Banco do Brasil

30º CNFBB reflete sobre o “mundo digital bancário”

Tecnologia que beneficia os bancos nem sempre traz benesses aos trabalhadores e clientes

  • Contraf-CUT
  • Publicado em 01/08/2019 18:20 / Atualizado em 02/08/2019 16:37

Pesquisadora Ana Tércia Sanches trouxe reflexões sobre o "mundo digital bancário" para o 30º CNFBB

Foto: Jailton Garcia/Contraf-CUT

A primeira mesa de debates do 30º Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (CNFBB), com a temática Em defesa do Banco do Brasil e dos seus funcionários na era digital e do desmonte, ocorreu logo após a aprovação do Regimento Interno. A pesquisadora do Faculdade 28 de Agosto, Ana Tércia Sanches, trouxe reflexões sobre o Mundo Digital Bancário no primeiro painel de debates do congresso, com questões que sobre a tecnologia que dialogam com o movimento sindical e o mundo do trabalho bancário.

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“A tecnologia nos permite um futuro muito promissor. Uma impressora 3D consegue produzir um coração, carros autônomos conseguem amenizar consequências de acidente fatais. Mas a tecnologia está a serviço de todos? É boa para todos?”, questionou a pesquisadora, ao lembrar que a tecnologia é boa para os bancos, mas nem sempre para os clientes e funcionários.

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Lado ruim da tecnologia

Lembrando do vazamento e utilização de dados de redes sociais, Ana Tércia disse que os algoritmos utilizados nas redes podem sofrer recortes que levam à discriminação e manipulação de dados e pessoas.

Ela observou ainda que a digitalização não está apenas nas áreas que tem relação direta com os clientes, mas também no backoffice. “A parte que atinge os clientes já está totalmente automatizada, mas aquelas realizadas no backoffice ainda podem levar à redução de cerca de 40% do trabalho humano”, disse a pesquisadora.

Ana Tércia lembrou que atividades, como o rastreamento de devedores, antigamente era feita por grupos de trabalhadores, num trabalho que levava semanas, “Agora é feito em alguns minutos por um sistema informatizado”, disse.

Ela observou ainda que, quando os bancos conseguem automatizar processos, os poucos procedimentos que ainda precisam ser realizados por um humano são terceirizados, realizados à distância. “O atendimento humano tende a cair, ou ser eliminado”, afirmou a pesquisadora.

Agências digitais

A reestruturação do Banco do Brasil, colocada em prática desde a gestão Temer e continuada na atual gestão, traz uma série de preocupações para os funcionários do banco. Uma delas é a substituição de unidades físicas por agências digitais.

Para Ana Tércia, os principais pontos críticos da implantação de agências digitais são o aumento da carteira de clientes de cada gerente; a aproximação da atividade bancária com a de teleatendimento, sem as garantias para os trabalhadores previstas na NR17; o aumento de ruído, da digitalização e do uso da voz; o aumento do controle e pressão pelo cumprimento de metas; e a dificuldade de fiscalização e de acesso dos dirigentes sindicais.

Sobre a dificuldade de acesso aos trabalhadores pelos sindicatos, Ana Tércia disse que existem 529 fintechs que atuam no segmento financeiro. “Precisamos pensar como organizar a atuação sindical para representar os trabalhadores desses segmentos”.

Inteligência artificial

Outro ponto levantado pela pesquisadora foi a utilização da “inteligência artificial” pelos bancos. “Os bancários ‘treinam’ a inteligência artificial para o banco colocar em prática nas operações internas e depois utilizá-las no atendimento aos clientes, com uma gama enorme de informações e em linguagem coloquial, como se fosse um ser humano.”

Segundo Ana Tércia, os chatbots atendem cerca de 80% das dúvidas de funcionários e clientes.

A próxima mesa de debates vai refletir sobre a conjuntura. As atividades prosseguem até a tarde desta sexta-feira 2, quando os delegados e delegadas aprovarão as estratégias e plano de atividades de defesa dos direitos e conquistas dos funcionários.



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