Censo da Diversidade

Seja parte da transformação que você quer ver no mundo. Seja agente da diversidade!

Além de responder ao Censo da Diversidade 2019 - que vai traçar um perfil da categoria por gênero, orientação sexual, raça e PCDs -, bancários serão também protagonistas nos locais de trabalho e na sociedade

  • Redação Spbancarios
  • Publicado em 19/07/2019 17:45 / Atualizado em 30/07/2019 16:30

Arte:Contraf-CUT

Uma das conquistas dos bancários na Campanha Nacional de 2018 foi a realização de um novo Censo da Diversidade Bancária. O levantamento, feito pela primeira vez em 2008 e uma segunda em 2014, traça um perfil da categoria por gênero, orientação sexual, raça e PCDs (pessoas com deficiência). O objetivo é embasar políticas de inclusão, de combate à discriminação e de promoção da igualdade de oportunidades no setor bancário. Entretanto, o Censo deste ano vai além da coleta de dados: também será realizada uma campanha de sensibilização da categoria para o tema, que inclui a formação de agentes da diversidade nas agências e departamentos.

Sindicalize-se e fortaleça a luta em defesa dos direitos dos bancários

A proposta foi apresentada pelos trabalhadores à Fenaban (federação dos bancos) na mesa de igualdade de oportunidades e já começou a ser implementada. A campanha foi lançada no site da Febraban na segunda-feira 15, e também está no site da Contraf

A campanha se prolongará até outubro, quando também se encerrará a fase de questionário do Censo, que iniciará no final de agosto. Os dados serão tabulados e analisados entre novembro e janeiro, e os resultados serão divulgados em fevereiro de 2020.

A presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Ivone Silva, reforça que o Censo da Diversidade Bancária deste ano terá caráter de reflexão e de transformação. “O objetivo é que o censo não apenas trace o perfil da categoria, que ainda é muito desigual, mas que os debates promovidos pelos agentes da diversidade suscitem reflexões para uma transformação desse quadro, tanto no setor bancário – onde as mulheres ainda ganham menos que os homens, ocupam poucos cargos de chefia, onde negras e negros são minoria e os PCDs estão aquém da cota determinada por lei –, quanto na sociedade, que também reflete a mesma desigualdade encontrada nos bancos.”

Desigualdade nos bancos

Os dados do último Censo da Diversidade Bancária, de 2014, mostraram que a desigualdade persiste no setor. As bancárias têm qualificação profissional superior à dos homens: 82,5% têm curso superior completo, enquanto que esse percentual entre os bancários é de 76,9%. Elas já eram maioria no censo de 2008: 71,2% das bancárias tinham curso superior completo, contra 64,4% dos bancários.

Apesar disso, as mulheres continuam ganhando menos que eles: em 2014, o rendimento médio mensal das bancárias era de 77,9% do rendimento médio mensal dos bancários. No primeiro censo, realizado em 2008, elas ganhavam em média 76,4% do que a média dos homens, ou seja, em seis anos, o avanço foi de somente 1,5 ponto percentual.

A quantidade de negros ainda é pequena: em 2014, eles eram apenas 24,9% da categoria. Houve um avanço de 5,6 pontos percentuais em relação ao censo de 2008, quando negros e negras eram 19,3%.

No Censo de 2014 foram incluídas, por reivindicação do movimento sindical bancário, perguntas voltadas para a população LGBT: 1,9% dos entrevistados se declararam homossexuais, 0,6%, bissexuais e 85%, heterossexuais; 12,4% não responderam.

O Censo de 2014 também revelou que as contratações de PCDs (pessoas com deficiência) chegou a 3,6%; era 1,8% no Censo de 2008. Apesar de ter aumentado, o último levantamento mostrou que o número de PCDs nas instituições financeiras ainda é menor do que determina a lei: 5%.

“Com os dados deste ano disponíveis, poderemos comparar e ver onde houve avanços ou retrocessos, e se os avanços ocorreram no ritmo que se espera. A desigualdade de renda entre bancárias e bancários, por exemplo, que é inadmissível, diminuiu muito pouco de 2008 para 2014”, ressalta Ivone.

Os dados, destaca Ivone, também servirão de base para a atuação do movimento sindical. “Com essas informações poderemos propor mudanças e o fim de injustiças no setor. Poderemos sentar à mesa de negociação com a Fenaban munidos de argumentos para reivindicar transformações. O mundo é diverso, e os bancos precisam entender isso e se adequar”, diz a presidenta do Sindicato.



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