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Chapéu
Banco Central

Santander, Caixa e BB lideram ranking de reclamações de clientes

Linha fina
Campanha Nacional Unificada 2018 reivindica o fim das demissões, da sobrecarga de trabalho e das metas abusivas, que ocasionam irregularidades nas vendas de produtos e o elevado número de reclamações de clientes no Banco Central
Imagem Destaque
Arte: Marcio Baraldi

Santander, Caixa e Banco do Brasil ocupam as primeiras posições no ranking de reclamações de clientes elaborado pelo Banco Central. Os dados dizem respeito a instituições com mais de 4 milhões de clientes e foram divulgados na segunda-feira 16.

No 2º trimestre deste ano, foram 1.576 reclamações consideradas procedentes contra o Santander. O banco tem 41,3 milhões de clientes e seu índice de reclamações alcançou 38,14 no período. No 1º trimestre, a instituição ocupava a 2ª posição, com índice de 25,66.

O índice da Caixa – que no 1º trimestre liderava a classificação, com 27,62– está em 27,68. Foram 2.475 reclamações contra o banco, que tem 89,4 milhões de clientes.

Já o Banco do Brasil, que tem 62,3 milhões de clientes, se manteve na 3ª posição, com 1.301 reclamações. O índice do banco caiu de 24,20 no 1º trimestre para 20,86 no 2º.

Na sequência figuram Bradesco, com índice de 19,61, e Itaú, com 18,61.

O índice é calculado da seguinte forma: reclamações consideradas procedentes pelo Banco Central, multiplicado por um milhão (1.000.000), e dividido pelo número de clientes do banco em questão. 

Especialistas escancaram a nocividade do sistema financeiro 

Metas abusivas geram irregularidades nas vendas e reclamações de clientes

As principais reclamações dos clientes do Santander e da Caixa foram irregularidades relativas a integridade, confiabilidade, segurança, sigilo ou legitimidade das operações e serviços; e oferta ou prestação de informação a respeito de produtos e serviços de forma inadequada.

“O número insuficiente de empregados e as metas impraticáveis geram a sobrecarga de trabalho e a pressão para a venda de produtos, o que explicam o número elevado de reclamações de clientes relacionadas a esses itens”, avalia Marcelo Gonçalves, diretor executivo do Sindicato e bancário do Santander.

“Esse resultado negativo é de inteira e completa responsabilidade da direção executiva do Santander, que em nome do lucro a qualquer custo para aumentar seus bônus e dividendos para os rentistas sacrifica trabalhadores e clientes”, acrescenta o dirigente.  

De acordo com o próprio balanço do banco espanhol, em março de 2014 a instituição tinha 618 clientes para cada funcionário. Em março de 2018, a relação aumentou ainda mais, resultando em 828 clientes para cada bancário, crescimento de 34%.

“É urgente que o Santander tenha compromisso com o país que gera o maior resultado para o banco no mundo, acabando com as metas inatingíveis e contratando mais funcionários para diminuir a sobrecarga de trabalho e atender melhor seus clientes”, cobra Marcelo.

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Caixa Econômica Federal

A Caixa reduziu o número de empregados de 99 mil, em março 2014 para 86 mil atualmente, segundo o balanço do banco. Com essa redução, o banco que tinha 743 clientes para cada empregado em março de 2014, passou a ter 1025 clientes para cada bancário, crescimento de 38%.

“A Caixa esta inviabilizando o atendimento nos ATM e sobrecarregando os tesoureiros, além de ter terceirizado o atendimento dos cartões e reduzido o número de empregados de forma espantosa. O resultado desse sucateamento é o aumento das reclamações dos clientes”, denuncia Dionísio Reis, diretor executivo do Sindicato e empregado da Caixa.

Banco do Brasil

Já no Banco do Brasil, as principais queixas foram oferta ou prestação de informação a respeito de produtos e serviços de forma inadequada; débito em conta de depósito não autorizado pelo cliente; e irregularidades relativas a integridade, confiabilidade, segurança, sigilo ou legitimidade das operações e serviços relacionados a cartões de crédito.

O BB tinha 112 mil funcionários e 537 clientes para cada empregado em março de 2014. Passou a ter 634 clientes por funcionário em março de 2018, crescimento de 18%. Atualmente  97 mil bancários trabalham no banco público.

“A direção do Banco do Brasil exige metas cada vez mais abusivas, o que muitas vezes força os bancários, sob pena de perderem a função caso não atinjam o resultado exigido, a cometerem irregularidades ou a venderem produtos desnecessários para determinado perfil de cliente, que obviamente irá reclamar no Banco Central, e a culpa cairá sempre nas costas do funcionário que fez a venda irregular”, critica João Fukunaga, secretário de Assuntos Jurídicos do Sindicato e bancário do Banco do Brasil.

Campanha Nacional 2018

Dentre as principais reivindicações dos bancários na Campanha Nacional 2018 estão o aumento das contratações; e o fim das metas abusivas e da sobrecarga de trabalho, que geram um elevado número de adoecimentos e causam as reclamações de clientes no Banco Central.

Tire suas dúvidas relacionadas a doenças de trabalho

Nesta quinta-feira 19, o Comando Nacional dos Bancários, que representa a categoria na mesa de negociações frente a Fenaban (federação dos bancos) discute reivindicações relacionadas à saúde e condições de trabalho.

Faça a sua sindicalização e fortaleça a luta em defesa dos direitos dos bancários

Denuncie cobrança abusiva de metas e assédio moal ao Sindicato, acessando o canal de denúncias, pelo 11-3188-5200 ou enviando Whatsapp pelo 11-97593-7749. O sigilo do denunciante é absoluto.