
Em reunião nesta quarta-feira (2), representantes do Sindicato dos Bancários deram continuidade às tratativas com o Itaú sobre o reajuste da PCR (Programa Complementar de Resultados) e as mudanças no programa GERA. Confira a seguir os detalhes do encontro.
GERA
Durante a reunião, o Sindicato abordou os problemas com o "Fale com o GERA", canal específico para reclamações sobre o programa de gestão e avaliação de desempenho dos funcionários. O Itaú manifestou preocupação em fazer melhorias no funcionamento. Segundo o banco, elas já estão sendo implantadas desde 2024, visando atender a média de 100 agências mensais que efetuam reclamações.
Os representantes do Itaú afirmaram que algumas produções demoram mais para serem computadas no programa e que a ideia é simplificar o GERA. Em relação à lista VAI, segundo o banco, a demora para computar a produção, para quem fez o primeiro contato, é de sete dias.
Sobre as metas trimestrais serem cobradas mensalmente e sempre com uma pontuação elevada, acima dos mil pontos, o responsável pela área disse haver um relatório mensal de controle do funcionário, para que ele possa dimensionar o seu desempenho e não ser cobrado mensalmente. Entretanto, alguns gestores utilizam isso como meta mensal, causando pressão e cobrança exacerbada nos locais de trabalho.
Na oportunidade, o Sindicato apresentou um exemplo de cobrança realizada e que foge totalmente do que foi apresentado pelo Itaú, saindo das regras do programa. Neste momento, foi denunciado ao banco a exposição feita em alguns locais e a gestão de maneira assediadora do programa GERA.
Os representantes do Itaú também foram questionados sobre bancários que estão sofrendo rebaixamento de cargo. Isso vem acontecendo em diversas regiões, com gerentes sendo descomissionados para o cargo de AN com jornada de seis horas. O banco, por sua vez, alegou que eles não estão desempenhando a função de acordo com os requisitos e que o rebaixamento estaria previsto na Reforma Trabalhista.
O Sindicato abordou ainda o SQV (Sistema de Qualidade de Vendas) e o fato de o funcionário ser punido em uma agência e carregar a punição quando é transferido para outro gestor/agência. O banco afirmou que esta é uma prática que leva em consideração a lotação do funcionário no momento da aplicação e que, portanto, seguirá com essa conduta.
Foi levantado ainda o problema da não remuneração dos ANS no seguimento empresas em relação ao GERA. Essa e outras questões seguirão sendo tratadas em uma próxima reunião, quando o banco levará um representante da Área de Pessoas e deverá apresentar detalhes da gestão do GERA e dos processos de comunicação, avaliação e treinamento.
PCR
Na discussão sobre o Programa Complementar de Resultados, o Itaú apresentou a seguinte proposta para 2025:
- Reajuste do INPC Janeiro (4,17%)
- Até 23% ROE: R$ 3.831,48
- Acima de 23%: R$ 4.016,15
- 2026: reajuste da categoria
O Sindicato rejeitou a proposta na mesa, argumentando que o reajuste da PCR precisa valorizar os trabalhadores e, frente ao lucro que o Itaú vem obtendo nos últimos anos, esse valor deveria ser bem maior. Uma nova reunião sobre o PCR será agendada e o Sindicato retomará suas reivindicações.
"Na questão do PCR, o banco precisa valorizar os bancários que trabalham duro para que ele atinja o lucro exorbitante que teve no último período. Não é justo que os trabalhadores adoeçam nos locais de trabalho para bater metas e não sejam reconhecidos como deveriam. Os bancários do Itaú merecem respeito", cobra Valeska Pincovai, dirigente do Sindicato e coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú.
Apesar da insatisfação com a proposta inicial para o PCR, Valeska avaliou a reunião como produtiva e satisfatória: "O encontro foi positivo porque tivemos a presença do superintendente Thiago Silva de Martino e da gerente de planejamento comercial Rebeca Scheeffer Curvo Leite, responsáveis pelo Programa GERA. Conseguimos debater os problemas e as angústias dos funcionários buscando construir soluções."
