11ª mesa de negociação da Campanha Nacional Unificada dos Bancários 2026 (Foto: Seeb-SP)
Foi realizada nesta quarta (26), a 11ª mesa de negociação da Campanha Nacional Unificada dos Bancários 2026. Na negociação, os banqueiros apresentaram novamente propostas com índice de reajuste abaixo da inflação: 2,57% para salários e demais verbas, com exceção dos vales alimentação e refeição.
Com relação ao índice de reajuste salarial e para demais verbas, com exceção dos vales alimentação e refeição, as propostas apresentadas nesta quarta foram idênticas à última proposta apresentada no dia anterior, que já havia sido rejeitada. Ou seja, apenas 62% da inflação (INPC) e uma perda salarial real de 1,5% para a categoria.
Se, por um lado, os banqueiros querem impor perda salarial aos bancários, por outro, acabam de anunciar, na Febraban Tech, que os bancos devem investir R$ 50,4 bilhões em tecnologia até o final de 2026. Enquanto se recusam a melhorar a distribuição dos lucros aos trabalhadores, a valorizar o VR e VA, os três maiores bancos brasileiros já aprovaram, para 2026, uma remuneração média anual de R$ 12,5 milhões para os altos executivos – reajuste de mais de R$ 1 milhão em relação a 2025.
“As propostas apresentadas pelos banqueiros nesta quarta não são diferentes das rejeitadas ontem, com exceção do VA, VR e teto da regra básica da PLR, que também ficaram muito aquém das necessidades da categoria. É inaceitável que o setor bancário, que lucrou R$ 182,4 bilhões no ano passado, que paga milhões anualmente aos seus executivos, tente impor perda salarial real aos seus trabalhadores”, destaca a presidenta do Sindicato e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Neiva Ribeiro.
Na negociação, o Comando Nacional dos Bancários registrou que, de um total de 10.126 reajustes já firmados em convenções coletivas neste ano, 87,1% das categorias obtiveram ganho real. Já o setor bancário, um dos mais lucrativos do país, está propondo aos seus trabalhadores um reajuste que significa menos de 1% do seu lucro total em 2025, que atingiu R$ 182,4 bilhões.
"O que exigimos é a aplicação do aumento real nos salários, nas demais verbas e maior distribuição da PLR, com base na inflação medida pelo INPC. Isso é o básico!", enfatiza a presidenta da Contraf-CUT e também coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Juvandia Moreira.
Vales alimentação e refeição
Em relação aos vales refeição e alimentação, a Fenaban “optou” por utilizar a inflação da alimentação em domicílio, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), para balizar o reajuste do vale-alimentação; e a inflação da refeição fora de domicílio, também medida pelo IPCA, para balizar o reajuste do vale-refeição.
Com isso, pela proposta da Fenaban, o reajuste do vale-alimentação seria de 2,99% (inflação estimada da alimentação em domicílio medida pelo IPCA); e 4,5% para o vale-refeição (inflação da refeição fora de domicílio, medida pelo IPCA). Ou seja, a proposta dos banqueiros, rejeitada pelo Comando Nacional dos Bancários, aplicaria reajustes diferentes para o VA e VR.
PLR
Em relação à PLR, os banqueiros recuaram em relação ao reajuste zero, mas propuseram a aplicação do índice rebaixado de 2,57% apenas para o teto da regra básica, o que impactaria somente cerca de 35 mil trabalhadores.
“Na negociação anterior, eles haviam congelado a PLR. Nesta, propõem reajustar apenas o teto da regra básica, o que continua prejudicando a maioria dos trabalhadores, com índice sem aumento real. Exigimos melhorias na parcela adicional, de modo que valorize a PLR de todos os bancários e bancárias”, diz Juvandia Moreira.
Evolução das propostas de índice de reajuste salarial
Aumento real é prioridade
Na Consulta Nacional dos Bancários 2026, que ouviu mais de 54 mil bancários, o aumento real, acima da inflação, foi apontado como a principal prioridade da categoria, citado por 93% dos respondentes. Em seguida, aparece o aumento da PLR, com 63%, e o reajuste maior no vale-refeição (VR) e vale-alimentação (VA), com 51%.
Negociações continuam
As negociações com os banqueiros serão retomadas na quinta-feira, 27 de agosto. Os bancários e bancárias devem ficar atentos ao site e redes sociais do Sindicato para atualizações das negociações, encaminhamentos e convocações de novas ações de mobilização.
“Exigimos uma proposta que respeite os bancários e bancárias. O salário da categoria perdeu poder de compra nos últimos 12 meses. O poder de compra do VA e VR, que teve uma perda enorme durante o governo Bolsonaro, até hoje não foi recomposto. O percentual de lucro distribuído com a PLR é reduzido a cada ano. Não podemos aceitar uma proposta sem aumento real para salários e todas as demais verbas, com valorização da PLR, do VR e do VA”, conclui Neiva Ribeiro.
Banqueiros podem pagar
Os dados apresentados pelo Comando Nacional dos Bancários ao longo das oito mesas de negociação realizadas até o momento mostram, de forma inequívoca, que os banqueiros possuem todas as condições para atender às reivindicações da categoria.
- Entre 2003 e 2025, o lucro líquido dos maiores bancos brasileiros cresceu 178% acima da inflação;
- Após a pandemia, entre 2020 e 2025, a variação real do lucro no setor bancário apresentou grande crescimento: 61% nos bancos privados, 10% nos bancos públicos; 1.580% nos bancos digitais;
- Em 2025, o setor bancário lucrou R$ 182,4 bilhões (IFData);
- Em 2025, os cinco maiores bancos tiveram lucro de R$ 124 bilhões;
- A rentabilidade média dos bancos, desde 2003, fica invariavelmente muito acima da inflação. Mesmo após a pandemia, a rentabilidade média ficou três vezes acima do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo);
- A taxa de juros reais, diferença entre a taxa de juros e a inflação, no Brasil, é uma das maiores do mundo. Portanto, análises que envolvam comparação de rentabilidade dos bancos com a taxa de juros Selic devem levar em conta a especificidade brasileira.
- Mesmo com a Selic em patamar muito elevado (média de 14,33% em 2025), a ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido) média dos bancos supera a taxa. Após a pandemia, ficou, em média, 2,3 vezes acima e, desde 2022, está 1,2 vezes acima;
- O Patrimônio Líquido (PL) somado dos dois setores mais rentáveis que os bancos, em 2025, somou R$ 48 bilhões. O PL do setor bancário foi de cerca de R$ 1,2 trilhão, ou seja, 25 vezes maior.
Dados do primeiro semestre de 2026:
- No primeiro semestre, Bradesco, Itaú e Santander lucraram R$ 45,4 bilhões, crescimento de 7,8% na comparação com o mesmo período do ano passado;
- O Banco do Brasil teve lucro de R$ 7,3 bilhões no 1º semestre de 2026. No segundo trimestre deste ano, o banco público registrou lucro de R$ 3,9 bilhões, alta de 3,3% na comparação anual e de 13,9% em relação ao trimestre anterior.
- A Caixa ainda não divulgou seu balanço semestral. No primeiro trimestre do ano, o banco registrou lucro líquido recorrente de R$ 3,5 bilhões, crescimento de 25,4% em relação ao quarto trimestre de 2025.
Bancários precisam ser valorizados
Além dos dados sobre a lucratividade dos bancos, o Comando Nacional apresentou dados referentes à trajetória da remuneração da categoria, que comprovam a necessidade de valorização dos trabalhadores:
- A redução do emprego na categoria levou a uma queda na massa salarial real de 17% desde 2014 e de 2% no ano passado, o que corresponde a uma perda de R$ 1 bilhão por mês para os trabalhadores;
- Entre 2019 e 2025, as despesas de pessoal (salário, PLR, VA/VR e outros itens de remuneração) nos bancos caíram 15%. Separando a PLR dessa conta, a queda foi ainda maior: 17%;
- Em 2025, a cobertura das despesas com pessoal com a receita com tarifas dos cinco maiores bancos, uma receita secundária, foi de 123%. Ou seja, com o que cobraram dos clientes, os bancos pagam toda a despesa de pessoal, inclusive PLR, com sobra equivalente a 23%. Quando retirada a PLR da conta, essa cobertura sobe para 142%;
- A média da remuneração per capita anual de um diretor estatutário de banco é de R$ 10,3 milhões, 120 vezes maior que a remuneração anual da função de escriturário, incluindo salários, 13º, férias, VA, VR e PLR;
- Desde 1997, a PLR de caixa teve aumento real de 140%. No mesmo período, o crescimento real do lucro dos bancos foi de 360%, 2,6 vezes maior que o valor da PLR;
- Ainda que a CCT preveja a possibilidade de distribuir até 15% do lucro líquido, os grandes bancos privados distribuem, em média, um percentual bem menor: 5,9%;
- A inflação estimada para a data-base da categoria bancária de 2026 é de 4,39%. Para retomar a mesma relação observada em setembro de 2019 (1,34 vezes) do vale-alimentação em relação ao valor da cesta básica, seria necessário um reajuste de cerca de 40%. Ou seja, dos atuais R$ 924,47 para R$ 1.293,73;
- Em cinco municípios (São Paulo, Brasília, Osasco, Rio de Janeiro e Belo Horizonte), que juntos somam 50% da categoria bancária, o preço médio da refeição é superior ao vale-refeição atual de R$ 53,33/dia dos bancários.
Negociações anteriores
- Mesa 10: Fenaban propõe reajuste de 62% da inflação, um dos piores de 2026. Comando rejeitou na mesa
- Mesa 9: Banqueiros, mais uma vez, não apresentam proposta. Bancários cobram índice de reajuste!
- Mesa 8: Mobilização dos bancários fez bancos retirarem proposta de reajuste por faixas salariais
- Mesa 7: Banqueiros apostam na divisão da categoria e não apresentam índice. Assembleia dia 17
- Mesa 6: Banqueiros, mais uma vez, não apresentam proposta. Bancários cobram aumento real!
- Mesa 5: Diante dos lucros bilionários dos bancos, bancários cobram aumento real para salários e demais verbas
- Mesa 4: Fenaban ameaça mesa única e Comando Nacional reforça unidade na defesa da categoria
- Mesa 3: Comando Nacional cobra igualdade de oportunidades e medidas para combater discriminação, diferenças salariais e endividamento da categoria
- Mesa 2: Comando Nacional exige suspensão das demissões e do fechamento de agências
- Mesa 1: Em 1ª negociação da Campanha Nacional, Sindicato pleiteia mais vagas para PCDs, jornada 4x3 e garantia do direito à desconexão