35º Conecef

“Este congresso tem cheiro de resistência”, afirmou Erika Kokay

A parlamentar foi uma das debatedoras do painel “Defesa da Caixa e do que é Público”, que contou também com a participação da conselheira eleita Rita Serrano e do economista Sergio Mendonça

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  • Publicado em 02/08/2019 14:15 / Atualizado em 02/08/2019 16:59

Foto: Contraf-CUT

“Não toque nesta empresa e nos trabalhadores e trabalhadoras desse país, porque somos a resistência. Este 35º Conecef tem cheiro de resistência. Nós temos história e é em nome dela que vamos construir um novo futuro. Nenhum direito a menos.” O recado foi dado pela deputada federal (PT-DF) e empregada da Caixa, Erika Kokay, na tarde de quinta-feira 1°, no terceiro painel do Congresso, que teve como tema "Defesa da Caixa e do que é público" e que também contou com a participação da representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da Caixa, Rita Serrano, e do economista Sergio Mendonça.

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Segundo a parlamentar, a política econômica do atual governo é a de entregar o patrimônio brasileiro para o capital estrangeiro, como aconteceu com o pré-sal, e querem fazer com a Eletrobrás e outras empresas públicas. “É a privatização do conjunto do país”, alertou. Conforme Erika Kokay, privatizações como a da Caixa não encontram respaldo social e por isso a estratégia do governo é vender parte delas. “Querem privatizá-la aos pedaços e precisamos denunciar esses ataques”, ressaltou a deputada.

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Kokay destacou ainda que o país está sem projeto de desenvolvimento nacional. “Nós vivemos em um capitalismo rentista que não produz e ao não produzir não tem qualquer compromisso com o desenvolvimento social e econômico”, acrescentou.

Resistência Histórica

A capacidade de resistência dos trabalhadores da Caixa também foi lembrada pela conselheira eleita no Conselho de Administração do banco e diretora da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa, Rita Serrano. Segundo ela, foi graças à mobilização da categoria nas ruas e no Congresso que foram barradas medidas como a transformação da empresa em uma Sociedade Anônima (SA) e os avanços obtidos pela mobilização das entidades contra o teor privatista do Projeto de Lei do Senado (PLS) 555.

Rita lembrou que o primeiro Conecef deliberou a realização da primeira greve nacional dos empregados da Caixa, que assegurou a jornada de seis horas e o direito à sindicalização. A unidade da categoria, segundo ela, também foi fundamental para barrar as tentativas de privatização da Caixa na década de 1990.

“Ficamos a década inteira defendendo a manutenção da Caixa pública e dos nossos direitos. O banco só não foi privatizado por conta da nossa luta. A nossa história é de lutas e vamos continuar fortes para enfrentar mais esse desafio imenso”, finalizou Rita Serrano.

O papel das empresas públicas para alavancar o desenvolvimento econômico e social do país, a política de desmonte do governo Bolsonaro e a retirada dos direitos dos trabalhadores, a retomada da democracia foram os principais pontos debatidos no painel.

Crise se vence com políticas públicas

Para o economista e coordenador do site Reconta Aí, Sergio Mendonça, o Brasil convive há quase quatro décadas com a hegemonia de pensamento econômico que aponta as empresas públicas como ineficientes. “Se não tivéssemos bancos públicos, a economia brasileira teria afundado após a crise de 2008”, disse ele.

Ao invés de atuarem de forma anticíclica como aconteceu logo após a crise de 2008, os bancos públicos têm reduzido a oferta de crédito e estão passando por um processo de enfraquecimento. “A Caixa que em 2014 chegou a ter mais de 100 mil trabalhadores, hoje tem menos de 85 mil”, destacou o economista. Esse encolhimento, conforme ele, pode ser constatado em outros bancos e empresas públicas como o Banco do Brasil e a Petrobras.

Segundo o economista, os bancos públicos já representaram em torno de 45% do sistema financeiro em termos de ativo e crédito, mas este percentual está caindo. “O Brasil vive hoje a maior recessão dos últimos 120 anos. Não vamos sair dessa crise sem o Estado, sem as empresas públicas e sobretudo os bancos públicos”, defendeu Sergio Mendonça.



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