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Polêmica sobre racismo no Itaú expõe falhas nas orientações da auditoria

Linha fina
Banco tem o dever de proteger seus funcionários da opinião pública e até mesmo de um processo civil criminal, já que racismo é crime inafiançável
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Montagem: Linton Publio

Após o desabafo da blogueira e empresária Lorenna Vieira, levada a prestar depoimento sobre a movimentação financeira de sua própria conta bancária, há muito a refletir sobre as normas de procedimento e inspetoria dos bancos e o comportamento de uma instituição ao cometer um crime de racismo.

O banco nega o racismo e diz que seguiu um procedimento padrão em casos de suspeita de fraude.  A empresária saiu da agência acompanhada de três policiais civis e foi encaminhada à delegacia sob suspeita de fraude.

A instituição financeira poderia ter pedido outros documentos, registrado a biometria ou checado a assinatura da cliente, mas adotou outra prática. Mesmo com a suspeita de fraude na identificação de Lorena, há uma nítida violação dos direitos de Lorena. E uma falha na orientação de procedimento e inspetoria para os trabalhadores.

“O banco expôs a Lorena, constrangendo sua cliente ao levá-la a delegacia escoltada por policiais. E não orientou corretamente seus trabalhadores, o que nos coloca em uma situação vulnerável e sem um encaminhamento correto. Ou seja, errou duas vezes. Se houve um erro na identificação de Lorena, tudo pode ser verificado, mas com respeito e sem constrangimento”, criticou o coordenador do coletivo de combate ao racismo do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Júlio Cesar.

O dirigente defende a mesa de Igualdade de Oportunidades permanente, na qual são debatidas e negociadas pautas sobre o tema  junto a Fenaban. “O movimento sindical sempre cobrou das instituições financeiras a promoção do respeito e inclusão nos locais de trabalho”, afirma Julio.

O Sindicato reconhece a existência do racismo estrutural no Brasil, identificado por meio de práticas, hábitos, situações e falas embutidas nos costumes sociais e que promove, direta ou indiretamente, a segregação ou o preconceito racial.

“Mas o banco precisa proteger seus funcionários do julgo da opinião pública e até mesmo de um processo civil criminal, já que racismo é crime inafiançável.”