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Chapéu
Ameaça à soberania nacional

Autor de “Como as democracias morrem”, Levistsky elogia atuação do STF e diz que Brasil lidou melhor com ameaça de golpe do que EUA

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Foto mostra deputados federais levantando bandeira de Trump

Deputados bolsonaristas levantam bandeira de Trump no Congresso (print de vídeo da Câmara dos Deputados)

Em entrevista à BBC News Brasil, na segunda-feira 21, o cientista político Steven Levitsky, autor do best-seller “Como as democracias morrem” e professor da Universidade de Harvard, elogiou a atuação do Brasil em relação à ameaça de golpe orquestrada pela família Bolsonaro e apoiadores, e afirmou que o país lidou melhor com a situação do que o fez os Estados Unidos em cenário similar (a invasão do Capitólio incentivada por Donald Trump, após perder a eleição, em 2021).

"Acho que hoje o Brasil é um sistema mais democrático do que os Estados Unidos. Esse pode não ser o caso daqui a um ano, mas hoje as instituições brasileiras estão funcionando melhor", disse Levitsky.

O cientista político elogiou ainda o papel do Supremo Tribunal Federal (STF) como defensor da democracia brasileira durante o governo Jair Bolsonaro (PL), nas eleições de 2022 e após sua derrota para Lula, que resultou em uma tentativa de golpe em 8 de janeiro de 2023.

Apesar disso, Levitsky destaca que, assim que a crise for superada, a Corte deve voltar "para o seu devido lugar", pois segundo ele “sempre que há um órgão não eleito formulando políticas, se está em um território perigoso em uma democracia".

Sobre o julgamento de Bolsonaro, ele afirma que o STF está agindo como deveria. "Com relação ao processo contra Bolsonaro, pelo que posso perceber, o tribunal parece estar no seu devido lugar. Este é o trabalho do tribunal: julgar Bolsonaro e puni-lo, se ele for de fato considerado culpado."

Trump contra a soberania brasileira

Sobre a ameaça de Trump de taxar em 50% os produtos brasileiros e a suspenção do visto do ministro Alexandre de Moraes em retaliação ao julgamento de Bolsonaro, Levitsky diz se tratar de ações de intimidação e bullying, que estão “minando” o processo democrático no país e afirma que nem mesmo Eduardo Bolsonaro, o articulador das medidas contra o Brasil junto ao governo estadunidense, sabe o que o presidente dos EUA vai fazer.

“Eduardo Bolsonaro não sabe o que Trump vai fazer. Eu não acho que Trump saiba o que Trump vai fazer em 1º de agosto. Bolsonaro pode dizer o que quiser, mas ele não tem ideia do que está por vir na política externa dos EUA”, afirmou na entrevista.

Para a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Neiva Ribeiro, a entrevista é mais um exemplo de que intelectuais renomados estão atentos para essa tentativa de intimidação do governo Trump contra a soberania do Brasil.

“No Congresso Nacional, deputados do PL, o partido de Bolsonaro, chegam ao cúmulo de levantar a bandeira dos Estados Unidos no plenário da Casa. Eles mostram que são capazes de atacar até mesmo o futuro do país para defender seus próprios interesses. Diante disso, devemos permanecer vigilantes. Cabe a nós, brasileiros, observar muito bem o comportamento de cada político em relação às ameaças dos EUA, e saber usar essa informação nas próximas eleições para deputados e senadores. Não podemos eleger candidatos que agem contra o país, contra a população brasileira e contra os trabalhadores”, ressalta Neiva.

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