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Chapéu
DESENCANTO

Com crise no setor, 71% dos caminhoneiros apoiam greve geral do dia 14

Linha fina
De perfil conservador, categoria demonstra desencanto com Bolsonaro. Entre os entrevistados que afirmaram ter votado no presidente no segundo turno, 12,5% já o avaliam como ruim e péssimo
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Foto: Agência Brasil

Levantamento da Fundação Perseu Abramo (FPA) aponta que 71% dos caminhoneiros são favoráveis a outra paralisação, coincidindo com a posição de parte das lideranças do setor em relação à Greve Geral convocada para 14 de junho. 

A pesquisa foi realizada entre os dias 2 e 18 de maio, com 648 motoristas, sendo 6 mulheres. Do total de entrevistas, 49,7% foram com condutores de empresas, 42,6% autônomos, 4,7% cooperativados e 3% empregadores.

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De perfil conservador, os caminhoneiros, muito provavelmente, votaram em Jair Bolsonaro (PSL) na expectativa de resultados positivos para o setor. Entretanto, o que aconteceu desde o último ano foi só piorar, e a crise entre esses trabalhadores , principalmente os autônomos, agravou-se. A política de reajuste dos combustíveispraticada pelo governo aparece como maior problema, conforme apurou pesquisa da Fundação Perseu Abramo (FPA), muito embora, nas entrelinhas dos depoimentos, surja sempre a preocupação com a falta de atividade econômica. 

A categoria que exerce um trabalho árduo, difícil de ser executado, que acarreta uma série de prejuízos à saúde, como problemas de coluna, e à vida emocional, pelos longos períodos de solidão e distância da família, e pouco valorizada economicamente, demonstra desencanto com Bolsonaro. De acordo com a FPA, entre os entrevistados que afirmaram ter votado no presidente no segundo turno, 12,5% já o avaliam como ruim e péssimo. E 34,3% avaliam como regular.

Divergência

Segundo reportagem do Brasil de Fato publicada na sexta-feira 7, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL), que representa 700 mil caminhoneiros, anunciou adesão à paralisação.

Mas a decisão foi criticada por uma das lideranças que participou da greve da categoria no ano passado. “Não haverá paralisação. Isso é coisa de gente irresponsável no meio de uma negociação em que o governo tem cumprido sua parte; esse anúncio é coisa de pessoas que são contra o crescimento do Brasil e do presidente. Mas garanto: não haverá paralisação”, afirmou  Wanderley Dedeco, identificado com a greve do ano passado, organizada principalmente por intermédio do WhatsApp.