Caixa Federal

Caixa: de indutora do desenvolvimento à “puxa fila da privatização”

Gestão atual entrega as operações mais rentáveis e encolhe a função social do banco, pavimentando o caminho para sua venda; empregados e sociedade devem defender função pública e social da instituição

  • Redação Spbancarios, com informações da Fenae e do Estado de S. Paulo
  • Publicado em 17/04/2019 16:39 / Atualizado em 18/06/2019 18:10

Arte: Thiago Akioka

De banco público indutor do desenvolvimento econômico e social, a Caixa Econômica Federal está se transformando no “puxa-fila” das privatizações brasileiras. É dessa forma que a instituição vem sendo apontada na imprensa tradicional, após os anúncios de venda das operações mais rentáveis do banco, feitos pela atual direção da empresa ao mercado financeiro. Um exemplo é a manchete da editoria de Economia do jornal O Estado de São Paulo de terça-feira 16: “Caixa puxa fila da 'redução do Estado' e avança no preparo de venda de ativos”.

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O texto enfatiza as últimas medidas da direção do banco. Além de anunciar a venda de parte das áreas mais rentáveis (loterias, cartões, ativos e seguridade), o banco passou a se desfazer dos ativos de maior liquidez, a participação em outras empresas e fundos. Vendeu sua parte no IRB e agora se prepara para se desfazer de parte da Petrobras.

Privatizando "na surdina" 

Na semana passada, para uma plateia de banqueiros e agentes do sistema financeiro internacional nos Estados Unidos, o ministro da Economia, Paulo Guedes, declarou: “Discretamente, sem fazer barulho, já vendemos US$ 12 bilhões”. A afirmação foi feita durante evento organizado pela XP Investimentos. Ele garantiu que, na surdina, o governo já está implementando a venda dos bens nacionais. “Nossa meta é vender US$ 20 bilhões este ano”, disse ainda.

O ministro também deixou claro que se depender do atual governo, o Brasil em breve não terá mais uma empresa estatal de petróleo.

“O governo atual está entregando o patrimônio nacional a preço de banana e isso inclui as operações mais rentáveis da Caixa, encolhendo sua função social com o objetivo de deixar o banco deficitário e forçar a população a desaprovar a atuação da empresa pública”, afirma Dionísio Reis, diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo e coordenador da Comissão Executiva dos Empregados da Caixa.

Leilão da Lotex 

O leilão da Lotex, que estava marcado para o dia 26 de abril, foi adiado pela quinta vez; a data prevista agora será 9 de maio. A tentativa é de entrega da parte mais lucrativa das loterias da Caixa. Em 2017, as loterias Caixa registraram, de forma global, arrecadação próxima a R$ 14 bilhões. Desse montante, quase metade (48%) foi destinada aos programas sociais. Se a venda for efetivada, o montante deverá ser reduzido drasticamente, já que o leilão prevê repasse social de apenas 16,7%.

“A real intenção dessa política de sucateamento e encolhimento é a descapitalização completa da Caixa, visando sua privatização. Uma medida que não favorece absolutamente ninguém, com exceção dos bancos privados, que terão ainda menos concorrência em um setor já extremamente concentrado, e que com a eventual privatização ou fechamento da Caixa poderão cobrar juros ainda mais elevados”, acrescenta Dionísio.

O movimento sindical tem feito reuniões e mobilizações em todas as agências e concentrações da Caixa, e tem feito ações com a população em defesa do banco e demais empresas públicas.  “Faremos mais um Dia Nacional de Luta em todo o país no próximo dia 26 e é fundamental que os empregados e a população participem, pois os empregos dos trabalhadores estão em risco”, conclama o dirigente.

“Esvaziar os fundos governamentais, um por um”

A reportagem do Estadão informa que a segunda operação de venda, a de ações da Petrobras, poderá render um volume de recursos de R$ 9 bilhões. Para essa operação, foram contratadas quatro instituições privadas: Bank of America, XP Investimentos, Morgan Stanley e UBS. Tudo será feito a partir dos papéis detidos pelo FI-FGTS, de modo a, segundo texto da reportagem, "esvaziar os fundos governamentais, um por um.” A ideia é aproximar a atuação da Caixa à de um banco de investimento.

“Possuir ações da Petrobras, do IRB e de outras participações acionárias está vinculada com a história de atuação da Caixa e de fortalecimento do setor público. Com a venda dessas ações para o setor privado, tanto Petrobras quanto o IRB passarão a ter função menos pública após a venda da participação do banco”, afirma Dionísio.

A reportagem sobre a Caixa informa ainda que a “desova de ativos” por parte do banco público mira também a abertura do capital da Caixa Seguridade, holding que concentra as operações do setor no banco. Concluída a reestruturação da área, o próximo passo será o IPO da rede de loterias, a depender do trâmite regulatório.  O de seguros vem na sequência, seguido pelo de gestão de recursos e pela operação de cartões. Serão vendidos ainda imóveis e agências por todo o país. “O resultado dessa política de redução da Caixa será o fechamento de postos de trabalho e de agências e a diminuição do seu papel social”, segundo o jornal.

O coordenador da CEE/Caixa enfatiza a importância de os empregados e a sociedade defenderem a Caixa e as demais empresas públicas: “Empresas públicas são fundamentais para o desenvolvimento social e a soberania social. Entregá-las ao capital privado é um crime de lesa-pátria que deve ser combatido a todo custo pela sociedade, que será prejudicada com a piora e o encarecimento dos serviços privatizados”, ressalta Dionísio Reis.



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