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Chapéu
Greve geral

“Saída é despertar e criar consciência. Senão povo vai sempre se lascar”

Linha fina
Bancários fazem sua parte e paralisam atividades, na sexta-feira 30, em centenas de locais de trabalho contra reformas trabalhista e da Previdência que aniquilam garantias e direitos sociais
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Foto: Seeb-SP

São Paulo – “A nossa parte a gente fez. Agora tem de juntar todo mundo, o povo, a massa, fechar a Paulista, senão essas reformas vão passar.” A opinião de um bancário do Bradesco lotado no prédio Paulista resume a disposição da categoria para enfrentar os retrocessos impostos pelo governo Temer e Congresso Nacional.

O trabalhador era um dos cerca de 30 mil bancários de braços cruzados na manhã desta sexta-feira 30, dia de greve geral contra as reformas trabalhista e da Previdência. Em São Paulo, Osasco e região, 212 unidades de bancos permaneceram fechadas. A greve foi definida pelos trabalhadores em assembleias.

“Se não tiver protesto, daqui uns 50 anos, quando a galera não tiver mais emprego decente, aposentadoria, continuar pagando imposto e não tiver saúde, quando já tiver perdido tudo, a pessoa vai sair na rua. A saída é despertar e criar consciência. Senão o povo vai sempre se lascar”, completou um colega.

A greve geral fechou agências em corredores financeiros no centro velho e centro novo de São Paulo, na região da Paulista, no corredor da Faria Lima (zona oeste), corredor de São Miguel Paulista (zona leste), avenidas Maracatins e Ibirapuera (zona sul) e em Osasco.   

Vai ter ato – A partir das 16h, em São Paulo, tem concentração para um grande ato, em frente ao vão livre do Masp, na Avenida Paulista. A pressão também pode ser feita pela internet. A CUT criou o napressao.org.br para facilitar o envio de mensagens aos parlamentares contra a retirada de direitos. 

"É revoltante pensar que essas mudanças todas foram propostas por um governo corrupto e ilegítimo”, cravou um bancário do Banco do Brasil. “Estão querendo tirar direitos da gente alegando uma crise econômica, dizendo que vai gerar emprego e melhorar a economia, mas a verdade é que essas reformas vão beneficiar só o andar de cima. Isso em um dos países mais desiguais do mundo”,  completou. 

Estão fechados pela greve geral centros administrativos como Casas 1 e 3 e o Vila, do Santander; CA Brigadeiro, Rua Jundiaí, ITM, do Itaú; o Telebanco, a Nova Central, do Bradesco; além do prédio da Superintendência, CSI da Rua 15 de Novembro, Verbo Divino e SAC do Banco do Brasil  e unidades da Caixa.

A quem interessa – “Essas reformas estão na contramão do que está sendo feito nos países desenvolvidos”, afirmou outro bancário. “Aqui querem aumentar a jornada de trabalho para 48 horas enquanto que na Europa se discute a redução para 36 horas. É lógico que o que aumenta a quantidade de emprego é jornada menor, porque as empresas vão ter que contratar mais se quiserem produzir mais. A quem essas reformas querem satisfazer? Quem esses caras querem enganar?”, questiona. 

A “reforma” trabalhista proposta pelo governo Temer altera mais de 100 artigos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e na quarta-feira 28 foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e segue para votação no plenário na próxima semana. “Essa história de trabalho intermitente vai prejudicar demais os bancários. Vai todo mundo trabalhar de bico”, exemplificou um funcionário do Bradesco.

CAT emblemático – O Centro Administrativo Tatuapé do Itaú, onde trabalham mais de 5 mil bancários, também teve as atividades paralisadas. O mesmo banco que lucrou R$ 22 bilhões somente no ano passado, neste ano teve uma dívida de mais de R$ 20 bilhões com o INSS perdoada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.  

“A gente precisa mostrar para a opinião pública e para a mídia que realmente existe uma insatisfação principalmente dos trabalhadores que serão diretamente afetados por essas reformas que na verdade não são reformas. Vão retirar direitos", opinou um funcionário do CAT, que concentra operações importantes como call center. "Uma paralisação como essa é importante como símbolo de insatisfação para mostrar para a sociedade que a gente não apoia esse governo ilegítimo.”

Governo ilegítimo que por um lado perdoa bancos que lucram bilhões, mas por outro pretende obrigar as pessoas a trabalharem até os 65 anos, com 25 anos de contribuição para ter direito a aposentadoria. O trabalhador que quiser contar com o benefício completo terá de trabalhar por 49 anos. Ou seja, precisará entrar no mercado de trabalho aos 16 anos se quiser se aposentar com 65 anos, sem ficar um único ano desempregado. 

“O bacana foi perceber que o pessoal já nem veio, para não entrar. Houve uma adesão boa. Os colegas de outras áreas que eu conversei fizeram um planejamento para não vir para cá e nem ir para a contingência [local para onde os bancos enviam trabalhadores para furar a greve]. Pelo menos na nossa categoria a gente mostrou que estamos fortes e unidos na luta”, completou o bancário do CAT.