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Sindicato vai ao Nubank para reivindicar melhores condições de trabalho e equilíbrio nas metas

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Imagem mostra dirigentes em frente ao prédio do Nubank. Eles seguram placas

O Sindicato dos Bancários de São Paulo aproveitou a semana presencial dos empregados do Nubank, que ocorre uma vez a cada três meses, para visitar o Spark, escritório da financeira na Vila Leopoldina onde trabalham os analistas da área de Fraude.

O foco das atividades foi a preocupação dos empregados com a cobrança das métricas; e o impacto que tem representado a redução do “time spent” e a diminuição do peso dos “Jobs”.

Na segunda-feira 25, terça 26 e quarta 27, os dirigentes sindicais conversaram com as trabalhadoras e os trabalhadores, e promoveram atividade com faixas, cartazes e equipamento de som por melhores condições de trabalho e métricas mais equilibradas.

As três principais mensagens apresentadas durante os dias de atividades:

  • Respeito a saúde mental e física dos analistas;
  • Pedido de reconsideração das métricas, com aumento do “time spent” e do “peso dos jobs”;
  • Preservação das carreiras e do emprego dos nubankers: que o “PIP” seja, tão somente, ferramenta de apoio, e não uma ferramenta para demissão, pois o Nubank tem apresentado resultados excepcionais. E em uma empresa tão lucrativa, não há motivo para demitir sem justa causa.

A ação nos três dias de atividades e visita ao Spark se deu a partir de relatos e depoimentos de sobrecarga, cobranças e pressão das novas métricas, que tem chegado de forma incessante no Sindicato desde o ano passado. E, no último mês, essa situação transbordou para as redes sociais, quando "nubankers" falaram das suas experiências sobre as condições de trabalho cada vez mais difíceis.

Na terça-feira 26 estava programada a chamada “reunião mensal”. Foram realizados dois encontros com cerca de 300 funcionários da área de análise de fraude.

Nestas reuniões, a diretora da área de fraude se posicionou, mesmo que com cautela, sobre a situação dos analistas. Segundo relatos de analistas consultados pelo Sindicato, a diretora está “se colocando à disposição para ouvir”, dizendo que o alinhamento é “tentar resolver”, e que está “exercendo a escuta ativa”.

“Isso mostra que há conhecimento da situação. E é um gesto relevante a diretora se propor a fazer o exercício de escuta para também repensar a situação junto com os analistas. Neste sentido, é importante que se crie um ambiente de segurança e confiança para que os analistas tenham liberdade de expressar o que, na prática, tem representado as mudanças de métricas, que ocorreram a cada trimestre”, enfatiza Marcelo Gonçalves, diretor do Sindicato.

“A fala dos analistas é muito clara e direta: todos querem e precisam trabalhar. Gostam do 'roxinho'. Mas o aumento das metas, com mais jobs para fazer, em menos tempo tem impacto negativo nas condições de trabalho da área. E tá se tornando insustentável. Por isso, é preciso mudar. É preciso encontrar uma solução”, acrescenta o dirigente.

A entidade elaborou relatório com mais de 10 páginas por meio do qual relata todo o cenário. Importante destacar que, além de conviverem permanentemente com a preocupação de manter o emprego, os funcionários que procuram o Sindicato estão entregando as metas, mesmo sobrecarregados.

“Só que isso gera um custo alto que envolve a saúde física e mental. Por isso estivemos no Spark nestes três dias. E estaremos novamente lá na próxima semana presencial, em dezembro. Mas queremos estar de maneira diferente. Então, neste meio tempo, queremos abrir um canal de diálogo direto, franco e eficaz com a direção da área de Fraude e, sobretudo, com RH do Nubank, porque estamos confiantes de que há espaço para encontrar uma solução a fim de alcançar um ambiente com melhores condições de trabalho. Um ambiente mais colaborativo e com mais equilíbrio nas métricas”, avalia Marcelo.

O dirigente acredita que as métricas correm o risco de se tornarem insustentáveis, o que pode resultar no assédio moral institucionalizado.

“Estamos chamando uma reunião com a direção do Nubank porque já está se criando mal estar entre os trabalhadores. O volume de relatos ao Sindicato impressiona. Atualmente, fora da curva de qualquer um dos 'bancões', chamados de 'dinos' no Nubank. Então, não podemos ter uma gestão 'dino' no Nunbank. Não é mesmo? Inclusive há relatos sobre essa sobrecarga não só internamente na empresa, mas também nas redes sociais. Não dá mais para tapar o Sol com a peneira. Precisamos que as metas sejam revistas com equilíbrio. E que o ambiente de trabalho seja mais colaborativo. Além disso, o PIP [Plano de Melhoras e Desempenho] não pode ser um prenúncio de demissão. Eis nossa luta, nossa esperança”, afirma Marcelo.

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