Pular para o conteúdo principal
Chapéu
Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial

Combate ao racismo segue urgente no sistema financeiro

Imagem Destaque
Combate ao racismo segue urgente no sistema financeiro

O Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, celebrado em 21 de março, é um marco global de conscientização e mobilização contra o racismo. Instituída pela Organização das Nações Unidas, a data recorda o Massacre de Sharpeville, episódio que expôs ao mundo a violência do regime segregacionista sul-africano e reforçou a urgência do combate à discriminação racial.

Em 21 de março de 1960, cerca de 20 mil pessoas negras protestavam pacificamente contra leis que restringiam sua circulação na África do Sul. A manifestação foi brutalmente reprimida por forças do exército, que abriram fogo contra a multidão, resultando em 69 mortos e 186 feridos. O massacre tornou-se símbolo da luta antirracista e impulsionou a criação da data internacional.

Mais de seis décadas depois, o enfrentamento ao racismo ainda é uma luta urgente, inclusive no Brasil e no sistema financeiro. O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região atua de forma permanente no combate ao racismo, promovendo debates, campanhas e negociações coletivas voltadas à ampliação da representatividade negra, à igualdade salarial e ao acesso a cargos de liderança.

Dados da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) de 2024, compilados pelo DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), indicam avanços, mas também desigualdades. Pessoas negras representam atualmente 28,15% da categoria bancária, frente a 18,9% em 2012. Apesar do crescimento, a participação ainda está aquém do ideal, uma vez que 55,5% da população brasileira se identifica como negra, conforme o último censo do IBGE.

Em relação a salários e cargos de liderança, as desigualdades seguem expressivas: mulheres pretas recebem, em média, 37,7% menos que homens brancos e apenas 24,2% dos cargos de liderança são ocupados por pessoas negras. Diante desse cenário, o Sindicato tem intensificado sua atuação política e organizativa.

"O racismo segue presente nas relações de trabalho, inclusive no sistema financeiro, e se expressa na desigualdade de oportunidades, de salários e no acesso a cargos de liderança. Por isso, o Sindicato reafirma seu compromisso com a luta antirracista, atuando de forma firme na organização da categoria, na negociação coletiva e na construção de políticas que garantam equidade e justiça", afirma Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato.

Campanha Nacional

Membros do coletivo de combate ao racismo do Sindicato dos Bancários de São Paulo

Em novembro de 2025, dirigentes do Sindicato participaram do VIII Fórum Nacional pela Visibilidade Negra no Sistema Financeiro, realizado em Fortaleza. A atividade definiu uma série de propostas a serem levadas à Campanha Nacional dos Bancários deste ano. Entre os principais encaminhamentos estão:

  • Promoção de formação permanente sobre relações raciais;
  • Criação de protocolos antirracistas e canais de denúncia;
  • Realização de fóruns locais e atividades nas datas históricas da luta negra;
  • Qualificação profissional com foco na juventude negra;
  • Criação de coletivos e fundos de apoio para ampliar a participação de dirigentes negros;
  • Ações de promoção da saúde da população negra;
  • Realização periódica de reuniões de mobilização e organização.

Ana Marta Lima é diretora executiva do Sindicato e integra o Coletivo de Combate ao Racismo da entidade. Ela participou do Fórum em Fortaleza e, juntamente com seus colegas de coletivo, vem debatendo sugestões para a Campanha Nacional. Entre os temas que ela prioriza, está o letramento/formação antirracista nos bancos.

"A proposta de uma comissão permanente e de cursos obrigatórios de letramento durante a integração dos trabalhadores é essencial para mudar a cultura organizacional. Estamos falando de formação contínua, de conscientização real, que ajude a combater práticas discriminatórias no dia a dia", destaca Ana Marta.

Segundo ela, outro ponto central é garantir segurança às vítimas de racismo. "Hoje, muitas pessoas ainda têm medo de denunciar. Por isso, defendemos procedimentos claros, com sigilo, atendimento humanizado e sem revitimização, além de medidas protetivas imediatas. A vítima precisa ser acolhida, não exposta ou penalizada", explica a dirigente.

No dia 15 de abril, terá inicio a Consulta Nacional dos Bancários. A partir dela, a categoria poderá enviar suas sugestões para a Campanha Nacional. O Sindicato convida todos que apoiam a luta antirracista a enviar suas contribuições sobre o tema. Com a participação coletiva, será possível construir uma pauta representativa, capaz de conquistar avanços em prol da inclusão e da igualdade de oportunidades no setor financeiro.

seja socio