Bancários da Caixa protestam na avenida Paulista no quinto dia de greve
A greve dos empregados da Caixa Econômica Federal entrou no quinto dia nesta segunda-feira (14) com a mobilização crescendo em força e tamanho. Ao todo, 268 de um total de 283 locais de trabalho foram fechados na base de atuação do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.
Também em São Paulo, mais de 700 empregados participaram de um grande ato em frente à unidade da Caixa no número 750 da Avenida Paulista, para pressionar a direção do banco a apresentar uma proposta que efetivamente contemple as reivindicações dos trabalhadores para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).
O ato reuniu empregados de diferentes áreas do banco, incluindo setores de gestão e tecnologia, além de trabalhadores aposentados. A manifestação ocupou uma faixa da Avenida Paulista e foi marcada pela indignação dos empregados com a condução das negociações pela direção da Caixa. Nesta terça-feira 15 novo ato será realizado em frente a Gipes (leia mais abaixo).
Super Caixa e Saúde Caixa concentram insatisfação
Cerca de 30 bancários fizeram questão de se inscrever para falar durante a atividade. As manifestações evidenciaram a insatisfação com pontos que, na avaliação dos trabalhadores, poderiam ter sido solucionados na mesa de negociação, especialmente as regras do Super Caixa, apelidado pelos empregados de “Super Calote”.
Outro tema central foi o Saúde Caixa. Os trabalhadores reforçaram que o plano de saúde não pode ser tratado de forma isolada do ACT e criticaram a proposta apresentada pela Caixa.
“A mobilização está fazendo a Caixa voltar para a mesa. É a força dos trabalhadores que está abrindo caminho para a negociação”, destaca Chico Pugliesi, diretor executivo do Sindicato e empregado da Caixa.
Reabertura da mesa é resultado da mobilização
A forte participação ocorre após a rejeição da última proposta da Caixa em assembleia e em meio à tensão provocada pela postura da direção do banco. Na sexta (11), a Caixa ameaçou retirar direitos históricos assegurados pelo acordo coletivo, provocando indignação entre os empregados.
A Caixa Econômica Federal respondeu, neste domingo (13), ao ofício encaminhado pela Contraf-CUT, no sábado (12), e informou a reabertura da mesa de Negociação Coletiva com as entidades representativas dos empregados.
O pedido da Confederação era para que o banco retomasse as negociações, mantivesse a ultratividade dos instrumentos coletivos e garantisse a continuidade dos direitos enquanto as tratativas estivessem em andamento.
Na resposta, a Caixa atendeu ao pedido da Contraf, cancelou o comunicado e reabriu o processo negocial.
Com a reabertura das negociações, a Caixa também comunicou a suspensão das medidas administrativas que haviam sido anunciadas anteriormente. Segundo o banco, a suspensão vale enquanto permanecerem em curso as tratativas com as entidades representativas.
“O Sindicato continua ao lado dos empregados, fortalecendo a mobilização, pressionando a direção da Caixa para que apresente proposta que resolva o conflito. A greve entrou em seu quinto dia e segue demonstrando que permanece forte”, afirma Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários.
Greve continua; ato na Gipes nesta terça 15
Na tarde desta segunda-feira, o Comando de Greve realizou reunião on-line com representantes das diferentes regionais para avaliar a mobilização e definir os próximos passos. O Sindicato reforça que a greve continua e convoca os empregados a participarem das atividades organizadas nas regiões.
Nesta terça-feira (15), haverá novo ato, às 14h, na Gipes, na rua Gentil de Moura, 90, Alto do Ipiranga (próximo à estação Alto do Ipiranga do Metrô).
A orientação é para que os empregados também participem das comissões de esclarecimento organizados pelo Sindicato nos prédios e locais de trabalho de cada regional.
A mobilização começa cedo. A partir das 7h, o Sindicato estará nas regionais organizando as comissões de esclarecimento e orienta os empregados a se juntarem às atividades mais próximas de suas casas.
“A greve segue forte. A pressão continua. E a unidade dos empregados é fundamental para arrancar da Caixa uma proposta que respeite quem constrói diariamente o banco”, afirma Chico Pugliesi.