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Relação predatória: BTG terceiriza e explora bancários, e Sindicato protesta

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Imagem mostra protesto do Sindicato contra o BTG

O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região protestou em frente à sede do BTG Pactual, na avenida Faria Lima, contra a terceirização dos trabalhadores da área de tecnologia do banco.

Os empregados foram transferidos para o BTG-TECH sem anuência do Sindicato e sem negociação prévia, apesar de muitos terem manifestado o desejo de permanecer na categoria bancária.

A entidade cobra transparência no processo, a interrupção da terceirização e o retorno dos trabalhadores ao enquadramento bancário.

Jornadas exaustivas e ilegais

O protesto, realizado nesta terça-feira 21, também foi motivado por centenas de denúncias de extrapolação de jornada, falta de controle de ponto e horas extras não remuneradas, inclusive aos finais de semana e feriados.

Em consulta realizada pela entidade, 98% dos trabalhadores afirmaram fazer horas extras mais de três vezes por semana, alguns durante toda a semana, o que contraria a legislação trabalhista.

“A relação trabalhista no BTG tem sido predatória. Há relatos de jornadas de 10, 12 e até 14 horas diárias. Até estagiários teriam sido submetidos a jornadas excessivas para cumprir metas e entregas”, destaca o diretor do Sindicato Marcelo Gonçalves.

Constrangimentos e adoecimentos

Também há denúncias de constrangimento contra quem tenta cumprir a jornada diária. Em algumas áreas, segundo relatos, colegas e gestores batem na mesa para pressionar quem vai embora, atribuindo ao trabalhador a responsabilidade pelo eventual não cumprimento das metas da equipe.

A situação é ainda mais grave diante do aumento dos relatos de adoecimento e sobrecarga. A entidade ressalta que bônus e remuneração variável não podem servir de justificativa para jornadas abusivas. “Bônus remunera produtividade, não jornada de trabalho extraordinária ”, pontua Marcelo.

“Enquanto o país discute o fim da escala 6x1 e a categoria reivindica a jornada 4x3, o BTG vai na contramão ao impor uma jornada 7x0, e com extrapolação diária de jornada. Uma gestão retrógrada que enriquece cada vez mais o dono do banco à custa do adoecimento dos trabalhadores”, protesta Irene Juarez, diretora do Sindicato dos Bancários de São Paulo.

Lucro de R$ 10 bilhões

No primeiro semestre de 2026, o BTG registrou lucro de cerca de R$ 10 bilhões. Para o Sindicato, a elevada rentabilidade não pode ser construída à custa da saúde e dos direitos dos trabalhadores.

Reunião nesta quarta-feira 22

Está prevista para esta quarta-feira (26) uma reunião entre o Sindicato e o banco. A entidade cobrará respostas, dados e transparência sobre a terceirização, além da apresentação e regularização do controle de jornada.

O Sindicato continuará mobilizado para exigir que o BTG cumpra a legislação trabalhista, respeite a Convenção Coletiva e preserve o direito ao descanso e à desconexão.

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