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Chapéu
Precarização

Trabalho intermitente: 61 mil pessoas foram contratadas em 2018

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Novo tipo de contratação, sem estabelecimento de vínculos, passou a vigorar com a reforma trabalhista; remuneração do trabalhador registrou queda em 2018
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Foto: Paulo Pepe / Arquivo / Seeb

Sindicato realizou uma série de mobilizações para enfrentar os malefícios da reforma trabalhista

No ano passado, 61.705 pessoas foram contratadas na modalidade de trabalho intermitente. Este tipo de contratação passou a vigorar com a aprovação da reforma trabalhista – que alterou a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e entrou em vigor em 11 de novembro de 2017. As informações são do Reconta Aí

É considerado como intermitente o contrato de trabalho no qual a prestação de serviços não é contínua, ou seja, não estabelece vínculos, já que ocorre com alternância de períodos, determinados em horas, dias ou meses, independentemente do tipo de atividade de empregado ou empregador. 

São Paulo foi o estado que mais absorveu esse modelo de contratação no ano passado: foram 18,5 mil trabalhadores, equivalentes a 30% do estoque. Outras unidades da federação também se destacaram: Minas Gerais, com 8,9 mil registros; Rio de Janeiro, com 6 mil; e Paraná, com 4,6 contratações. Os dados fazem parte Relação Anual de Informações Sociais (RAIS-2018) e foram divulgados na quinta-feira (17) pelo Ministério da Economia.

A ocupação que mais contratou trabalhadores intermitentes foi Assistente de Vendas (7,3 mil), seguida por Servente de Obras (2,7 mil), Cozinheiro Geral (1,9 mil), Faxineiro (1,8 mil) e Garçom (1,7 mil).

O contrato intermitente ainda gera dúvidas e especialistas tentam esclarecer. No caso da reforma trabalhista, o sócio de LBS Advogados, Eduardo Henrique Marques Soares, concorda com a visão da precarização das relações de trabalho.

“A reforma trabalhista teve como verdadeiro escopo precarizar os contratos de trabalho, retirando várias regras protetivas ao trabalhador. Amplia, por exemplo, o uso do contrato a tempo parcial, flexibiliza as regras do trabalho temporário e implanta o trabalho intermitente”, disse, em entrevista recente ao RecontaAí.

Raio X

A RAIS é um cadastro administrativo obrigatório para todos os estabelecimentos do setor público e privado do País. A RAIS é divulgada anualmente e traz um perfil do mercado de trabalho. Na edição de  2018, o relatório também apontou, por exemplo, que houve redução real na remuneração média do trabalhador, atingindo R$ 3.060,88. Em relação a 2017, a remuneração média real diminuiu R$ 14,44, equivalente a 0,47%.

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