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Coronavírus

Mesmo com situação alarmante, Fenaban não avança na proteção dos bancários

Linha fina
Federação dos bancos frustrou bancários na mesa desta quinta-feira 11 e não apresentou respostas positivas para as principais reivindicações da categoria, como horário de atendimento ao público reduzido, suspensão das demissões e diminuição das metas
Imagem Destaque
Montagem: Fabiana Tamashiro/Seeb-SP

A pandemia no Brasil está em uma fase alarmante, com recordes de mortes e falta de leitos nas redes de saúde pública e privada de muitas cidades, inclusive São Paulo. Mesmo assim, a Fenaban (federação dos bancos) frustrou os bancários na mesa de negociação desta quinta-feira 11, ao não apresentar respostas satisfatórias para as reivindicações da categoria, que visam a adoção de medidas mais rigorosas de proteção aos trabalhadores.

As reivindicações foram apresentadas na mesa anterior, ocorrida no dia 5 de março. Na ocasião, a Fenaban ficou de discuti-las com os bancos antes da mesa desta quinta. Confira as respostas:

  • Horário de atendimento ao público nas agências: o Sindicato reivindicou que o horário de atendimento nas agências ficasse ainda mais reduzido. Mas a Fenaban manteve o que já havia informado: das 9h às 10h, atendimento exclusivo aos clientes do grupo de riscos, idosos e gestantes; e entre 10h e 15h, atendimento aos demais clientes. Essas limitações de horário não valem para a Caixa, que irá iniciar o pagamento da nova fase do auxílio emergencial.

  • Visitas externas: o Sindicato havia destacado a importância de suspender totalmente as visitas a clientes feitas por bancários, mas a Fenaban informou que elas serão mantidas “em casos emergenciais”, apenas se comprometeu em orientar os bancos para que não haja pressão para a realização de visitas que não sejam emergenciais. Esse ponto preocupa o Sindicato porque, segundo relatos de bancários, há casos em que as pessoas não estão usando máscaras nos locais visitados, ou mesmo pedem para que o bancário tire a máscara.

  • Demissões: o Sindicato havia reivindicado a suspensão das demissões durante a pandemia, mas a Fenaban não trouxe resposta. Sobre essa questão, ficou acertada uma nova reunião para a tarde da próxima terça-feira (16), às 13h.

  • Diminuição das metas: o Sindicato voltou a reforçar que é fundamental que os bancos reduzam as metas durante este momento de crise sanitária e econômica por que passa o país, mas a Fenaban também não apresentou resposta sobre essa reivindicação.

  • Home offcie: o Sindicato havia reforçado a necessidade de ampliação do home office (teletrabalho). A Fenaban disse que 14 instituições financeiras já efetuaram o retorno dos trabalhadores do sistema presencial para o teletrabalho, e ficou de apurar ainda se outros bancários irão retornar a este regime.

“Infelizmente a Fenaban não trouxe respostas. Ano passado, quando foi decretada a pandemia pela OMS, conseguimos grandes avanços em negociação com os bancos, e com isso conseguimos preservar a vida de muitos bancários. Agora, após completado um ano de pandemia, estamos vivendo uma situação ainda pior. Por isso o governo de São Paulo decretou a fase emergencial nesta quinta-feira, ainda mais restritiva que a fase vermelha. E mesmo assim a Fenaban não está atendendo nossas reivindicações de mais rigor nos protocolos, e nem as reivindicações de diminuição das metas e suspensão das demissões, que também são fundamentais para garantir mais tranquilidade aos trabalhadores bancários neste momento extremamente difícil”, destaca a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Ivone Silva, uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários, que representa a categoria na mesa com a Fenaban.

A dirigente destaca que a situação alarmante pela qual passa o estado. “Segundo informações divulgadas hoje pelo governo, 53 cidades paulistas estão com 100% de ocupação de unidades de terapia intensiva (UTIs), na grande São Paulo é de 86,7% e a média de ocupação de UTIs no estado é de 87,6%. São os índices mais altas já apresentados pelo estado em toda a pandemia. Nosso sistema de saúde está prestes a entrar em colapso, e nas últimas semanas, o número de óbitos pela covid tem aumentando entre 30 e 40 mortes por dia. Diante desse quadro, é fundamental que os bancos adotem medidas mais rigorosas para preservar a vida dos trabalhadores”, reforça Ivone.

Vacinação para bancários

Um ponto positivo na reunião desta quinta-feira foi que a Fenaban concordou com a reivindicação do Sindicato de inclusão da categoria bancária como prioritária no Plano Nacional de Vacinação contra a Covid-19. A Fenaban se comprometeu a reforçar os esforços do movimento sindical junto ao poder público para que isso ocorra. O movimento sindical, por meio da Contraf, enviará carta ao Ministério da Saúde reivindicando a inclusão da categoria entre os setores profissionais prioritários para a vacinação, após os grupos de risco (profissionais da saúde e idosos).