Os bancos registraram aumento de 168% no número de afastamentos por transtornos mentais em 10 anos, passando de 5.411 em 2014 para 14.565 em 2024 (ano com últimos dados disponíveis), o que representou cerca de 53% de todos os afastamentos de bancários pelo INSS naquele ano (27.531).
Culpa dos banqueiros e assédio moral
“A responsabilidade destes adoecimentos é dos banqueiros, que impõem um ambiente violento de trabalho por meio do assédio moral para o cumprimento de metas inatingíveis, visando lucros bilionários”, denuncia Valeska Pincovai, Sscretária de Saúde do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.
Especialistas alertam que esses distúrbios afetam não só a saúde mental dos trabalhadores e das trabalhadoras, mas também a produtividade e o clima organizacional.
Campanha Abril Verde
Os dados sobre o adoecimento mental dos bancários são do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho (SmartLab) e ganham mais relevância por causa da campanha Abril Verde, que tem o objetivo de aumentar a conscientização sobre a prevenção de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho.
A escolha do mês está ligada ao dia 28 de abril, considerado o Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho. A data foi escolhida em memória de 78 mineiros mortos em uma explosão nos Estados Unidos, em 1969, e é reconhecida pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). Em abril também é celebrado, no dia 7, o Dia Mundial da Saúde.
Sucateamento dos CRSTs em São Paulo
Valeska destaca que a precarização dos serviços de saúde do trabalhador no SUS compromete não apenas o atendimento direto, mas também ações fundamentais como vigilância, prevenção e produção de dados, que são essenciais para a formulação de políticas públicas eficazes.
“Sem estrutura adequada, os CRSTs em São Paulo deixam de cumprir plenamente sua função estratégica na defesa da saúde da classe trabalhadora. O resultado desse descaso é duplo: trabalhadores adoecem sem o devido suporte e a própria rede pública perde capacidade de intervir nas causas estruturais do adoecimento laboral”, afirma.
Filas no INSS
Outro pilar fundamental da seguridade social do Estado na garantia da proteção aos trabalhadores, o INSS não tem dado conta do atendimento nos últimos anos, e as filas e atrasos nas perícias e respostas têm prejudicado os trabalhadores.
O Sindicato sempre lutou para que o INSS reconhecesse as doenças do trabalho como acidente de trabalho, garantindo, desta forma a estabilidade enquanto os trabalhador cuida da saúde sem o risco de ser sumariamente demitido.
Em 2007, ao lado de outras entidades, o Sindicato conseguiu conquistar o direito ao NTEP (Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário), que é a ligação presumida entre a doença e o trabalho, e que leva em conta as doenças recorrentes em cada atividade econômica. No entanto, desde sua criação, os peritos do INSS relutam em cumprir a lei.
No caso dos bancários, dos 14.565 afastamentos por transtornos mentais em 2024, apenas 2.470, ou 16% do total, foram reconhecidas como acidentes de trabalho.
“Essa falta de reconhecimento faz com que as empresas permaneçam gerando adoecimento e não sendo responsabilizadas devidamente. Isso prejudica muito os trabalhadores e mantém a lógica perversa do trabalho adoecedor”, enfatiza Valeska.
Afastamentos totais por transtornos mentais
Nos últimos anos, as doenças psicossociais têm se destacado, com o crescimento de transtornos mentais como ansiedade, depressão e síndrome de burnout (esgotamento relacionado ao trabalho) provocados por ambientes de trabalho prejudiciais.
Em 2024, segundo o Ministério da Previdência Social, o Brasil registrou 472.328 afastamentos por transtornos mentais, como ansiedade e depressão. Esse dado indica um aumento de 68% em comparação ao ano anterior, refletindo a preocupação com a saúde mental no ambiente de trabalho.
“As empresas têm um papel fundamental na proteção da saúde dos seus trabalhadores, não apenas por meio do cumprimento das normas de segurança, mas também na criação de um ambiente onde a prevenção seja uma prioridade diária. A prevenção de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho também passa por mais investimentos em saúde pública. O fortalecimento do SUS, das normas regulamentadoras, do Ministério Público do Trabalho e da legislação trabalhista deve ser priorizado a fim de assegurar a saúde e a segurança dos trabalhadores. Esta é uma luta permanente do Sindicato”, afirma Valeska.