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Chapéu
Internacional

Juventude trabalhadora das Américas debate presente e futuro

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Diretora do Sindicato e presidenta de Juventude da Uni Américas, Lucimara Malaquias, participou de evento online da CSA (Confederação Sindical das Américas), que contou com a participação da ex-presidenta do Brasil Dilma Roussef e do ex-presidente do Uruguai Pepe Mujica
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Montagem: Linton Publio

A CSA (Confederação Sindical das Américas) promoveu, nos dias 26 e 27 de março, o encontro continental da juventude trabalhadora das Américas. O evento online teve como lema “O presente que mobiliza o futuro" e contou com mais de 350 jovens sindicalistas de 26 países, que debateram desafios e propostas para a luta sindical nas Américas. Também participaram movimentos sociais; representantes de sindicatos globais como a Uni Américas; e lideranças políticas como a ex-presidenta do Brasil Dilma Roussef e do ex-presidente do Uruguai Pepe Mujica. 

A diretora do Sindicato, Lucimara Malaquias, participou de evento como presidenta de Juventude da Uni Américas e representante da Contraf-CUT.

“O sindicalismo das Américas aposta em uma perspectiva de desenvolvimento integral, contra-hegemônica e realmente sustentável. O desenvolvimento como conceito e programa dos povos se baseia nos princípios da justiça social, econômica e ambiental, na igualdade e na equidade de gênero, na democracia e nos direitos humanos. A perspectiva de desenvolvimento sustentável não pode ser dissociada de premissas fundamentais para a classe trabalhadora. Por isso, falar de desenvolvimento sustentável com justiça social implica falar de trabalho decente, liberdade sindical, proteção social universal, empoderamento popular, presença efetiva do Estado, políticas públicas integrais e ativas, e a garantia de satisfação das necessidades da população”, enfatizou Lucimara na sua fala.  

“A realidade da juventude trabalhadora da região e suas condições de vida, empregos e direitos, foi transformada a partir da redução da presença do Estado, da precarização do trabalho e da flexibilização dos direitos. A má qualidade dos empregos de muitos jovens se manifesta nas condições de trabalho precárias, na falta de proteção jurídica e social e nas limitadas oportunidades de formação e de progressão profissional. O fato de que três de cada quatro trabalhadores jovens em todo o mundo estiveram ocupados na economia informal em 2016 destaca a magnitude do problema . Além das desigualdades transversais que afetam as mulheres, as pessoas migrantes, as pessoas afrodescendentes, a população LGBTI e a população indígena”, acrescentou a diretora do Sindicato. 

A presidenta de Juventude da Uni Américas destacou ainda que os sindicatos são agentes sociais e políticos que possuem papel fundamental na organização da sociedade civil na construção de ações coletivas e políticas públicas perenes. De acordo com ela, os objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS) e a Agenda 2030 são ferramentas orientadoras de ações políticas e sociais que visam estabelecer um equilíbrio econômico-ambiental-social no mundo. 

Sobre a pandemia, Lucimara avalia que a crise sanitária e social escancarou os desequilíbrios no planeta e trouxe a urgência de todos os países atuarem em conjunto para conter o vírus e salvar vidas. 

Para a diretora do Sindicato, devem fazer parte de uma agenda comum dos sindicatos os seguintes debates: empregos verdes e decentes, que são aqueles empregos diretamente destinados a proteger o meio ambiente ou que visam, ao menos, minimizar o impacto sobre a saúde do planeta; defender a transição justa para uma economia descarbonizada, que não é só fundamental para frear as mudanças climáticas, mas também indutora de crescimento econômico, com potencial para criar milhões de empregos; a conscientização da sociedade, alertando sobre os riscos de a “economia verde” ficar restrita à esfera privada; estabelecer um papel de fiscalização e de denúncias das empresas que não atuam com responsabilidade socioambiental e representam, portanto, um risco à vida.

Na sua intervenção voltada para a juventude trabalhadora das Américas, o ex-presidente do Uruguai Pepe Mujica, que se definiu como “velho lutador”, falou sobre política, justiça, coletividade e, sobretudo, humanismo. Mujica defendeu que o processo não está no consumismo, e sim no tempo que uma pessoa tem para ser feliz; que a luta não se faz por dinheiro, e sim por paixão; que não mudaremos o mundo se não mudarmos nossa mentalidade e revermos prioridades; e que é essencial que a humanidade cultive afetos e passe mais tempo buscando a felicidade.