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Pandemia

Alexandre Padilha: PL 948/21 é “camarote das vacinas”

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Em entrevista exclusiva, o ex-ministro da Saúde e deputado federal, Alexandre Padilha, avaliou que o projeto que libera a compra de doses de vacinas por empresas é mais uma irresponsabilidade na condução da pandemia
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Foto: Gustavo Sales/Câmara dos Deputados

Para o ex-ministro da Saúde e deputado federal, Alexandre Padilha, a aprovação pela Câmara dos Deputados do PL 948/21 cria o “camarote da vacina” ao permitir a compra de vacinas contra Covid-19 pelo setor privado antes da vacinação de grupos prioritários do Plano Nacional de Imunizações. 

Vacinação privada, por empresas, cria "fila dupla"

“Já havia sido aprovado no Congresso Nacional um PL que garantia que as empresas comprem vacinas desde que sejam aprovadas pela Anvisa, doadas ao SUS para que que todo o grupo prioritário seja vacinado, proibindo a comercialização. É o camarote das vacinas, que autoriza que um banqueiro de 50 anos passe na frente de um idoso de 70 anos, por exemplo. Significa que quem tem mais dinheiro pode receber a imunização de quem não pode pagar pela vacina. É mais um ataque ao povo brasileiro e mais uma irresponsabilidade na condução da pandemia”, critica Padilha. 

O ex-ministro da Saúde avalia que o PL 948/21 não é uma estratégica eficaz para acelerar a imunização contra a Covid-19 no Brasil. 

“O projeto não trará mais vacinas para o Brasil, ele tira as vacinas do SUS e dá para um grupo seleto de brasileiros. Não podemos permitir que uma pessoa que tem dinheiro passe na frente de alguém que precisa mais rapidamente tomar a vacina. É uma vergonha se essa lei for sancionada e reforça o vexame que o Brasil está passando com relação a resposta a pandemia”, enfatiza. 

Fabricantes autorizadas no Brasil não vão vender vacinas a empresas

Por fim, o deputado federal lembra que nenhuma país adotou a estratégia de compra de vacinas pela iniciativa privada e que o próprio Bolsonaro recusou a oferta de milhões de vacinas ainda em 2020. 

“É muito grave o PL do camarote das vacinas ter sido aprovado no dia de recorde de mortes diárias de Covid-19 no Brasil. Essa base bolsonarista que representa empresários não conhece nada sobre saúde pública. É o absurdo da injustiça. Uma visão escravocrata de uma parte da elite brasileira que acha que tem cidadão de primeira e segunda classe. Nenhum país no mundo adotou essa proposta, nem mesmo os Estados Unidos que tem um sistema privado de saúde. A vacinação é proteção coletiva e os grupos prioritários devem ser vacinados o quanto antes. No ano passado cerca de 70 milhões de doses foram ofertadas para o Brasil e Bolsonaro recusou. Não quis contratar as vacinas para que toda a população prioritária fosse vacinada com as duas doses ainda este ano”, conclui Padilha. 

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O PL 948/21 segue para votação no Senado e, se aprovado, para sanção presidencial.