Agência Itaú Uniclass (Foto: Divulgação)
Em abril deste ano, o Itaú anunciou que a estrutura de governança do segmento Uniclass na rede de agências físicas passará por uma mudança a partir de julho. Os GRUs (Gerentes de Relacionamento Uniclass) deixam de se reportar para os GGAs (Gerentes Gerais Agências) e passam a ser geridos pelos GGUs (Gerentes Gerais Uniclass), novo cargo criado a partir dessa reestruturação.
Desde então, processos seletivos foram conduzidos para ocupação de 60 posições de GGUs e 5 vagas de GRNUs (Gerentes Regionais de Negócios Uniclass), sem que novas informações fossem divulgadas — o que gerou ansiedade nos trabalhadores, que não sabiam quem seriam seus novos gestores.
Na tarde desta sexta-feira (26), durante uma live, o banco anunciou como se dará o processo. Entretanto, algumas dúvidas permanecem no ar:
- Como ficam os portes das agências e a calibração das metas, visto que a participação do segmento Uniclass representava uma importante parcela da composição das entregas da agência no GERA (sistema de avaliação de desempenho)?
- Como seria tratada a produção quando, na ausência do GRU, um cliente fechasse negócio com um GR?
Procurado, o Itaú informou que o porte das agências não irá mudar e que a calibração do GERA para o 3T26 está em estudo. Sobre a divisão da produção, o banco esclareceu: se um cliente do segmento Uniclass não for atendido pelo GRU e acabar contratando um produto com um GR, a produção irá para quem efetivou a venda, sendo que essa produção não computará a meta do GGA, mas sim a do GGU.
A regra, no entanto, pode criar um efeito colateral: o GGA passa a ter interesse direto em garantir que o GRU esteja sempre no posto. Afinal, cada ausência do Gerente de Relacionamento Uniclass é uma venda potencial que, se realizada por um GR, não entrará na conta do Gerente Geral Agências. Na prática, isso pode se converter em pressão informal sobre folgas, atestados ou qualquer situação que afaste o GRU do atendimento — um conflito que a nova estrutura cria, mas não endereça.
"O curioso é que o banco parece não saber ao certo como irá funcionar a nova estrutura que ele mesmo desenhou. Não é difícil prever que iniciar um trimestre com as metas em estudo e sem respostas claras sobre os conflitos de produção entre GGAs e GGUs gerará problemas muito em breve", pontua Edegar Faria, bancário do Itaú e dirigente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.
O Sindicato acompanhará a implementação e quer ouvir os trabalhadores: se a nova estrutura gerar cobranças abusivas, metas infladas ou conflitos sobre produção, procure um dirigente sindical ou utilize o Canal de Denúncias.