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crise do coronavírus

Condução de Bolsonaro na crise do coronavírus é trágica e genocida, afirma ex-ministro da Saúde

Segundo Alexandre Padilha, é possível vacinar todos os grupos prioritários e a maior parte da população antes do início do inverno: “Todos os anos o Brasil vacina contra a gripe 80 milhões de pessoas em três meses, mas Bolsonaro não quer”

  • Rodolfo Wrolli, SPbancarios
  • Publicado em 18/01/2021 13:07 / Atualizado em 18/01/2021 14:43

O ex-ministro da Saúde e deputado Federal Alexandre Padilha

Wilson Dias/Agência Brasil

“A condução de Bolsonaro é trágica e genocida. O Brasil vem sendo um dos epicentros de transmissão e mortes da covid-19. Se mantém entre os três primeiros países em mortes e casos novos durante toda a pandemia. O governo federal não garantiu o volume de testes necessários; não garantiu uma orientação clara para a população; cortou os médicos do programa Mais Médicos, desmontando equipes de cuidados nos bairros e comunidades nas áreas mais vulneráveis; estabeleceu uma disputa permanente com governadores e prefeitos, transformando o país em uma guerra quando precisaria estar unido.”

A avaliação do governo Bolsonaro diante da crise causada pela pandemia do novo coronavírus  – que já matou 200 mil brasileiros e contaminou mais de 8 milhões de pessoas – é do ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha. Para ele, é inimaginável o Brasil estar na rabeira dos programas de vacinação no mundo. “Normalmente o Brasil liderava os programas de vacinação na América do Sul. Os países de dimensão maiores já começaram os programas de vacinação em dezembro, e o Brasil fica alimentando uma guerra”, lamenta o ex-ministro, que atualmente é deputado federal pelo PT. 

A vacinação nos estados deve começar só nesta segunda-feira 18, após pressão de governadores, segundo informou a Folha de S. Paulo. Eles propuseram ao ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, adiantar o início do processo, que a princípio ocorreria apenas a partir de quarta 20.

H1N1 X Coronavírus

A tradição do Brasil nos planos de vacinação foi enfatizada por Padilha, que traçou um paralelo com a pandemia do H1N1, que atingiu o mundo em 2009 e 2010. “Em 2010 vacinamos 100 milhões de pessoas em um intervalo de seis meses, justamente com a vacina do Instituto Butantã, sob comando do governo do Estado de São Paulo, extremamente opositor ao governo Federal, e mesmo assim o [então] presidente Lula fez questão de colocar as disputas partidárias de lado e uniu o país para enfrentar a grave pandemia.”

Para o Brasil executar um programa de vacinação em tempo adequado, é preciso, de acordo com o ex-ministro, incorporar várias vacinas com perfis e velocidade de produção diferentes para que se tenha o volume suficiente a fim de imunizar o mais rapidamente possível a população. 

“Para fazer isso, o governo federal precisa incorporar várias vacinas; precisa investir dinheiro;  precisa compartilhar essa ação com governadores, prefeitos, com outros países. Mas Bolsonaro vê todos eles como adversários. Desde o começo apostou em apenas uma vacina, e este é um dos motivos pelos quais o plano de vacinação não começou até agora”, afirma. 

Veto de meta para imunização

O ex-ministro afirma que é possível vacinar todos os grupos prioritários e a maior parte da população antes do início do inverno. “Todos os anos o Brasil vacina contra a gripe 80 milhões de pessoas em três meses, mas Bolsonaro não quer. Um dos indícios disso foi que, no final do ano, ele vetou na lei que estabelece as regras do Orçamento uma emenda que eu fiz no Congresso Nacional que estabelecia obrigação de uma meta vacinal para toda a população no ano de 2021”, afirma. 

 

 

Segundo Padilha, três motivos resultaram na demora para o Brasil iniciar uma campanha a nacional e pública de imunização contra a covid-19. Primeiro porque Bolsonaro nunca investiu em um programa nacional de vacinação. O deputado ressalta que 2019 – um ano antes da pandemia – foi o primeiro ano deste século que o Brasil não atingiu as metas de vacinação de crianças.

Outro indício de que Bolsonaro não quer um plano de vacinação rápida é a atuação do governo na aquisição de seringas e outros insumos necessários para executar a campanha. Ao menos desde maio do ano passado já se apontava a necessidade de se mobilizar a indústria a fim de preparar a produção, além de se antecipar a compra das seringas, o que não foi feito pelo governo Federal.

O terceiro motivo, segundo Padilha, é político. “Bolsonaro sabe que um povo vacinado se sente mais seguro para sair às ruas, protestar. Povo vacinado volta para universidade, para a sala de aula, e isso é um caldeirão de mobilização em um momento em que o país está vivendo essa grave crise social e econômica provocada pela incapacidade de Bolsonaro de superar a pandemia.”
 



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