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Chapéu
Irresponsabilidade

Coronavírus: gestores do Santander contrariam direção e exigem visitas

Linha fina
Por meio de mensagens por WhatsAppp, gerentes regionais ignoram a pandemia da doença e ainda cobram metas abusivas dos seus subordinados
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Foto: Freepik

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O Santander anunciou na segunda-feira 16 uma série de medidas de proteção a trabalhadores e clientes ante a pandemia de coronavírus. Desde então, comunicados institucionais estão sendo emitidos regularmente com orientações aos funcionários (uma delas é para que evitem visitas comerciais). O próprio presidente do banco, Sérgio Rial, disse, em comunicado, que “contra o medo, não há nada tão eficaz do que a informação e a ciência”. Todavia, alguns gerentes regionais parecem não ter entendido as orientações, ou então decidiram dar as costas para a direção do banco neste momento.

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Uma gerente regional enviou a seguinte mensagem por WhatsApp:

“Time Empresas

Nesse momento Precisamos (sic) de foco total nas ações preventivas e visitas a esses clientes com o intuito de se antecipar as (sic) dificuldades futuras, bem como avaliem (sic) elevados limites disponíveis no rotativo para ajuste de redução

(...)

Atenção também na possível necessidade nesse momento dos nossos clientes PJ anteciparem recebíveis ou efetivarem fumaça.

(...)

Por fim: visitar, visitar e visitar

Quem? Cliente da base, público preventivo, clientes da base adq e aqueles que ainda não ativaram, prospect.”

Para a dirigente sindical Lucimara Malaquias, bancária do Santander, as cobranças de visitas e metas em tempos de pandemia são irresponsáveis e atentam contra a saúde pública. “Na reunião do Comando Nacional com a Fenaban e nas orientações da direção do Santander ficou mais do que claro que é pra evitar visitas comerciais, mas os regionais estão na contramão das determinações dos órgãos de saúde de todo o mundo, cobrando visitas e mais visitas e metas como se nada estivesse acontecendo”, enfatiza.

“Já notificamos o RH do banco com os nomes destes regionais, que estão agindo com irresponsabilidade contra a saúde pública. A recomendação do governo, do banco e de autoridades sanitárias é para evitar contato. Qual parte esses gestores não entenderam?”, questiona.

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Segundo a dirigente, a divergência de informações está causando ainda mais pânico entre os trabalhadores. “Estamos monitorando esses gerentes regionais. O momento pede cautela, bom senso, responsabilidade, clareza e padronização. Todos têm o dever de se proteger e proteger uns aos outros. A questão é humanitária”, salienta Lucimara.

A dirigente lembra que os bancários que forem obrigados a fazer visitas comerciais nestes tempos de medidas contra a propagação do coronavírus ou estiverem passando por cobranças abusivas devem procurar o Sindicato, que tem um canal de denúncias contra o assédio moral. As queixas, com garantia de anonimato, também podem ser feitas para a Central de Atendimento, por meio do chat ou pelo telefone 11 4949-5998.