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Internacional

5ª Conferência UNI Américas Finanças reafirma importância dos bancos públicos

Evento, encerrado nesta quinta 10, destacou o papel fundamental do Estado, dos bancos públicos e do movimento sindical na defesa da democracia, da inclusão social e da cidadania. Foi eleita a nova diretoria da entidade e aprovadas moções com resoluções para os próximos anos

  • Publicado em 10/12/2020 20:14 / Atualizado em 11/12/2020 10:17

Montagem: Linton Publio/Seeb-SP

Após dois dias de debates, que reuniram dirigentes sindicais de todos os países do continente americano, encerrou-se, nesta quinta-feira 10, a 5ª Conferência Regional da UNI Américas Finanças, realizada pela primeira vez de forma virtual, devido à pandemia de coronavírus. O papel fundamental dos bancos públicos, principalmente em meio à crise econômica e social agravada pela Covid-19, foi um dos temas centrais do debate desta quinta.

A presidenta da UNI Finanças Mundial e dirigente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Rita Berlofa, ressaltou que a pandemia tornou ainda mais evidente que o Estado mínimo e a “auto regulamentação” do mercado, defendidos pelo neoliberalismo, não dão conta de enfrentar a crise. E que, nesse contexto, mais uma vez se torna evidente o papel fundamental do Estado e dos bancos públicos.

“A pandemia deixou o rei nu. O tão propalado Estado mínimo e o deus mercado que se auto regula, baluartes do neoliberalismo, não deram conta de encarar essa crise. Não fosse a presença do Estado, veríamos a barbárie em grau inimaginável. E mais uma vez ficou evidente a importância dos bancos públicos, que foram responsáveis por fazer chegar à população as políticas sociais coordenadas pelo Estado. A exemplo, no Brasil, do programa Bolsa Família e o atual Auxílio Emergencial.”

Rita salientou que os bancos privados não desempenharam o papel de levar à população, neste momento de crise, o crédito necessário para garantir a sobrevivência dos cidadãos e movimentar a economia. “Numa crise desta monta não podemos contar com os bancos privados, que drenam o dinheiro público e travam a expansão da economia e de políticas públicas. Exemplo disso tivemos no Brasil com os bancos travando bilhões que foram liberados pelo governo para salvar microempresas durante a pandemia. O dinheiro não chegou de forma satisfatória, levando ao fechamento de muitas empresas e agravando ainda mais a situação de desemprego”, lembrou.

“Sem bancos públicos não há política de infraestrutura, de saneamento, de saúde e de educação. Não há política anticíclica para a retomada do desenvolvimento”, reforçou, citando como exemplos o Banco do Brasil e a Caixa. “O BB é responsável no país por 36% do total de empréstimos concedidos às micros e pequenas empresas, que empregam 52% dos trabalhadores formais. A segunda maior carteira é da Caixa Econômica Federal, com 26%. O banco privado melhor posicionado é o Itaú, com apenas 16% desta carteira.”

Força do movimento sindical bancário na pandemia

A secretária-geral do Sindicato e vice-presidenta da UNI Américas Mulheres, Neiva Ribeiro, enfatizou a importância da organização dos bancários brasileiros frente à pandemia, e a dos trabalhadores em geral na defesa de um valor maior do que queria o governo Bolsonaro para o Auxílio Emergencial (o governo defendia R$ 200, e, após pressão do movimento sindical e de parlamentares de esquerda, o benefício chegou a R$ 600).

“O movimento sindical bancário brasileiro provocou um processo de negociação com o sistema financeiro brasileiro assim que se decretou a pandemia pela Organização Mundial de Saúde. A mesa bipartite de Covid-19 [com representantes dos trabalhadores e dos bancos] garantiu que os sindicatos colocassem 70% da categoria em home office, priorizando as pessoas em grupo de risco e as que coabitavam com pessoas em grupo de risco. Garantiu ainda revezamento aos que necessitavam trabalhar presencialmente, com garantia de todos os EPIs necessários, higienização e sanitização dos locais de trabalho, protocolos para lidar com os casos de suspeitas e positivos”, ressaltou Neiva.

A dirigente destacou ainda o compromisso de não demissão firmado pelos maiores bancos privados. “O mais importante, garantimos um acordo de garantia de não demissão na pandemia que foi respeitado por 7 meses, o que trouxe segurança e possibilidade de estudo de novas saídas para a crise sanitária, econômica, política e social que se criou no país.”

“O movimento sindical também se mobilizou pela garantia de um auxilio emergencial para a população: o governo queria R$ 200, mas o movimento sindical defendeu que fosse 1 salário mínino, e chegamos a R$ 600” . Sobre o auxílio, ela destacou o papel importante que teve a Caixa e a constante vigilância dos sindicatos para garantir a segurança dos trabalhadores deste banco público. “Tivemos que fazer um amplo movimento de vigilância nas agências da Caixa, onde preferencialmente se paga esse auxilio no Brasil, ao mesmo tempo em que lutávamos pela defesa dos bancos públicos”, concluiu.

Novo Comitê Executivo

No último dia da conferência, também foi eleito o novo Comitê Executivo da UNI Américas Finanças, liderado pelo argentino Sérgio Palazzo, reeleito presidente da entidade. "Hoje é um dia especial, o Dia Internacional dos Direitos Humanos. Ser reeleito neste dia, junto com meus companheiros, me enche de emoção. Também, como argentino, porque se cumprem 37 anos da recuperação ininterrupta da nossa democracia", declarou Palazzo.

A brasileira Juvandia Moreira, presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), foi eleita 1ª vice-presidenta. O 2º vice-presidente será Trevor Johnson, sindicalista bancário caribenho de Trinidad e Tobago.

Juvandia falou sobre a conjuntura desde a conferência anterior, em 2016, quando o momento apresentava retrocessos como o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff, a eleição do neoliberal Maurício Macri para presidência na Argentina, a eleição de Donald Trump, nos Estados Unidos, e de outros presidentes com perfis de direita como Leny Moreno, no Equador, e Iván Duque, na Colômbia.

Avanços populares

A presidenta da Contraf-CUT, ressaltou, no entanto, a evolução das lutas populares no Chile, desde o ano passado; as vitórias de Luiz Arce, na Bolívia, e de Alberto Fernandez, na Argentina. Destacou também a resistência dos sindicatos colombianos na luta pela paz, dos sindicatos chilenos na defesa da previdência pública, além da conquista do plebiscito para uma nova constituição no país. Juvandia ressaltou também o papel do movimento sindical norte americano apoiando a vitória de Joe Biden, este ano, nos Estados Unidos.

 

 

“A UNI tem um papel fundamental no continente. Esse novo comitê executivo da entidade tem uma representação de 44% de mulheres titulares. Valoriza a presença das mulheres. Muitas lutas virão e muitas vitórias também”, disse Juvandia, no encerramento da conferência.

Outros dirigentes bancários brasileiros também integram o Comitê Executivo da UNI Américas Finanças. Na Área 5 da entidade na América do Sul, que engloba Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela, os titulares são a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Ivone Silva; Roberto von der Osten, secretário de Relações Internacionais da Contraf-CUT; e Romiko Tanaka, dirigente da Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito (Contec).

Nas primeiras suplências estão Rita Berlofa, que é presidenta da UNI Finanças Mundial, setor de Finanças do Sindicato Global UNI Global Union; e Magaly Fagundes, presidenta da Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro de Minas Gerais (Fetrafi-MG) e diretora da Contraf-CUT. Também ocupam suplências na Área 5 da entidade Gilberto Vieira e Lourenço do Prado, dirigentes da Contec.

Moções

No encerramento do evento, os participantes aprovaram moções com bandeiras importantes para os trabalhadores como a defesa dos bancos públicos, a defesa da democracia e dos direitos humanos, proposições para mudar o mundo do trabalho, para o enfrentamento da pandemia e da crise econômica advinda dela, e em defesa da soberania sobre as Ilhas Malvinas, exemplo do imperialismo britânico no continente.

> Veja aquí as moções aprovadas

UNI Global Union

A UNI Américas Finanças é o braço regional da UNI Finanças, por sua vez braço setorial da UNI Global Union, sindicato mundial que reúne entidades de 140 países, representando mais de 20 de milhões de trabalhadores dos setores de serviços em todos os continentes. A Confederação do Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), da qual o Sindicato faz parte, é uma das entidades filiadas.

Conferências Regionais da UNI

Antes da 5ª Conferência Regional da UNI Américas Finanças, foram realizadas também, desde a semana passada, a 5ª Conferência da Juventude da UNI Américas, no dia 1º, a 6ª Conferência da UNI Américas Mulheres, no dia 2, e a 5ª Conferência Regional da UNI Américas, nos dias 3, 4, 7 e 8 de dezembro.

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