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Chapéu
Diversidade é 10!

Evangélicos ajudam a reconstruir terreiro

Linha fina
Em mais uma matéria da série Diversidade é 10!, confira a história de uma pastora evangélica que organizou uma campanha que arrecadou R$ 12 mil para a reconstrução de um terreiro de Candomblé. Leia, inspire-se, responda ao Censo da Diversidade e torne-se um Agente da Diversidade
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Foto: Toluaye/Wikipedia

Em mais uma matéria da série Diversidade é 10!, que apresenta histórias inspiradoras sobre respeito e valorização da diversidade, trazemos uma história que começou com um ato bárbaro de intolerância religiosa, mas terminou com um belo exemplo de empatia, solidariedade e respeito pela fé alheia. Leia, inspire-se, responda ao Censo da Diversidade e torne-se você também um Agente da Diversidade.

Clique aqui para responder o questionário do III Censo da Diversidade e colabore para a construção de um setor mais justo, diverso e igualitário para todos.

Depois da história do pedreiro Joilson, que aprendeu a dançar ballet para ajudar as filhas autistas; do Coletivo Violetas, grupo de apoio a mulheres vítimas de violência; do discurso do técnico do Bahia sobre racismo; a série Diversidade é 10! conta a história de uma pastora evangélica que arrecadou fundos para a reconstrução de um terreiro de Candomblé, parcialmente destruído em um incêndio. As informações são da jornalista Ana Terra Athayde, da BBC Brasil. Confira abaixo.

Alvo de ao menos oito ataques motivados por intolerância religiosa, o terreiro de Conceição d’Lissá, localizado em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, foi vítima de um incêndio suspeito em abril de 2018. Parcialmente destruído, o terreiro contou com a ajuda da pastora Lusmarina Campos, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, e na época presidenta da do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs no Rio de Janeiro, para a sua reconstrução.

Lusmarina organizou uma campanha que arrecadou cerca de R$ 12 mil para as obras. Além disso, a pastora foi pessoalmente auxiliar na remoção de entulhos.

“Logo que a gente ouviu sobre a destruição do terreiro, eu pensei: 'Se em nome de Cristo eles destroem, em nome de Cristo nós vamos reconstruir'. É extremamente importante dar um testemunho positivo da nossa fé, porque o Cristo que está sendo utilizado para destruir um terreiro está sendo completamente mal interpretado", declarou Lusmarina em entrevista à BBC.

Em 2018, 71,5% dos casos de intolerância religiosa registrados no Rio de Janeiro foram contra grupos de matriz africana, segundo a Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos.

"É um fenômeno nacional, agora com essa face cruel, que já se expressou em 2008 e vem desde a década de 90, que são os traficantes instrumentalizados por grupos neopentecostais que atacam os templos religiosos nas periferias e favelas", diz o babalaô Ivanir dos Santos, da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa.

"Quando eles vêm dar essa ajuda pra gente, é justamente (uma forma de) reconhecer que, primeiro, a gente sofre o ataque. Depois, é reconhecer que a gente tem o direito de existir e professar o nosso sagrado", declarou a mãe de santo Conceição d'Lissá, responsável pelo terreiro.

"Eles não vieram aqui pra me mudar, evangelizar ou dizer que o que eu faço está feio ou é do diabo. Vieram para dizer: 'Faça aquilo que você crê. Eu vou te ajudar'", concluiu Conceição.