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Chapéu
Dia Internacional da Mulher

Gleisi Hoffmann: nas crises, mulheres são as mais prejudicadas

Linha fina
Deputada e presidenta do PT avaliou que o aumento da mobilização popular é o único jeito de tirar Bolsonaro e afirmou que o ano de 2021 precisa ser marcado por um grande movimento de aliança política, com todos os setores que se contrapõem ao presidente da República
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Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputado

Em debate virtual com dirigentes do Sindicato dos Bancários de São Paulo Osasco e Região, na manhã desta segunda-feira 8, Dia Internacional da Mulher, a presidenta do PT e deputada federal, Gleisi Hoffman, afirmou que as mulheres são as mais prejudicadas nas crises econômicas, como na atual pela qual o país está passando – por conta da pandemia do coronavírus e da inação do governo Bolsonaro.  

“As mulheres são as primeiras que têm diminuição de renda ou ficam sem renda, e ainda têm de dar conta do cuidado da família, do cuidado dos filhos e, principalmente numa situação em que a saúde é o foco da crise, isso fica ainda mais pesado. As mulheres estão sofrendo muito, e sofrem quando têm de prover a comida dos seus filhos e não têm renda.”

Ela lembrou que um dos temas que fortaleceram a mobilização contra a ditadura militar e a favor das Diretas Já, nos anos 80, foi o movimento contra a carestia, em um momento de inflação muito forte, e renda baixa. 

“Esse é um movimento que atinge setores muito populares, e a gente precisa falar com esse povo, falar com essas mulheres que vão comprar coisas todo dia no mercado e não conseguem. Bater no preço do pacote de arroz, do feijão, da carne, da batata, do gás de cozinha, a gente tem de elevar a voz sobre isso. E, claro, nós estamos todos empenhados neste grande calendário da organização das lutas populares que o Sindicato participa”, disse. 

Sem vacina

Paralelamente à crise econômica causada pela pandemia, existe ainda a inação do governo Bolsonaro para frear as contaminações e mortes causadas pelo coronavírus, o que está prolongando e aprofundando a crise econômica, social e sanitária. 

“O que também nos preocupa é a questão da vacina, porque não está se conseguindo fazer um calendário e ter previsibilidade da quantidade necessária. Precisaria de pelo menos 80 milhões de doses até o inverno e parece que não vamos conseguir isso.”

Crime contra a vida e contra a saúde pública

A deputada também frisou a falta de coordenação do governo federal com os estados e destacou a informação divulgada pela Folha de S. Paulo, no domingo 7, apontando que a farmacêutica Pfizer confirmou que o governo brasileiro rejeitou a oferta de 70 milhões de doses de vacina contra a Covid-19 já em agosto de 2020.

“Esta notícia é um desastre total para o Bolsonaro, porque é crime contra a vida, contra a saúde pública. Ou seja, é deliberado. Ele conscientemente sabia que não estava comprando a vacina, que não iria proteger o povo, e que iria deixar o caos. Maior motivo para tirar esse homem da presidência da República não tem. O problema é a gente construir as condições políticas, e a gente não pode desistir disso, porque enquanto ele estiver lá, a gente não vai resolver o problema”, afirmou. 

Aliança política contra Bolsonaro 

Para a presidente do PT, 2021 precisa ser marcado por um grande movimento de aliança política, com todos que se contrapõem a Bolsonaro: movimentos sociais, partidos políticas, e setores da sociedade, a fim de criar uma aliança para derrotá-lo.

“O certo seria impicha-lo. Temos de subir o tom, porque este homem está se preparando para 2022, e além da articulação política, está fazendo articulação com a sua base armada, está armando as pessoas, então o quanto antes a gente puder desestruturá-lo e tirá-lo, melhor.”

Tem de ir onde o povo está

Gleisi destacou a coordenação política entre os governadores para enfrentar a crise do coronavírus e ressaltou que oposição está cogitando ações jurídicas contra o governo.  A deputada também destacou a importância das ações do movimento sindical no diálogo com as bases e a população. 

“Tem de ir aonde o povo está, falar com o povo, distribuir panfleto, falar do que está acontecendo. Se a gente não criar um clima de indignação generalizado e crescente, nós não vamos conseguir fazer com que esse governo se desestabilize, que a gente mude as coisas, que a gente possa avançar. Se não tiver mobilização popular, nós não vamos conseguir sensibilizar, porque o Congresso, mesmo sendo do lado dele, se tiver mobilização popular, o “Centrão” muda de lado. A gente sabe como é o jogo ali”, ressaltou.   

Suspeição de Moro

A presidente do PT ressaltou que em março está previsto no STF o julgamento da suspeição do ex-juiz Sério Moro nas ações que julgaram e condenaram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A gente tem pressionado nas redes para que vá [a julgamento]. Já passou da hora e é muito importante que a gente tenha também um movimento dizendo que não há meia suspeição para Moro e nem meia justiça para Lula (...) o Moro tem de ser condenado e as suas sentenças anuladas nos dois processos [sítio de Atibaia e triplex do Guarujá]. Onde ele colocou o dedo tem de ser anulado.”

Igualdade de oportunidades

Igualdade de oportunidades sempre foi uma bandeira de luta do movimento sindical bancário. E foi outro tema abordado nesta segunda-feira, 8 de março, no debate virtual promovido pelo Sindicato. A presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT (Contraf-CUT), Juvandia Moreira, lembrou que 48% dos lares brasileiros são chefiados por mulheres, e que o desemprego e a crise acabam atingindo mais as mulheres e, por consequência, suas famílias. 

“Estamos vivendo um momento muito difícil de precarização no mundo. A crise de 2008 não havia sido superada quando veio a pandemia, que aprofundou ainda mais essa situação. Nesse contexto, o desemprego cresce e atinge principalmente as mulheres.

"No Brasil, o desemprego é de 16,8% entre mulheres e de 12,8% entre os homens. E como elas chefiam 48% das famílias, a consequência disso é desastrosa para a sociedade”, destacou Juvandia.

Além disso, disse a dirigente, as mulheres são vítimas do subemprego, ganham salários menores, aposentadorias menores, cumprem duplas ou triplas jornadas (trabalho fora de casa e trabalho doméstico, de cuidado com filhos e idosos etc.), e ainda são vítimas de violência doméstica. “Tudo isso é agravado na pandemia. A violência contra as mulheres em casa deu um salto na pandemia”, ressaltou, e lembrou que neste contexto, o acordo conquistado pelo movimento sindical bancário junto à Fenaban (federação dos bancos) de proteção às bancárias vítimas de violência, lançado logo no início da pandemia no país, foi muito assertivo.

“O canal de atendimento às bancárias vítimas de violência já atendeu, segundo a Fenaban, 35 trabalhadoras durante a pandemia. Isso mostra nosso acerto ao reivindicar não apenas remuneração maior em nossas campanhas nacionais, mas também questões que envolvam cidadania e direitos humanos”, ressaltou.

> Categoria conquistou cláusulas de apoio às mulheres vítimas de violência

Ela lembrou ainda que os bancários foram a primeira categoria no Brasil e a se antecipar à chegada da panemia e negociar medidas de segurança como o home office para metade dos trabalhadores em bancos. “Além disso, a categoria bancária continuará mobilizada por pautas importantes para toda a sociedade como auxílio emergencial, vacina para todos já, pela defesa dos bancos públicos e demais estatais e por empregos.”

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