Pular para o conteúdo principal
Chapéu
Março das Mulheres

Com pandemia, trabalho decente fica ainda mais distante das mulheres

Linha fina
Elas são as primeiras a serem dispensadas em um momento de crise, como a que ocorre atualmente no Brasil com a pandemia de coronavírus
Imagem Destaque
Freepik

A crise sanitária e econômica causada pelo novo coronavírus em um ano gerou um retrocesso de mais de uma década em avanços na participação das mulheres no mundo do trabalho, o que fez aumentar o número de mulheres em trabalhos informais, precarizados e mal remunerados.

Segundo a Pnad Contínua, do IBGE, 8,5 milhões de mulheres tinham deixado a força o trabalho no segundo semestre de 2020. A taxa de participação na força de trabalho formal ficou em 45,8%, uma queda de 14% em relação a 2019.

Apesar do mercado de trabalho formal ter apresentado uma retomada no segundo semestre de 2020, o que cresceu mesmo foi a inserção das mulheres no trabalho informal, principalmente pela mulher pobre, negra e chefe de família, que teve que se submeter a esse tipo de trabalho para conseguir manter a casa durante a pandemia.

"Sem uma política de proteção ao emprego e às mulheres por parte do governo federal, vimos avanços conquistados ao longo de anos de luta serem ceifados em questão de meses, tragados pela crise do coronavírus. Muitas mulheres foram dispensadas do trabalho, e, sem como manter o sustento da família, passaram a se virar na informalidade", destaca Anatiana Alves, dirigente sindical e participante do Coletivo de Mulheres do Sindicato.

Ela ainda comenta que a exclusão dos postos de trabalho, além de comprometer a renda familiar, também significou uma sobrecarga de trabalho para as mulheres.

"As mulheres mães passaram a ter de que cuidar dos filhos em tempo integral, que neste momento da pandemia estão sem frequentar a escola, além de outros membros da família como os idosos, pessoas com deficiência e doentes. E ainda realizar as tarefas domésticas, na maioria das vezes sozinha . Por conta de muito tempo fora do mercado de trabalho, devido à crise, elas encontram dificuldades de recolocação pela falta de vagas", critica a dirigente.

Embora mais preparadas, mulheres são as mais prejudicadas

Mesmo pesquisas mostrando que estudam mais que os homens e que estão bem mais preparadas para ocupar cargos de alta chefia, as mulheres são as primeiras dispensadas em um momento de crise, como a que ocorre atualmente no Brasil com a pandemia de coronavírus.

Sem auxílio emergencial, e muitas vezes as únicas provedoras do lar, as mulheres têm buscado na informalidade o seu sustento. A situação se torna ainda mais grave para as negras, que somam 58% das mulheres desempregadas, sendo que 43% delas arcam com as despesas dos filhos sozinhas.

"Como saída para enfrentar essa situação, elas saem para vender doces, salgados, artesanato e se sujeitam a trabalhos precarizados, informais e sem nenhum direito para garantir o sustento da família. Situações como estas deixam claro que a luta das mulheres por igualdade na vida e no trabalho e por relações compartilhadas deve ser de toda a sociedade, e não só das mulheres. Essa luta precisa fazer parte do nosso dia a dia e ser intensificada sempre!", finaliza Anatiana Alves.