O Sindicato dos Bancários de São Paulo, representado pela Fetec-CUT/SP e junto a demais federações sindicais de todo o Brasil, reuniu-se com a direção da Caixa para mais uma rodada de discussões do Grupo de Trabalho (GT) de Promoção por Mérito.
O encontro realizado na segunda-feira 30 teve como objetivo avaliar o processo referente ao ano-base 2025 e discutir ajustes necessários para o próximo ciclo, buscando garantir critérios justos e maior efetividade no reconhecimento das trabalhadoras e dos trabalhadores.
Triplica número de contemplados pelo segundo delta
Dados debatidos no GT indicam que o número de empregados que receberam dois deltas passou de 10.290, em 2022/2021 (último ano em que a Caixa havia efetuado o pagamento do segundo delta) para 32.413 trabalhadores neste ano (2026/2025), resultado que o Sindicato e damais entidades atribuem à pressão e ao diálogo mantido pela representação sindical nas negociações.
O crescimento no número de trabalhadores contemplados com o recebimento do delta evidencia como a mobilização coletiva é fundamental para garantir avanços.
Aproximadamente 60 mil empregados passaram a receber o primeiro delta, porém apenas 10 mil conseguiam acessar o segundo. Isso ocorria porque, nos últimos anos, a Caixa adiava as negociações até dezembro, o que tornava inviável aplicar retroativamente os critérios e, na prática, eliminava a chance de concessão de um segundo delta.
“Desta vez, com critérios definidos e discutidos pelo próprio movimento sindical, houve uma mudança significativa: o total de empregados contemplados com o segundo delta triplicou, passando de 10 mil para 30 mil habilitados. Trata-se de uma conquista que evidencia a força da negociação coletiva e a importância da atuação ativa do Sindicato”, afirma Luiza Hansen, representante do Sindicato e da Fetec-CUT/SP no GT.
Pagamento do delta deve ser em janeiro
Um dos principais pontos levantados pelo sindicato e demais entidades sindicais foi a necessidade de assegurar que o pagamento do primeiro delta ocorra em janeiro do ano seguinte ao período avaliado.
Na avaliação da representação dos empregados, o atraso no pagamento – realizado apenas em março por ter sido vinculado ao programa RESULTADO.CAIXA – acabou postergando um aumento salarial que já era devido aos trabalhadores contemplados.
Os representantes dos empregados enfatizaram ser essencial garantir previsibilidade e o respeito aos prazos a fim de assegurar a credibilidade do processo. Para isto, o banco precisa se comprometer a pagar o primeiro delta em janeiro.
Critérios e pendências
Durante a reunião, as entidades também apontaram a necessidade de eliminar obstáculos burocráticos que acabam prejudicando empregados que cumprem os requisitos, mas enfrentam dificuldades operacionais para comprovar determinadas exigências.
Entre os problemas relatados estão falhas ou atrasos na atualização de dados no aplicativo Conecta SUS, utilizado para comprovação de vacinação. A representação dos trabalhadores defendeu que a Caixa aceite outros comprovantes, inclusive em meio físico, com possibilidade de validação pelo sistema Sou Caixa.
A representação dos empregados ressaltou a necessidade de evitar que questões administrativas impeçam o reconhecimento de quem cumpriu os critérios.
Critérios de desempate e justiça no processo
Os representantes dos trabalhadores também questionaram critérios de desempate utilizados no processo, especialmente quando há referência à idade do empregado. A posição defendida pelas entidades é de que, nesses casos, o tempo de trabalho na Caixa seja priorizado.
Luiza Hansen ressaltou que o processo precisa manter coerência e transparência em todas as etapas. “O primeiro delta, por exemplo, não tinha nada que impedisse seu pagamento já em janeiro. Esse é um ponto central para o debate deste GT, porque precisamos garantir regras claras e que realmente valorizem o esforço das empregadas e dos empregados”, disse.
Próximos passos
O GT de Promoção por Mérito seguirá discutindo os critérios para o ciclo referente ao ano-base 2026. Entre os pontos em debate estão a definição de regras mais acessíveis, a eliminação de entraves burocráticos e a garantia de pagamento das promoções dentro do prazo adequado.
“Seguiremos monitorando o processo e exigindo da Caixa ações que garantam equidade, clareza e o devido reconhecimento das empregadas e dos empregados no programa de promoção por mérito”, afirma Luiza.
A próxima reunião do GT ainda não foi marcada.