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Chapéu
Campanha 2020

Acordo assinado: CCT renovada por dois anos, com reajustes e abono

Linha fina
Bancários saem de uma campanha salarial atípica, realizada em meio a uma pandemia, sem perda de nenhum direito previsto em sua convenção, com reajustes e abono este ano, e aumento real em 2021. Campanha dos bancários injetará cerca de R$ 8 bi na economia em 12 meses
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Foto: Dino Santos

O Sindicato dos Bancários de São Paulo e a Fenaban (federação dos bancos) assinaram nesta sexta-feira 4 o acordo aprovado por ampla maioria dos bancários (93,38%) da base da entidade, em assembleia virtual ocorrida entre as 20h de domingo 30 e 23h59 de segunda-feira 31.

O acordo tem validade de dois anos e prevê a manutenção de todos os direitos clausulados na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria. Prevê também, para este ano, reajuste de 1,5% sobre salários + abono de R$ 2 mil para todos os bancários – o que garante, em 12 meses, valores acima do que o obtido apenas com a aplicação do INPC para salários até R$ 11.202,80, o que representa 79,1% do total de bancários; e ainda reposição da inflação (INPC estimado em 2,74%) para demais verbas como VA e VR, e valores fixos e tetos da PLR. E para 2021: aumento real de 0,5% sobre salários e demais verbas.

Os reajustes dos bancários este ano nos salários, nos tíquetes refeição e alimentação, com a PLR e o abono representarão R$ 8,1 bilhões injetados na economia em 12 meses, segundo cálculo do Dieese. “Reajustes salariais, ao contrário do que defende o ministro da economia Paulo Guedes, não levam ao desemprego. Pelo contrário, aquecem a economia”, defende a presidenta do Sindicato, Ivone Silva, uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários, que representa a categoria na mesa com a Fenaban.

Com o acordo assinado, em breve o Sindicato irá divulgar quando será pago o abono de R$ 2 mil. A antecipação da PLR será creditada aos bancários ainda neste mês de setembro.

Criatividade e unidade

“Os bancários mais uma vez demonstraram sua unidade e força, ao sair de uma campanha atípica, realizada em meio a uma pandemia, com o país em recessão e os bancos públicos ameaçados por um governo privatista, com todos os direitos previstos em sua CCT mantidos por dois anos. Assim como foram preservados os direitos dos bancários do BB e da Caixa nos seus acordos específicos”, destaca a presidenta do Sindicato.

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“Foram 15 rodadas de negociação, as últimas exaustivas, com impasses que estenderam a mesa até a madrugada ou mesmo até a manhã do dia seguinte. No início os bancos queriam cortar direitos: apresentaram três propostas de PLR que reduziam os valores distribuídos aos bancários em até 48%; queriam cortar a 13ª cesta alimentação e diminuir a gratificação de função de 55% para 50%. Nós conseguimos reverter essas propostas rebaixadas com muita criatividade: com tuitaços e manifestações nas demais redes sociais, e com carreatas. Formas encontradas de mobilização que mantinham a necessidade de isolamento social, ao mesmo tempo em que davam um claro recado aos banqueiros: que não aceitaríamos retirada de direitos. A Campanha Nacional Unificada de 2020 entra para a história como uma das mais difíceis em função da conjuntura política e econômica totalmente desfavorável. Bancários e bancárias estão mais uma vez de parabéns!”, conclui a dirigente.

Presidente da CUT esteve presente na assinatura do acordo