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Chapéu
Dia Mundial de Conscientização do Autismo

Inclusão das pessoas autistas gera ambientes profissionais mais diversos e criativos, defende Sindicato

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Inclusão das pessoas autistas gera ambientes profissionais mais diversos e criativos, defende Sindicato

Celebrado em 2 de abril, o Dia Mundial de Conscientização do Autismo foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 2007, com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). A data representa um chamado global para a construção de uma sociedade mais informada, acolhedora e comprometida com os direitos das pessoas autistas.

No Brasil, o autismo é reconhecido como uma questão de direitos e cidadania. Desde a sanção da Lei nº 12.764/2012, conhecida como Lei Berenice Piana, pessoas com TEA são consideradas pessoas com deficiência para todos os efeitos legais. Isso assegura garantias fundamentais como atendimento prioritário, inclusão escolar, acesso à saúde e políticas públicas específicas.

Para a coordenadora do Coletivo da Pessoa com Deficiência do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Maria Cleide Queiroz, a inclusão de pessoas autistas fomenta ambientes de trabalho mais inovadores. Isso porque espaços com maior diversidade entre as pessoas fortalecem a criatividade, o respeito e o trabalho em equipe.

“A valorização das pessoas autistas no mercado de trabalho fortalece as equipes, estimula a inovação e contribui para ambientes mais inclusivos, respeitosos e justos”, avalia Maria Cleide. Para ela, essa inclusão exige um ecossistema onde a neurodivergência seja vista como uma diversidade funcional, e não como um déficit.

Maria Cleide Queiroz durante o 1º Seminário Nacional da Pessoa com Deficiência do Ramo Financeiro, promovido pela Contraf-CUT, em setembro de 2025

A dirigente destaca que é essencial garantir condições adequadas de acessibilidade nos ambientes de trabalho e que isso é uma pauta permanente do Sindicato no diálogo com os bancos. “As empresas devem oferecer acessibilidade atitudinal, física e comunicacional, com direito a tecnologias assistivas, comunicação clara e ambientes sensorialmente adequados, com controle de iluminação e ruídos, além de recursos como abafadores de som”, explica.

Segundo Maria Cleide, essas adaptações são fundamentais para que trabalhadores autistas possam desempenhar suas funções sem sobrecarga. “O ambiente precisa ser planejado para evitar a exaustão, como o chamado burnout sensorial, garantindo condições dignas de trabalho”, ressalta.

A coordenadora também enfatiza a importância da conscientização entre colegas de trabalho: “É necessário investir em treinamento de equipes, educar sobre o que é o autismo e desmistificar estereótipos, como a ideia equivocada de que pessoas autistas não têm empatia. Precisamos eliminar essas barreiras e preconceitos.”

Saiba mais sobre o autismo

O autismo, ou Transtorno do Espectro Autista, é uma condição do neurodesenvolvimento que influencia a forma como a pessoa percebe, processa e interage com o mundo ao seu redor. Por ser um espectro, manifesta-se de diferentes maneiras, com níveis variados de suporte. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), não se trata de uma doença, mas de uma condição permanente, que acompanha o indivíduo ao longo da vida.

Os sinais geralmente aparecem na primeira infância e incluem diferenças na comunicação e interação social, comportamentos repetitivos, interesses restritos e particularidades no processamento sensorial. O diagnóstico deve ser feito por profissionais especializados, e a identificação precoce é fundamental para garantir intervenções adequadas e melhores oportunidades de desenvolvimento.

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