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Sindicato repudia tortura em supermercado de São Paulo

Linha fina
Adolescente negro foi barbaramente torturado por seguranças do supermercado Ricoy, na Vila Joaniza, extremo sul da capital paulista
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Foto: Google Street View

Na última semana foi noticiado um caso de tortura cometido contra um jovem negro, de 17 anos, por seguranças de um supermercado, da rede Ricoy, na Vila Joaniza, extremo-sul da capital paulista. A tortura, que incluiu chicotadas com fios elétricos no corpo nu do adolescente, teria sido uma forma de “punição” ao jovem por ter furtado um chocolate.

“Nós do Sindicato repudiamos esse ato bárbaro. O povo preto não aguenta mais tantos ataques. Não aguenta mais o racismo, presente estruturalmente na nossa sociedade e hoje legitimado por parte de um governo que violenta e assassina a juventude negra. Que país é esse? Que mesmo depois de séculos da lei áurea ainda trata os negros com tamanha humilhação. Mais do que punir o corpo, o que já é inaceitável, atos como esse despem a vítima também da sua dignidade, da sua humanidade. O preconceito, o ódio, desumaniza”, enfatiza a dirigente e coordenadora do Coletivo de Igualdade Racial do Sindicato, Ana Marta.

“O Brasil da barbárie pune com violência, ódio e humilhação um grupo específico que deveria receber prioridade das políticas públicas. O Sindicato tem como bandeira de luta a construção de uma sociedade mais justa e menos desigual. Atitudes como essa se enquadram em campo diametralmente oposto a esse objetivo e devem ser condenadas e combatidas com toda firmeza”, acrescenta.

Reincidente

Após o vídeo do caso de tortura contra o adolescente negro ser noticiado, uma reportagem do portal Brasil de Fato revelou que a rede Ricoy é reincidente nesse tipo de crime bárbaro. Imagens divulgadas pelo site mostram outro rapaz amarrado, também com marcas de chicotadas pelo corpo, em um mercado da rede.

O Brasil de Fato também recebeu vídeo em que uma criança é vítima de tortura psicológica nas dependências do supermercado. “Você vai ficar em uma cela cheio de moleques da sua idade, ou mais velho, tem uns lá que gostam de abusar de outro moleque. Olha que legal. Tem uns que vão te dar uma surra bem dada. Olha que legal”, diz um funcionário do mercado ao garoto que supostamente havia tentado praticar um furto.

“O que se vivencia no Brasil é a banalização da violência e da barbárie! A prática de tortura se ampara na certeza da impunidade e no estímulo, às vezes silencioso, outras vezes declarado, de violações de direitos humanos contra certas parcelas da população, em especial pessoas negras e pobres. Isso revela o grau de fragilidade da cultura de promoção dos direitos humanos”, avalia o presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), Dimitri Sales.

“A repercussão das cenas de tortura contra este adolescente, em alguma medida, dá uma esperança de que ainda conseguimos nos sensibilizar ante casos de extrema violência. O desafio agora é fazer com as leis sejam aplicadas e a Justiça se realize plenamente, de modo a afastar a ideia de que a impunidade autoriza a violação dos direitos humanos de todas as pessoas”, conclui Dimitri.