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Chapéu
Desigualdade

Mulheres ganham 25% menos do que homens no Brasil

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Dados da OIT apontam ainda que na América Latina e Caribe a média é de 17% menos por hora trabalhada. Nos bancos, segundo Censo da Diversidade de 2014, diferença de salários era de 22,1% a menos para as bancárias
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Estudo recente da Organização Internacional do Trabalho (OIT) aponta que as mulheres na América Latina e Caribe recebem, por hora trabalhada, em média 17% menos do que os homens. No Brasil, a diferença é ainda maior: as brasileiras ganham em média 25% menos por hora trabalhada do que os brasileiros, tanto nos empregos formais quanto nos autônomos.

O levantamento da agência das Nações Unidas, divulgado em agosto deste ano, mostra ainda que as mulheres têm aumentado sua participação no mercado de trabalho, apesar de ainda serem minoria (a taxa de inserção das mulheres é de 52,3%, enquanto a masculina é de 72%). E também que a desigualdade nos salários diminuiu um pouco nos últimos anos, mas em um ritmo muito lento.

O estudo levou em consideração critérios igualitários, comparando homens e mulheres que exercem a mesma função, na mesma região e que possuem a mesma formação educacional.

No setor bancário

O setor bancário reflete essa desigualdade. Segundo o último Censo da Diversidade, realizado em 2014, o rendimento médio mensal das bancárias era 77,9% do rendimento médio mensal dos bancários. E isso apesar de elas terem qualificação profissional superior: 82,5% tinham curso superior completo em 2014, enquanto que esse percentual entre os bancários era de 76,9%. 

“Precisamos mudar esses números, a igualdade salarial entre homens e mulheres é algo essencial para desenvolver ainda mais a sociedade. Precisamos combater todas as desculpas e estereótipos que ‘justificam’ essa injustiça. Mulher trabalha igual, produz igual e tem que ganhar igual!”, afirma a secretária-geral do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Neiva Ribeiro.

A dirigente lembra que a igualdade de oportunidades no trabalho e na vida é uma bandeira de luta do movimento sindical bancário, que acumulou conquistas ao longo dos últimos anos. Uma delas é a realização do Censo da Diversidade, levantamento que visa traçar o perfil da categoria segundo gênero, raça, orientação sexual e PCDs (pessoas com deficiência).

A Campanha Nacional dos Bancários de 2018 conquistou a realização de uma terceira versão do Censo, que já começou a ser realizada.

“Quanto mais bancárias e bancários responderem ao Censo, mais fiel será o perfil que teremos da categoria. E esse perfil é fundamental para que possamos cobrar dos bancos que desenvolvam ações para diminuir as desigualdades e discriminações no setor”, reforça Neiva.

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Ela destaca ainda que o Censo deste ano tem um caráter diferente: além do levantamento, visa ser um agente de transformação. “Este ano, bancárias e bancários poderão se tornar agentes da diversidade, ou seja, pessoas que se proponham a debater e combater preconceitos, machismos, discriminações de qualquer tido nos locais de trabalho e em outros meios de convivência, como na família e entre amigos.”

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Cultura deve ser transformada

O estudo da OIT também aponta que uma das causas de as mulheres ganharem menos e estarem menos inseridas no mercado é a divisão irregular das tarefas domésticas e com os filhos.

Segundo o relatório, 80% das tarefas de casa são feitas por mulheres. Além de impedir a inserção e permanência delas no emprego, isso ainda as empurra para postos de menor remuneração e maior flexibilidade.

“Essa disponibilidade de trabalhar apenas em tempo parcial tem a ver com as responsabilidades dentro dos lares. Quem trabalha em tempo parcial não pode ser nomeado gerente, não pode ser CEO. Tem uma limitação importante e interessante, que está no interior dos lares”, salienta o pesquisador Hugo Ñopo, um dos responsáveis pelo levantamento da OIT.

Ele acrescenta que para combater isso, é preciso transformar a cultura e implementar políticas públicas: “É preciso pensar políticas culturais para acelerar esse movimento [de maior inserção e remuneração das mulheres]. (...) Por um lado, a cultura pode mudar. Por outro lado, a parte negativa é que a cultura não muda imediatamente, leva um tempo. Por isso é preciso trabalhar políticas de médio e longo prazo.”

Categoria bancária é pioneira na transformação

A secretária-geral do Sindicato concorda e reforça: “Por isso o Sindicato defende as relações compartilhadas e a paternidade responsável. E Estado e sociedade também têm de discutir ações para compartilhar com as mulheres esses cuidados e garantir a igualdade de direitos e oportunidades para elas”.

Neiva salienta que o movimento sindical bancário foi pioneiro nesse sentido, ao ser uma das primeiras categorias a conquistar a licença-paternidade ampliada de 20 dias. “Ainda não é o melhor dos mundos, porque o que queremos mesmo é que homens e mulheres tenham o mesmo tempo de licença para ficar com os filhos, e que assim possam de fato revezar o cuidado com as crianças, a casa e o trabalho. Mas sabemos que isso é uma caminhada e vamos seguir na luta por esse ideal”, conclui.

Licença-paternidade ampliada

Para ter direito à licença-paternidade de 20 dias, os bancários precisam fazer um curso de paternidade responsável. A Faculdade 28 de Agosto oferece o curso que tem duração de 7 dias e é gratuito para bancários sindicalizados (não sindicalizados pagam apenas R$ 100).

> O que se aprende no curso de Paternidade Responsável?
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