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Gestão atrapalhada e desmonte da Caixa expõem empregados das SRs de São Paulo

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As quatro superintendências de rede da capital paulista - São Paulo Centro; São Paulo Leste; São Paulo Sul; e São Paulo Norte - figuram nos últimos lugares no acompanhamento de metas da Caixa, situação que já perdura por quatro meses. De acordo com o diretor do Sindicato e empregado da Caixa, Dionísio Reis, o resultado das SRs da capital paulista decorre de erros na estipulação das metas e do desmonte promovido pela direção do banco público. 

“Antes de qualquer coisa, o Sindicato cobra da direção do banco a suspensão das metas de venda de produtos. Cobrar metas de vendas, neste momento da pandemia, com a sobrecarga enfrentada pelos empregados da Caixa, é um abuso que coloca em risco a saúde de trabalhadores e clientes”, pontua Dionísio. 

O fato de as quatro superintendências da capital paulista estarem nos últimos lugares, com percentuais muito próximos, não é uma coincidência.

Em São Paulo, existe a maior densidade demográfica, a maior demanda do país por atendimento, o que já é um fator que dificulta o cumprimento das metas de venda da forma como hoje são estipuladas. Além disso, nos produtos que pontuam, a Caixa enfrenta fortíssima concorrência dos bancos privados, que possuem como estratégia o foco nas grandes capitais do Sudeste, principalmente São Paulo. Existe, portanto, um erro na forma como as metas são estipuladas e na estratégia concorrencial do banco. “Se não é dada a estrutura, não se pode cobrar a produção” enfatiza Dionísio.

Outra razão para o aparente baixo desempenho das SRs de São Paulo é o desmonte promovido pela direção do banco público, liderado por Pedro Guimarães, especialmente na capital paulista, fragilizando a concorrência com os bancos privados. 

“A concorrência acirrada com o sistema financeiro privado é estratégico para a Caixa por garantir sua fatia de mercado, e para o país, pois pode colocar o banco público no papel de regulador do mercado de crédito, reduzindo os juros reais e possibilitando o investimento no desenvolvimento do Brasil”, explica o diretor do Sindicato.

Em 2019, foram fechadas duas superintendências regionais em São Paulo, SR Pinheiros e SR Ipiranga, que lidavam com grandes empresas e pontuavam muito bem. Já no início de 2020, foram fechadas outras quatros SRs, o que deixou a capital paulista com somente quatro superintendências. As SRs possuem um papel estratégico na venda de produtos e distribuição das metas, sendo parte da presença institucional da Caixa sobre seu território e concorrência. A partir do momento em que se fragiliza essa estrutura, os reflexos do desmonte aparecem nos falhos demonstrativos de resultados das SRs que restaram, assim como de suas SEVs.

O Sindicato cobra da direção do banco, além da suspensão das metas durante a pandemia, ajuste da mensuração metas, vacinação de todos já e a contratação de mais empregados.

“O Sindicato tem colocado nas reuniões com as  SRs e SEVs que não utilizem esses parâmetros errados de acompanhamento de metas para abusar ainda mais dos empregados nas cobranças”, diz Dionísio.