Celebrado em 7 de abril, o Dia Mundial da Saúde foi instituído em 1948 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), marcando a criação da entidade e simbolizando um compromisso global com o direito à saúde. A data convida governos e sociedades a refletirem sobre os desafios sanitários e a importância de sistemas públicos universais, como o Sistema Único de Saúde (SUS), referência internacional em acesso gratuito e integral.
No Brasil, o SUS é uma das maiores conquistas sociais da Constituição de 1988. Trata-se de um sistema público que garante atendimento gratuito a toda a população, desde ações básicas, como vacinação e atendimento em postos de saúde, até procedimentos de média e alta complexidade, como cirurgias, tratamentos oncológicos e transplantes.
Para a secretária de Saúde e Condições de Trabalho do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Valeska Pincovai, a defesa do SUS é uma pauta que envolve toda a sociedade. “O SUS é um patrimônio do povo brasileiro. Mesmo quem tem plano de saúde depende dele em diversas situações. Defender o SUS é defender a vida, a saúde coletiva e condições dignas de atendimento para todos”, afirma.
Outro componente fundamental é a Rede de Atenção à Saúde do Trabalhador, que inclui os Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest). Esses centros atuam na prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças relacionadas ao trabalho, além de desenvolver ações de vigilância e promoção da saúde, sendo essenciais para categorias como a bancária, frequentemente exposta a adoecimentos físicos e mentais.
Ato em defesa do SUS
O Sindicato reforça seu apoio ao ato em defesa do SUS que será realizado no dia 7 de abril, às 9h30, no centro da capital paulista. A atividade terá início com uma aula pública em frente ao Theatro Municipal de São Paulo e seguirá em caminhada até a Prefeitura.
Além de apoiar a mobilização, que reúne diversas entidades do setor da saúde, o Sindicato é signatário da “Carta Aberta em Defesa do SUS – Ação Global pela Cobertura Universal em Saúde”, reafirmando seu compromisso histórico com a defesa de um sistema público, gratuito, universal e de qualidade.
CARTA ABERTA EM DEFESA DO SUS
AÇÃO GLOBAL PELA COBERTURA UNIVERSAL EM SAÚDE
Todos os anos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) elege um tema para mobilização e debate no Dia Mundial da Saúde, celebrado em 7 de abril. Em 2026, o tema inicialmente divulgado foi "Ação global pela cobertura universal em saúde", posteriormente modificado para "Juntos pela saúde. Apoie a ciência". Reconhecemos e valorizamos a ciência, defendemos sua autonomia e lutamos por seu financiamento adequado. Porém, insistimos no tema inicialmente proposto pela OMS e questionamos: em um contexto global de conflitos e guerras, a quem interessa mitigar o debate sobre a universalidade em saúde?
No Brasil, o Sistema Único de Saúde tem como princípios fundamentais: a universalidade, a equidade e a integralidade. Assim, desde sua fundação, nosso SUS busca a cobertura universal em saúde, sem distinção de territórios e populações. Apesar dos avanços, na celebração dos 40 anos da 8ª Conferência, ainda temos muito a conquistar!
Com racismo, machismo e desigualdade, não há universalidade
Pessoas pretas, mulheres, moradoras de periferias e deficientes morrem mais e mais cedo, vítimas de problemas de saúde que poderiam ser evitados e da violência. Têm piores indicadores de saúde ao longo da vida, mais dificuldades de acesso aos serviços e, quando conseguem atendimento, sofrem com discriminações, racismo institucional e baixa qualidade da assistência. Quem é mãe ou cuida de uma pessoa ainda enfrenta a ausência de políticas intersetoriais que conectem a saúde com a educação, a assistência social, a habitação e os direitos humanos.
Com tanta terceirização, não há universalidade
A cidade e o estado de São Paulo são provas de que a terceirização falhou! Além de não melhorar o acesso aos serviços de saúde, ainda piorou o atendimento. Filas, superlotação, falta de vagas e baixa qualidade da assistência, além das notícias de fraudes, continuam fazendo parte do cotidiano. Com a alta rotatividade de trabalhadores nas OSS, não há educação permanente em saúde, com prejuízos inegáveis às dimensões de vinculação e formação profissional.
O prefeito Ricardo Nunes e o Secretário de Saúde Zamarco contratam Organizações Sociais da Saúde (OSS) que têm reputação ruim e não monitoram suas atividades de forma correta, pois são contados "números de atendimentos" sem se importar se a saúde da população está melhorando. Ao mesmo tempo em que pagam milhões para as OSS, dão o calote em outras empresas, deixando a municipalidade descoberta.
Sem financiamento adequado, não há universalidade
Um SUS forte e soberano precisa de financiamento para todas as suas ações, incluindo a promoção, a prevenção e a assistência em saúde, com unidades bem estruturadas e força de trabalho motivada e respeitada em seus direitos. Sem isso, não é possível enfrentar as desigualdades pelo território e implementar as políticas e programas de forma efetiva.
São Paulo tem papel relevante também na formação de recursos humanos da saúde, no desenvolvimento científico e tecnológico e no complexo econômico-industrial da saúde. Nesses setores, o fechamento da FURP pelo governo estadual e o sucateamento dos laboratórios municipais configuram perdas para a população e para o conjunto do sistema de saúde.
Sem controle social, não há universalidade
O controle social fiscaliza, acompanha e monitora as políticas públicas de saúde, bem como a aplicação dos recursos. A atuação dos conselhos é fundamental para a democracia, na luta por transparência das ações e dos gastos de gestores de unidades, de secretários de saúde, do prefeito e mesmo do governador.
Há anos os governos estadual e municipal de São Paulo vêm tentando minar os espaços de participação social, mas usuários(as) e trabalhadores(as) do SUS resistem na luta! Por um sistema de saúde verdadeiramente universal, equânime e integral, pela democracia e pela soberania nacional, reivindicamos concursos públicos para a saúde, ampliação do financiamento do SUS municipal e estadual e controle social efetivo!