Não ao preconceito

Por histórico de intolerância, Bolsonaro enfrenta protestos nos EUA

  • William De Lucca, Spbancarios
  • Publicado em 03/05/2019 17:48 / Atualizado em 03/05/2019 18:56

José Cruz/Agência Brasil

Uma homenagem ao presidente Jair Bolsonaro feita pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos pode ser cancelada. Isso porque os organizadores do evento “Homem do Ano” estão tendo dificuldades em encontrar uma sede para a homenagem, visto que o histórico de homofobia, racismo e machismo do mandatário brasileiro geraram protestos entre os americanos.

Marcado incialmente para o Museu de História Nacional, o evento recebeu negativa do local após pressão do prefeito de Nova Iorque, Bill de Blasio, que chamou Bolsonaro de racista e homofóbico, além de dizer que o brasileiro colocava a Amazônia em risco. Na sequência, o cancelamento foi da casa de eventos Cipriani, em Wall Street.

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Agora, a pressão é em cima da rede de hotéis Marriot, que aceitou receber a cerimônia. O senador de Nova Iorque, Brad Hoylman, criou um abaixo assinado para cancelar o evento, usando a hashtag #CancelBolsonaro, que alcançou o topo dos assuntos no Twitter na última quinta-feira 2. A mobilização conquistou o apoio de ativistas LGBT no Brasil, que têm protestado contra os absurdos presidenciais no país, como o cancelamento da campanha publicitária do Banco do Brasil por "excesso de diversidade"

A repercussão negativa alcançou também os patrocinadores da homenagem: a companhia aérea Delta, o jornal Financial Times e a consultoria Brain & Company desistiram de apoiar o evento.

"Progressistas do mundo apontam o presidente Bolsonaro como um risco à civilização global, o senador estadunidense afirma a notoriedade da homofobia do presidente brasileiro lembrando da estúpida frase de que ele preferia ter um filho morto do que um filho gay", ressalta o dirigente sindical e coordenador do coletivo LGBT do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Anderson Pirota.

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O dirigente lembra que o histórico de frases preconceituosas do presidente não para por aí, e que não condiz com o que necessita um chefe de estado.

"A comunidade LGBT brasileira e do mundo fica preocupada com esses discursos homofóbicos, que naturalizam a passagem da violência simbólica para a violência física. Observa-se o alto índice de assassinatos às pessoas da comunidade LGBT, e não se pode esquecer o aumento no número de casos de feminicídio. Cabe a toda a sociedade civil, reclamar e vigiar o sagrado direito a vida e, obviamente, a laicidade do Estado brasileiro”, finaliza o dirigente.

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