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Lucro contábil da Caixa é de R$ 3,469 bilhões no primeiro trimestre de 2026

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Imagem mostra Prédio da Caixa Econômica Federal

Prédio da Caixa Econômica Federal - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Caixa Econômica Federal registrou lucro líquido contábil consolidado de R$ 3,469 bilhões no primeiro trimestre de 2026, segundo balanço divulgado pelo banco nesta sexta-feira 15. O resultado representa queda de 43,2% em relação ao mesmo período de 2025, quando o lucro havia sido de R$ 6,101 bilhões.

Já o lucro líquido recorrente ficou em R$ 3,5 bilhões, redução de 34,4% na comparação com o primeiro trimestre do ano passado e crescimento de 25,4% em relação ao quarto trimestre de 2025. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) recorrente foi de 9,3%.

A queda do lucro da Caixa no primeiro trimestre de 2026 foi fortemente impactada pelo aumento das despesas com provisão para créditos de liquidação duvidosa (PCLD), que somaram R$ 6,5 bilhões no período. O valor representa alta de 211,5% em relação ao mesmo trimestre de 2025, refletindo maior necessidade de cobertura para riscos de inadimplência na carteira de crédito.

Fundamental para o país

Luiza Hansen, diretora do Sindicato dos Bancários de São Paulo, ressalta a importância da Caixa para o desenvolvimento econômico e social do país, e sublinha que os empregados precisam ser mais valorizados.

“As condições difíceis de trabalho não impedem a Caixa Econômica Federal de lucrar, garantir crédito habitacional e operacionalizar programas sociais. E quem viabiliza tudo isso são os empregados, que enfrentam sobrecarga de trabalho e acúmulo de funções, cobranças abusivas por metas, falta de pessoal e reestruturações frequentes, o que tem causado muitos adoecimentos”, afirma.

A dirigente critica a dinâmica por meio da qual os empregados entregam resultados bilionários enquanto enfrentam falta de critérios sobre a remuneração variável, metas inatingíveis, sobrecarga causada pela deficiência de pessoal nas agências e centros administrativos, e adoecimentos.

“A Caixa presta ao país e aos seus cidadãos um serviço que nenhum banco privado faz ou faria. E os empregados que operacionalizam esses serviços merecem mais valorização por meio de melhores condições de trabalho. Não existe Caixa forte e pública sem os seus empregados”, afirma a dirigente.

Felipe Pacheco, coordenador da Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa), reforçou a defesa da Caixa 100% pública. “A Caixa pública é indispensável para o país. Nenhum banco privado teria compromisso com habitação popular, inclusão bancária, desenvolvimento regional e execução de políticas sociais como a Caixa tem. Fortalecer a Caixa e valorizar seus empregados é defender o desenvolvimento do Brasil”, concluiu.

Outros números

A carteira de crédito da Caixa encerrou março de 2026 em R$ 1,410 trilhão, crescimento de 11,3% em 12 meses e de 2,3% na comparação com dezembro de 2025. O principal destaque segue sendo o crédito imobiliário, que avançou 13,9% em relação a março do ano passado.

Somente no primeiro trimestre, a Caixa contratou R$ 64,2 bilhões em crédito imobiliário, aumento de 30,6% em relação ao mesmo período de 2025. Segundo o banco, as operações permitiram o acesso de 702,4 mil pessoas à moradia própria e contribuíram para a geração de 517 mil empregos diretos e indiretos.

O banco também manteve papel central na execução das políticas públicas do governo federal. No trimestre, foram pagos R$ 105,5 bilhões em benefícios sociais e programas governamentais. Entre os principais itens estão R$ 38,4 bilhões do Bolsa Família, R$ 42,8 bilhões em benefícios do INSS, R$ 13,5 bilhões em seguro-desemprego e R$ 4,6 bilhões em abono salarial.

As receitas de prestação de serviços e tarifas bancárias totalizaram R$ 7,4 bilhões, crescimento de 12,5% em relação ao primeiro trimestre de 2025. Já as despesas administrativas (que incluem despesas de pessoal e outras despesas administrativas) chegaram a R$ 11,5 bilhões, alta de 6% em 12 meses.

Outro dado que impactou o resultado foi a despesa de provisão para perdas associadas ao risco de crédito, que alcançou R$ 6,5 bilhões no trimestre. O próprio banco ressalta que a comparação com períodos anteriores deve considerar os efeitos da adoção da Resolução CMN nº 4.966/2021, que alterou critérios de contabilização e provisão de perdas esperadas no sistema financeiro.

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