17 de Maio

LGBT's exigem: parem de nos matar

Sindicato reforça importância da luta contra a homofobia e transfobia; compromisso da entidade trouxe avanços para os bancários LGBT

  • William De Lucca, Spbancarios
  • Publicado em 16/05/2019 11:45 / Atualizado em 16/05/2019 17:32

Foto: Agência Brasil

Uma morte a cada 16 horas. Conviver com o risco de morte por ser quem se é ou amar quem se ama faz parte do cotidiano de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT) no Brasil. Para lutar contra este destino violento, o 17 de maio foi escolhido como o Dia Mundial de Luta contra a Homofobia.

Dados tabulados por Julio Pinheiro Cardia, ex-coordenador da Diretoria de Promoção dos Direitos LGBT do Ministério dos Direitos Humanos – hoje Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, comandado pela homofóbica Damares Alves –, a pedido de um site, revelam que 8.027 pessoas lésbicas, gays, bissexuais, travestis ou transexuais foram assassinadas no Brasil entre 1963 e 2018 em razão de orientação sexual ou identidade de gênero.

No estudo, ele levantou denúncias de assassinato registradas por ONGs, entidades nacionais e órgãos governamentais entre 2011 e 2018, e o resultado equivale a 552 mortes por ano, ou uma vítima de homofobia a cada 16 horas no país.

Luta histórica

A presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Ivone Silva, destaca que a luta contra a homofobia e transfobia tem apoio irrestrito da entidade.

“Esta é uma de nossas bandeiras, porque entendemos que os bancários, além de trabalhadores que querem melhores condições de salário, de oportunidades profissionais, de vida, também são cidadãos que têm suas orientações sexuais e identidades de gênero que precisam ser respeitadas. É um direito fundamental de todas as pessoas, e é preciso garantir a integralidade deste direito”, ressalta Ivone.

Este apoio se traduz nas mesas de igualdade de oportunidade, onde o movimento sindical debate a isonomia por direitos homoafetivos, sendo pioneiro na conquista de cláusulas de combate à discriminação por orientação sexual e identidade de gênero e a garantia de igualdade de direitos para casais homoafetivos.

“É preciso reforçar esta luta, principalmente em tempos de conservadorismo, onde o Brasil tem visto declarações intolerantes de pessoas em cargos eletivos, como se tivessem perdido a vergonha de serem intolerantes. Vamos continuar na luta para que nossa sociedade seja mais igualitária”, complementa a secretária-geral da entidade, Neiva Ribeiro.

Pauta de todos

O coordenador do coletivo LGBT do Sindicato, Anderson Pirota, ressalta que é imprescindível que todos, inclusive os heterossexuais e cisgêneros, estejam unidos no combate ao discurso homofóbico e transfóbico, visto que uma sociedade com diversidade é melhor para todos.

“É imprescindível nos mantermos unidos, principalmente com um presidente com discurso homofóbico chancelado pelas urnas, que espalha intolerância e ódio. Lutar contra a homofobia não é lutar por uma minoria, mas pelo direito à vida, pela democracia, pela diversidade da nossa sociedade e pela laicidade do Estado”, acrescenta.

Sobre a data

A data foi escolhida porque em dia 17 de maio de 1990, a Organização Mundial da Saúde (OMS), após pressão da comunidade LGBT, excluiu a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças, (CID). No Brasil, a data foi instituída através de decreto presidencial do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.



Voltar para o topo