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Chapéu
contra a reestruturação

Bancários do Banco do Brasil decidem paralisar atividades na quarta-feira 10

Linha fina
Em assembleia virtual, 87% dos trabalhadores deliberaram por iniciar estado de greve contra a reestruturação que prevê fechamento de centenas de unidades, desligamento de milhares de trabalhadores, descomissionamento de funções e a extinção do cargo de caixa
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Montagem: Linton Publio

Em assembleia virtual, 87% dos bancários deliberaram pela deflagração de estado de greve, e de paralisação na quarta-feira 10 de fevereiro.

A decisão dos trabalhadores foi nesta sexta-feira 5 e é mais uma etapa da reação contra a reestruturação anunciada em janeiro pela direção do banco, que prevê fechamento de centenas de unidades, desligamento de milhares de trabalhadores, descomissionamento de funções e a extinção do cargo de caixa.

Dúvidas sobre a reestruturação no BB? A gente responde

Os  bancários do Banco do Brasil já  realizaram atos nacionais no dia 15 e no dia 21 de janeiro. Em 29 de janeiro foi realizada uma paralisação de 24 horas. Também houve mobilizações nas redes todos estes dias.

“Os funcionários exigem negociação e transparência”, afirma a dirigente sindical e bancária do Banco do Brasil Adriana Ferreira.

“Depois da paralisação do dia 29, quando houve forte adesão da categoria ao protesto, novamente os bancários reforçaram que não irão aceitar passivamente este desmantelamento do Banco do Brasil”, acrescenta.

Encolhimento do Banco do Brasil

A reestruturação pretende demitir 5 mil bancarios por PDV, fechar 361 unidades – sendo 112 agências, 7 escritórios e 242 postos de atendimento –, e descomissionar centenas de funções.

O aumento da digitalização bancária é o principal argumento do governo federal para colocar em prática a reestruturação.

“Este processo crescente de digitalização inclui as classes média e alta, mas exclui as camadas mais vulneráveis. Ao tomar esta decisão, a direção do banco está tirando o atendimento dessas pessoas de renda mais baixa e atacando diretamente o papel do BB de indutor da economia, principalmente para as micro e pequenas empresas”, afirma.

BB é essencial nas crises

Durante a crise causada pelo coronavírus, o Banco do Brasil concedeu R$ 6,6 bilhões em crédito para 110 mil micro e pequenas empresas por meio do Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte). Para efeito de comparação, por meio do mesmo programa, o Itaú concedeu R$ 3,9 bilhões para 42 mil empresas.

Redução dos bancos públicos

Por outro lado, entre 2014 e 2020 o Banco do Brasil fechou 19,5 mil postos de trabalho (variação negativa de 17,5%) e a Caixa 16,9 mil (variação negativa de 16,9%), enquanto o Bradesco abriu 414 vagas (variação positiva de 0,4%), o Itaú fechou 1.920  (-5,1%), e o Santander 4,1 mil (-8,4%).

Mais lucro, menos funcionários e exclusão bancária

Entre 2016 e 2019, o lucro líquido ajustado do BB apresentou crescimento de 122%, passando de R$ 8,033 bilhões em 2016 para R$ 17,848 bilhões em 2019. No mesmo período, o banco fechou 19% das agências e reduziu o quadro de funcionários em 16%.

“A redução de milhares de postos de trabalho, o fechamento de centenas de unidades e a extinção da função do cargo de caixa resultará, para a sociedade, no enfraquecimento da função social do banco público, bem como na elitização do seu atendimento. Para os bancários, representará mais sobrecarga de trabalho e rebaixamento de cargos. É um processo que favorece a classe alta e os acionistas e não beneficia nem os funcionários e muito menos a população”, afirma Adriana. 

A dirigente ressalta que muitos municípios brasileiros só contam com agências do Banco do Brasil, porque não interessa aos bancos privados atuar em localidades que não trazem retorno.

Mobilização de todos

Adriana enfatiza a importância da adesão dos bancários à paralisação, assim como o diálogo e a mobilização com a sociedade em defesa da função pública do banco. "A luta em defesa da função social do banco é de toda a sociedade", conclui.