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Chapéu
Repressão

Sindicato repudia violência da gestão Covas a trabalhadores ambulantes

Linha fina
Vendedores têm sofrido agressões da PM, por meio de ação da prefeitura em parceria com o governo estadual. Sindicato se solidariza com os trabalhadores informais e critica postura autoritária e higienista das gestões tucanas, que apostam na exclusão ao invés de investirem em projetos sociais
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Foto: Contracs

Vendedores ambulantes da cidade de São Paulo têm sido vítimas da política excludente da gestão Bruno Covas na Prefeitura de São Paulo. Por meio da Operação Delegada - uma ação realizada em parceria com o governo de João Doria -, a Prefeitura tem coordenado ações violentas contra os trabalhadores informais, realizadas pela Polícia Militar.

O Sindicato de São Paulo, Osasco e Região se soma à Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio e Serviço (Contracs) e repudia as operações truculentas das gestões tucanas de Covas e Doria.

“Estamos no meio de uma crise econômica e sanitária sem precedentes. Numa pandemia que já deixou 14 milhões de desempregados no Brasil. E a resposta que a gestão Covas e Doria dão para isso é de repressão sobre pais e mães da família que estão nas ruas para garantir seu sustento?”, questiona a secretária-geral do Sindicato, Neiva Ribeiro.

“Não tem emprego, não tem auxílio-emergencial, mas não pode fazer bico. Não tem habitação popular, mas não pode dormir embaixo do viaduto porque a Prefeitura coloca pedras na calçada. As pessoas não têm o que comer e a Prefeitura corta parcerias com entidades que garantiam distribuição de marmitas. Os governos da cidade de São Paulo e do estado não deixam nenhuma saída para os pobres. O que eles deveriam estar fazendo, ao invés de colocar a polícia para bater nos trabalhadores informais, eram iniciativas de distribuição de renda e projetos sociais”, acrescenta a dirigente.

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Truculência

Em nota, a Contracs destacou que são inúmeras as denúncias e vídeos que circulam na internet mostrando a truculência com que prefeitura trata os vendedores ambulantes. “Policiais militares, contratados através da Operação Delegada, tratando trabalhadores e trabalhadoras como criminosos, e servindo de respaldo para que fiscais da prefeitura também ajam com brutalidade e completo desrespeito”, diz o texto.

A Contracs cita pelo menos três casos brutais: PMs agredindo com chutes uma mulher, no Vale do Anhangabaú, que cai no chão e leva mais um pontapé nas costas, em outubro de 2020 (um vídeo circulou pela internet); o espancamento de outro vendedor ambulante por PMs e fiscais em frente ao Hospital das Clínicas, na última quinta-feira 4 (a cena foi filmada por um paciente do hospital); e a violência contra Geová de Oliveira Lima, de 48 anos, também vendedor ambulante, no dia 15 de janeiro. "Os PMs puseram joelho e cassetete no meu pescoço, não consegui respirar, sangrei pela boca e desmaiei", relatou Geová.

O ataque a Geová foi o estopim de um protesto na quarta-feira 3, promovido pela Contracs e pelo Sindicato dos Trabalhadores Autônomos no Comércio de São Paulo, que começou na Praça da Sé e seguiu até a Rua Direita.

Segundo o presidente da Contracs, Julimar Roberto, novas ações estão sendo organizadas com a adesão de toda a categoria. “Esse é o momento de unirmos forças, precisamos da integração de todos e todas para conter essa onda de violência e perseguição contra os vendedores nas ruas de São Paulo. Chega de vivermos com medo!”, disse.