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Chapéu
Caixinha de surpresas

Banco do Brasil fecha guichês, aumenta sobrecarga nas PSOs e normaliza incertezas

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Imagem mostra guichês de caixas de agência bancária fechada. em frente, uma bancária com a mão na testa, cabeça baixa e olhar preocupado está sentada em frente a um computador

O Banco do Brasil vem avançando no fechamento de guichês de caixa e na redução do atendimento presencial nas Plataformas de Suporte Operacional (PSOs), inclusive em unidades com fluxo significativo de clientes.

As medidas, chamadas pelo banco de “absorção” de agências, têm sido implementadas sem transparência e sem comunicação adequada aos trabalhadores, segundo denúncias recebidas pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo.

A situação contraria, inclusive, informação apresentada pelo próprio banco em reunião realizada em 6 de maio, com a participação de dirigentes sindicais das Regionais Sul e Oeste do Sindicato dos Bancários de São Paulo e representante da Comissão de Empresa Estadual.

Na ocasião, a Gerência da PSO informou que não havia previsão de novos fechamentos de Suporte Operacional (SOP) e que, caso houvesse mudanças, as gerências seriam comunicadas.

Na prática, porém, novos fechamentos vêm ocorrendo.

“O Banco do Brasil tem normalizado essa questão. O bancário vai trabalhar na sua SOP e não sabe o que vai encontrar naquele dia. É sempre um estado constante de insegurança e incerteza para quem trabalha nesse setor”, pontua Priscilla Semencio, diretora do Sindicato dos Bancários de São Paulo e bancária do Banco do Brasil.

Trabalhadores descobrem fechamento por empresa terceirizada

Na zona oeste de São Paulo, já foram fechados pontos de atendimento em guichês de caixa no Jardim Bonfiglioli, na Rua Clélia (Lapa) e, mais recentemente, na unidade de varejo da Avenida Sumaré (Perdizes).

O caso da agência Alfonso Bovero, também em Perdizes, é ainda mais preocupante. Menos de duas semanas depois da mudança para uma nova SOP, os funcionários foram surpreendidos com a informação de que os guichês também seriam fechados.

A forma como os trabalhadores tomaram conhecimento da decisão gerou grande indignação. Segundo relato recebido pelo Sindicato, funcionários descobriram o fechamento por meio de plantas do novo layout da agência apresentadas por uma empresa terceirizada de engenharia contratada pelo banco.

Ao procurarem a base da PSO, em Pinheiros, os trabalhadores teriam sido informados de que nem mesmo a gerência local tinha conhecimento da mudança.

“É o ápice do desrespeito com funcionários que vêm trabalhando com sobrecarga e total falta de apoio. Descobrir, por meio de uma empresa terceirizada, que seu local de trabalho ou posto deixará de existir demonstra a completa falta de transparência e comunicação do banco”, afirma Priscilla.

Banco reduz quadro e aumenta acúmulo de funções

Os problemas não se restringem ao fechamento dos guichês. As PSOs também vêm sendo alvo de denúncias relacionadas ao descumprimento das atribuições dos cargos e de procedimentos de segurança.

Segundo os trabalhadores, caixas executivos estão realizando atividades que seriam prerrogativas dos Gerentes de Módulo (Gemods), desrespeitando limites operacionais e aumentando o risco de erros e eventuais sinistros que podem trazer consequências para os próprios funcionários.

Também há relatos de ampliação do chamado “transbordo de cadastro”, com atividades sendo transferidas dos Centros de Negócios Operacionais (Cenops) para as PSOs. O resultado disso é que agentes comerciais e caixas estão executando tarefas do Cenops sem receber de acordo com o cargo adequado para essas funções.

Ao mesmo tempo, o banco reduz seu quadro de pessoal. Vagas deixadas por trabalhadores que são promovidos, removidos ou se aposentam estariam sendo bloqueadas, sem reposição. O resultado é menos funcionários para executar um volume cada vez maior de atividades.

Sindicato cobra respeito aos trabalhadores

Também chegaram ao Sindicato denúncias de que agentes comerciais estariam recebendo comissão de caixa diariamente, enquanto continuam desempenhando atividades atribuídas aos Gemods.

Para o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, o banco vem adotando uma política de redução gradual de pessoal e de ampliação das atribuições dos trabalhadores, testando os limites das equipes e tratando como pontuais mudanças que, acumuladas, provocam impactos concretos nas condições de trabalho.

“Nos locais de trabalho não existem apenas números. Existem pessoas. Cada vaga bloqueada, cada atividade transferida e cada função acumulada representa mais pressão e sobrecarga para quem permanece”, destaca Priscilla.

O Sindicato cobra do Banco do Brasil transparência sobre os critérios utilizados para fechamento dos guichês, comunicação prévia aos trabalhadores e suas entidades representativas e respeito às atribuições e aos limites operacionais de cada função.

A entidade também defende a reposição das vagas e a manutenção de estrutura adequada para garantir atendimento de qualidade aos clientes e condições dignas e seguras de trabalho aos funcionários. Reduzir postos e concentrar atividades sem considerar a realidade das unidades não pode ser tratado apenas como uma decisão administrativa: é uma medida que afeta diretamente trabalhadores e clientes.

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