo” segue forte em atos realizados por todo o Brasil contra medidas do Congresso Nacional que dificultam a investigação de deputados e senadores.

Vitória da mobilização dos trabalhadores, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou no dia 26 de novembro, a lei que amplia a faixa de isenção do imposto de renda para trabalhadores que ganham até R$ 5 mil por mês. A nova regra também cria descontos para ganhos de até R$ 7.350 mensais e aumenta a taxação sobre altas rendas, a partir de R$ 600 mil anuais. A mudança representa um avanço histórico na justiça tributária e terá impacto direto sobre a vida de milhões de brasileiros. Cerca de 15 milhões de pessoas deixarão de pagar imposto de renda com a sanção da lei. Para apoiar a categoria na compreensão dos novos valores, o Sindicato lançou um simulador exclusivo, desenvolvido em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que permite calcular quanto cada trabalhador economizará com as novas regras.

No dia 10 de dezembro, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou a Proposta de Emenda à Constituição, PEC 148/2015, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), que acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada de trabalho de 44 para 36 horas semanais. A redução da jornada de trabalho não poderá implicar em redução salarial. O fim da escala 6×1 também é uma das bandeiras de luta do Sindicato Cidadão.

Ao longo de todo o ano, o Sindicato esteve também na linha de frente da luta pela redução dos juros, participando de diversos atos em frente ao Banco Central, na avenida Paulista. Em 9 de dezembro, a entidade voltou às ruas para reforçar essa cobrança, mesmo dia em que o Copom se reuniu pela última vez no ano para definir a taxa básica de juros, lamentavelmente mantida em 15% ao ano. Esse é o maior patamar em 20 anos, colocando o Brasil como o país com a segunda maior taxa de juros real do mundo, atrás apenas da Turquia. Juros altos travam a economia, encarecem o crédito e penalizam trabalhadores e a população.

Bom humor para encerrar o ano: Corrida de São Pilantra, na Paulista, faz sátira com a tradicional São Silvestre e revela os piores “corredores” de 2025 (Crédito: Imprensa/Seeb-SP)

Encerrando o ano com criatividade e bom humor, a 18ª edição da Corrida de São Pilantra chamou a atenção de quem passava pela avenida Paulista no dia 23 de dezembro. A tradicional e divertida prova promovida pelo Sindicato denuncia há quase duas décadas as personalidades, empresas e instituições que mais correram contra os trabalhadores, o país e os direitos humanos ao longo do ano. Em 2025, a concorrência foi fortíssima: Michele Bolsonaro, Capitão Derrite, Jair Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, os bancões (Bradesco, Itaú e Santander), Nubank, Banco Master, Benjamin Netanyahu, Hugo Motta, Silas Malafaia, Davi Alcolumbre. Motta, presidente da Câmara dos Deputados, foi imbatível e alcançou a primeira posição por priorizar, no Congresso Nacional, projetos que não atendiam os interesses do povo brasileiro. Em segundo, o Master, que se aproveitou das suas relações de poder para favorecer seu dono e prejudicou clientes, bancários e toda a sociedade brasileira. Tarcísio, governador de São Paulo, veio logo em seguida com uma extensa lista de mal feitos e privatizações que atacam o estado e seus cidadãos. Itaú e Nubank fecharam o pódio com louvor diante dos problemas que levaram tanto aos seus trabalhadores como aos clientes em 2025.

INTERNACIONAL

A atuação internacional do Sindicato é fundamental na defesa dos direitos dos trabalhadores mundialmente. As empresas têm estratégias globais e os empregados também precisam ter. Em maio de 2025, o Sindicato marcou presença na sede da UNI Global Union, em Nyon, Suíça, participando de reuniões da UNI Finanças, entidade sindical mundial que representa mais de 20 milhões de trabalhadores no setor financeiro. A presidenta do Sindicato, Neiva Ribeiro, que também é vice-presidenta da UNI Finanças Mundial e integra o Comitê Regional da UNI Américas, participou de debates sobre os desafios enfrentados pelos trabalhadores no mundo todo. Entre os temas, a digitalização do sistema financeiro, o avanço da inteligência artificial (IA), a redução de empregos em agências, o papel das fintechs e a precarização nas relações de trabalho.

Presidenta do Sindicato, Neiva Ribeiro, em reunião da UNI Finanças, entidade sindical mundial, da qual é vice-presidenta: debate sobre empregos bancários diante do avanço da digitalização e da IA (Crédito: Imprensa/Seeb-SP)

O Sindicato participou da 113ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT, em Genebra, na segunda semana de junho. O encontro debateu o trabalho plataformizado, alertando para a precarização, a falta de direitos e a urgência de regulação para proteger trabalhadores impactados pelas novas formas de contratação. Na OIT, o Sindicato também participou de discussões centrais sobre diversidade, inclusão e impactos da tecnologia no mundo do trabalho. E defendeu que a inovação não pode significar retirada de direitos, mas mais proteção, igualdade de oportunidades e trabalho decente para todos.

Na Conferência Internacional, na OIT, Sindicato alerta para precarização do trabalho e urgente regulação do trabalho plataformizado (Crédito: Imprensa/Seeb-SP)

*este texto foi reproduzido do site 100 Anos de Luta por Direitos e Democracia, um portal comemorativo ao centenário do Sindicato, completados em abril de 2023, e que contém vasto material de resgate da história da entidade. Visite e conheça essa trajetória.

seja socio