Diante das dezenas de demissões promovidas pelo Itaú neste início de ano, o Sindicato dos Bancários de São Paulo iniciou uma série de protestos nos centros administrativos e agências do banco. As atividades ocorreram nesta terça-feira (27) no CTO, e na quarta-feira (28) no Ceic.
“Essas demissões estão ocorrendo em todos os locais: no CTO, no Ceic e em agências bancárias. Estamos protestando em defesa do emprego, contra o fechamento de unidades bancárias e para denunciar a falta de critérios claros utilizados pelo banco para descartar trabalhadores”, destaca Sérgio Francisco, diretor do Sindicato e bancário do Itaú.
A alegação da ‘baixa performance’
Ao ser questionado pelo Sindicato, o Itaú adotou uma postura de normalização dos desligamentos, alegando motivos como ‘encerramento de ciclos de avaliações’, ‘baixa performance’ e ‘reestruturações’.
Segundo apurações feitas pela entidade, nas reuniões virtuais para comunicar a demissão, muitas vezes nem o próprio gestor consegue dar ao bancário uma explicação plausível para o desligamento.
“Na falta de argumentos. A desculpa padrão é ‘baixa performance’. Não aceitamos essas justificativas. A pressão por metas abusivas e a sobrecarga de trabalho não são exceção. São a regra que gera uma epidemia de doenças mentais na categoria”, afirma Sérgio.
Itaú: lucro de R$ 40 bilhões e descaso com o trabalhador
Além das demissões, as mobilizações são impulsionadas pelo alto volume de denúncias recebidas pelo canal oficial do Sindicato. Os relatos descrevem condições de trabalho massacrantes, assédio moral e um clima constante de medo.
"Essa situação é injustificável para um banco que projeta lucrar quase R$ 40 bilhões em 2026. Os bancários pedem socorro. E nós faremos protestos nos centros administrativos e agências enquanto houver demissões sem justificativas”, afirma Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo.
Conquistas devem ser valorizadas
A dirigente lembra que o Sindicato acabou de conquistar um Acordo Coletivo de Trabalho – aprovado em assembleia por mais de 95% dos bancários –, que traz uma série de avanços e garantias, como o reconhecimento do trabalho remoto; ajuda de custo pelo teletrabalho; programa de concessão de bolsas de estudo; e o compromisso com a gestão ética nas relações de trabalho.
“Mas essas demissões feitas sem justificativa plausível demonstram que precisamos avançar ainda mais, principalmente na questão do combate às metas abusivas. Metas as quais os trabalhadores não participam da sua definição e que, da forma como são hoje, estão causando muitos adoecimentos nos bancários, que são descartados quando não conseguem mais entregar os resultados. É um problema sério que exige organização e persistência. Da mesma forma que avançamos no ACT, vamos avançar na proteção contra esses abusos”, finaliza Neiva.
O Sindicato é a sua voz contra os abusos do banco. Fortaleça a luta por empregos, aumento real e PLR. Sindicalize-se!