Pular para o conteúdo principal
Chapéu
Descaso

Em meio a pandemia, Itaú apresenta programa de remuneração

Linha fina
Dirigentes sindicais criticam momento escolhido para anúncio de programa; momento é de suspensão de metas e cuidado com a saúde dos bancários e clientes
Imagem Destaque
Foto: Divulgação

Em reunião com representantes do Sindicado dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, o Itaú apresentou nesta quarta-feira 17 seu novo programa de remuneração variável, denominado GERA. O anúncio foi feito em meio à pandemia de Covid-19 no Brasil e com denúncias de descaso por parte do banco em relação a casos da doença entre os trabalhadores.

Para a dirigente sindical e bancária do Itaú Valeska Pincovai, o momento não é de mudanças, mas de suspensão de metas.

“Durante a pandemia, não deveríamos estar discutindo programas de metas ou mudanças na estrutura do banco, e sim dar prioridade à vida dos trabalhadores e dos clientes. Bancários são essenciais e devem ser tratados como tal”, pondera Valeska.

“Em muitos locais, gerentes estão sendo orientados a não relatar casos de Covid-19 para manterem as agências abertas e conseguir bater as metas, sob risco de serem demitidos. Eles chegam a fechar as agências para os clientes e mantém os trabalhadores no local”, relata a dirigente sindical.

Ela diz ainda que o Sindicato tem recebido denúncias sobre o aumento de metas de abertura de contas e de renegociação de dívidas, dobrando as metas de empréstimos e de capital de giro, tornando-as praticamente inalcançáveis.

“Um outro problema apresentado pelos bancários são as senhas que os clientes têm que pegar para serem atendidos, que são por segmento. Quando não há ninguém para ser atendido, os bancários da área operacional precisam levantar e ir até o sistema de retiradas de senhas para dar baixa, de forma manual, e não automatizada, sob risco de prejudicar as metas”, conta Valesca.

Sobre o GERA

A apresentação foi feita pelo superintendente responsável pelo programa, que informou que as mudanças foram feitas baseadas em Pesquisas realizadas com os trabalhadores das agências com todos os cargos, em 2019.

De acordo com o banco, o GERA aborda os pilares de Autonomia, Reconhecimento, Simplificação e Colaboração, tendo pagamentos mensais, considerando a produção do funcionário e a satisfação do cliente, e semestrais, sendo variável de acordo com as questões financeiras e também a satisfação do cliente.

As metas mensais são chamadas de cesta de soluções, adequadas ao cliente, tendo variáveis como Satisfação, Início de Relacionamento, Equilíbrio de Contas, Aquisição de Bens, Renegociação entre outras. O contrato de metas será em uma única grade para Itaú Agências, Uniclass e EMP4.

O Itaú informou que houve aumento no valor da remuneração e que há um extra na curva entre 1.000, 1.100 e 1200 pontos, que antes não existia no programa anterior.

O GERA semestral leva em consideração a elegibilidade por um percentual que, devido à pandemia, garante que uma parcela de bancários recebam a remuneração. Agências que ficarem fechadas devido a casos de Covid-19 também terão pontos garantidos no programa.

Os representantes do banco alegam que o GERA é melhor que seu antecessor, o AGIR. Entretanto, para os representantes dos trabalhadores, as metas só tem piorado. E que os relatos de bancários trabalhando sob pressão constante, ameaça de demissão e o afastamento de bancários nas agências têm piorado as condições de trabalho de todos.