Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de SP, durante encontro das centrais sindicais com o presidente Lula
Representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e das demais centrais sindicais entregaram na tarde desta quarta-feira (15) ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva um documento com 68 reivindicações, construído coletivamente. O encontro com o Lula, no Palácio do Planalto, ocorreu depois da Marcha da Classe Trabalhadora, que reuniu milhares de trabalhadores em Brasília.
Lula iniciou seu discurso lembrando da reforma trabalhista de 2017, implementada pelo então governo-golpista de Michel Temer, que precarizou o trabalho no país, ao permitir regras como a terceirização irrestrita e o pagamento por horas. "A reforma trabalhista também prejudicou a previdência, fazendo com que o trabalhador não conseguisse mais se aposentar ou passasse a receber de aposentadoria menor que o salário-mínimo", pontuou.
O governo Bolsonaro, por sua vez, extinguiu os ministérios do Trabalho e da Previdência Social e fez a reforma da previdência que enfraqueceu ainda mais o sistema INSS. "Em dezembro de 2021, eles montaram um grupo de trabalho que elaborou um relatório propondo mais de 330 mudanças na CLT, incluindo a permissão irrestrita do trabalho aos domingos", prosseguiu Lula.
A partir dessa breve retrospectiva dos ataques dos últimos dois governos contra os direitos, Lula reforçou a importância dos movimentos sociais: "A gente precisa ter clareza de uma coisa chamada correlação de forças. A política é feita disso. Comecem a pensar como fazer para que a gente tenha um Senado e uma Câmara com maioria comprometida com os direitos do povo, com a decência, com uma regulação que permita às pessoas viverem como cidadãs", completou.
Em seguida, Lula chamou a atenção dos sindicatos como agentes fundamentais na luta por um país melhor. "Nosso papel é ficar 100% do tempo em alerta, para não permitir mais retrocessos", disse. “A luta de vocês [centrais sindicais] não termina com a entrega desse documento de reivindicações, mas sim começa hoje”, pontuou.

O recebimento das reivindicações dos trabalhadores aconteceu um dia depois de o presidente da República encaminhar ao Congresso Nacional o projeto de lei que acaba com a escala 6x1 em regime de urgência constitucional, o que limita em 45 dias o prazo máximo de tramitação do texto, tanto na Câmara quanto no Senado, com o acréscimo de 10 dias caso a proposta tenha alguma alteração em uma das casas legislativas.
Além dos representantes das centrais e do presidente Lula, participaram do encontro o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, e o ministro das Relações Institucionais, José Nobre Guimarães.
Durante a cerimônia, Lula assinou ainda uma mensagem de encaminhamento ao Congresso Nacional do projeto de lei para que servidores públicos da União, Distrito Federal, estados e municípios tenham direito à negociação e representação sindical. Esse tema é um dos 68 itens da pauta de reivindicações entregue nesta tarde.
Bancários presentes
O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região esteve presente na cerimônia junto ao presidente Lula, representando a categoria e defendendo suas pautas. A presidenta da entidade, Neiva Ribeiro, destacou que avanços na redução de jornada, como o fim da escala 6x1, também terão impactos positivos para os bancários.
"O fim da escala 6x1 fortalece o debate sobre a redução da jornada de trabalho como um todo, o que nos dá ainda mais condições de avançarmos na luta pela escala 4x3 no setor bancário. Além disso, muitos bancários possuem familiares a amigos submetidos à escala 6x1 e que serão beneficiados com sua extinção. Toda a sociedade se beneficia dos avanços sociais, mesmo que indiretamente. Por isso, seguimos tão mobilizados nesta pauta", explicou Neiva.