Neiva Ribeiro, coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, durante mesa negocial com a Fenaban (foto: Seeb-SP)
A terceira rodada de negociações da Campanha Nacional dos Bancários resultou em avanços importantes na mesa de Igualdade de Oportunidades. Embora temas estruturais, como a redução das desigualdades salariais entre homens e mulheres e entre trabalhadores negros e brancos, permaneçam como desafios, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) apresentou encaminhamentos e assumiu compromissos que darão continuidade às negociações.
Durante a reunião, o movimento sindical apresentou levantamento organizado pelo Dieese que evidencia a desigualdade salarial no setor. As mulheres bancárias recebem, em média, remuneração 18,4% inferior à dos homens. Entre as mulheres negras, a diferença chega a 34,2% em relação aos bancários do sexo masculino. Considerando o recorte racial, trabalhadores negros recebem, em média, 18,2% menos que a média da categoria.
Os dados também mostram que as desigualdades permanecem nos cargos de liderança. Embora as mulheres ocupem 47,7% dessas funções, recebem remuneração média 26% inferior à dos homens nas mesmas posições. Já trabalhadores negros representam apenas 25,2% dos cargos de comando, sendo que as mulheres negras ocupam somente 11,5% dessas vagas.
Ao apresentar o diagnóstico, o Comando Nacional reforçou a necessidade de fortalecer as políticas de ações afirmativas para acelerar a promoção da igualdade de oportunidades, ampliar a presença de pessoas negras em cargos de liderança e reduzir as diferenças salariais existentes no setor.
Entre os principais avanços da negociação, a Fenaban sinalizou incluir na Convenção Coletiva de Trabalho uma definição dos comportamentos que caracterizam assédio sexual e outras condutas inadequadas, como casos de importunação. O objetivo é oferecer mais segurança aos trabalhadores e fortalecer as ações de prevenção e formação dentro das instituições financeiras.
Também houve avanço nas discussões sobre o enfrentamento ao racismo e à violência praticada por clientes. Após reivindicação do Comando, a Fenaban propôs ampliar os canais de combate ao assédio para receber também denúncias de racismo e LGBTfobia cometidos por clientes, criando um fluxo específico de acolhimento e tratamento dessas ocorrências. A entidade reafirmou ainda o compromisso de continuar debatendo e avançando nas pautas relacionadas à igualdade de oportunidades na mesa de negociação.
Em relação à jornada de trabalho, embora tenha informado que não há espaço para implantação da semana de quatro dias neste momento, a Fenaban propôs promover um diálogo com especialistas que acompanham experiências de implementação da jornada 4x3 em empresas brasileiras, permitindo aprofundar o debate nas próximas negociações.
Outro encaminhamento positivo foi a proposta de contratação de cursos voltados à educação financeira e ao desenvolvimento profissional das mulheres bancárias, iniciativa que busca ampliar oportunidades de qualificação e fortalecimento da participação feminina no setor.
O Comando Nacional apresentou também uma proposta de estabilidade no emprego para mulheres vítimas de violência doméstica, que prevê a manutenção do vínculo trabalhista por até seis meses de afastamento necessário e estabilidade de um ano após o retorno ao trabalho, nos moldes de instrumentos coletivos já existentes em outras categorias.
Durante a mesa, outro tema foi abordado: o endividamento da categoria. Segundo a Consulta Nacional dos Bancários de 2026, da qual participaram quase 55 mil trabalhadores, 71% possuem algum tipo de dívida, sendo o cartão de crédito, o crédito pessoal e o cheque especial as modalidades mais frequentes. Quase 30% afirmam ter dívidas em atraso.
Diante desse cenário, os representantes dos trabalhadores defenderam a criação de um programa de renegociação de dívidas para bancários, com redução das taxas de juros e isenção de tarifas bancárias. A Fenaban informou que irá analisar a proposta e apresentar uma resposta nas próximas reuniões da Campanha Nacional.
Para o Comando Nacional, os encaminhamentos obtidos nesta rodada demonstram a importância da negociação permanente para ampliar direitos e construir soluções capazes de enfrentar as desigualdades históricas no setor bancário.
A próxima rodada de negociação entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban vai abordar temas relacionados à saúde da categoria e voltaremos ao assunto do endividamento, dando continuidade às discussões da Campanha Nacional 2026.