Defesa da aposentadoria

Sindicato faz ato contra reforma da Previdência em agência do Bradesco

Dirigentes conversaram com bancários da unidade Antônio de Barros, na zona leste, e com a população; e colheram, em apenas duas horas, mais de  80 assinaturas contra a PEC 6/2019

  • Redação Spbancarios
  • Publicado em 17/05/2019 12:56 / Atualizado em 20/05/2019 17:16

População adere ao abaixo assinado contra a reforma da Previdência, em frente a agência do Bradesco na zona leste

Foto: Seeb-SP

Dirigentes do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região realizaram ato contra a reforma da Previdência no dia 13, na agência Antônio de Barros do Bradesco, na zona leste. Na ocasião, eles conversaram com bancários e com a população sobre as ameaças da proposta do governo, que vai dificultar a aposentadoria de milhões de trabalhadores.

Em 2 horas, foram colhidas 80 assinaturas contra a reforma

“Falamos das mazelas sociais que essa Proposta de Emenda à Constituição (PEC 6/2019), se aprovada, causará ao país. Ao substituir a Previdência Social – na qual trabalhadores da ativa, patrões e o governo contribuem para a aposentadoria das gerações futuras –, por um regime de capitalização – no qual cada trabalhador será responsável por poupar para sua própria aposentadoria, sem contribuições patronais nem do Estado –, o governo Bolsonaro vai intensificar as desigualdades sociais e jogar milhares de trabalhadores urbanos e rurais na miséria”, destacou o dirigente do Sindicato, Márcio Vieira, durante o ato.

Capitalização foi trágica no Chile

Márcio lembrou que foi isso que ocorreu no Chile, onde a capitalização foi adotada em 1981, durante o governo do ditador Augusto Pinochet (1973-1990). A capitalização no Chile previa que os chilenos depositassem pelo menos 10% de seus salários por no mínimo 20 anos para se aposentar, sem qualquer contribuição de empregadores ou do Estado. O problema se revelou quando vieram os primeiros aposentados desse novo modelo: 90,9% deles recebem menos de 149.435 pesos (cerca de R$ 694,08), pouco mais da metade do salário mínimo naquele país, que é de 264 mil pesos (cerca de R$ 1.226.20). Os dados são de 2015, apresentados pela organização independente chilena Fundação Sol, com base em informações da Superintendência de Pensões do governo.

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“A proposta de Bolsonaro prevê que as poupanças que cada trabalhador vai fazer para a sua aposentadoria sejam administradas por entidades públicas ou privadas. Ou seja, os bancos. É importante que os trabalhadores bancários não se enganem, porque só os banqueiros serão beneficiados pela capitalização da previdência”, destacou.

Fim da aposentadoria por tempo de contribuição

Os dirigentes conversaram também com a população, e alertaram que a PEC 6/2019 acaba com a aposentadoria por tempo de contribuição. Se for aprovada pelo Congresso Nacional, trabalhadores só se aposentarão quando alcançarem 65 anos, no caso dos homens, e 62 anos, no caso das mulheres. Mas isso apenas se, ao chegarem às idades mínimas, tiverem no mínimo 20 anos de contribuição. E isso para receber apenas 60% dos benefícios. O percentual vai aumentando 2% a cada ano, até atingir o benefício integral com 40 anos de contribuição.

Dirigente Márcio Vieira fala da PEC 6/2019

“Qual trabalhadora ou trabalhador brasileiros, hoje, com esse nível de desemprego e com a reforma trabalhista, que está substituindo emprego com carteira assinada por contratos informais e temporários, vai conseguir alcançar 40 anos de contribuição? Será impossível!”, constatou o dirigente.

Benefícios menores

A PEC do governo Bolsonaro ainda reduz os valores dos benefícios. Hoje, o cálculo do valor das aposentadorias é a média de 80% dos salários mais altos recebidos ao longo da vida laboral, ou seja, retiram-se do cálculo os 20% de salários mais baixos, em geral os recebidos no início da carreira.

Se a proposta passar, o cálculo passará a levar em conta 100% das remunerações recebidas pelo trabalhador em sua vida profissional, incluindo as mais baixas, o que reduzirá o valor da média.

“Será uma tragédia. Por isso temos que pressionar o Congresso para que os parlamentares não aprovem esse crime contra o povo brasileiro”, concluiu Márcio.

Na ocasião, os dirigentes colheram apoio ao abaixo-assinado contra a reforma, que o movimento sindical está levando às ruas do país. Em apenas duas horas (das 10h às 12h), foram colhidas 80 assinaturas de bancários, clientes e comerciantes da região

 



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