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Chapéu
Campanha dos Bancários 2026

Comando Nacional dos Bancários derrota propostas de arrocho salarial, mas índice ainda é insuficiente

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12ª mesa de negociação da Campanha Nacional Unificada dos Bancários 2026 (Foto: Seeb-SP)

12ª mesa de negociação da Campanha Nacional Unificada dos Bancários 2026 (Foto: Seeb-SP)

Na noite desta quinta (27), na 12ª mesa de negociação da Campanha Nacional Unificada dos Bancários 2026, o Comando Nacional dos Bancários derrotou a tentativa dos banqueiros de promover um arrocho salarial para a categoria. Foi nesta rodada que a Fenaban trouxe para a mesa uma proposta de reajuste salarial com reposição total da inflação (IPCA), estimada em torno de 4% para a data-base da categoria (1º de setembro). Foi um avanço.

Apesar de vencidas as propostas anteriores - que traziam perdas salariais, congelamento de verbas, inclusive da PLR, e retirada de direitos - o Comando Nacional dos Bancários avalia que a última proposta econômica da Fenaban não é suficiente, uma vez que não traz aumento real para a categoria. Por isso, foi rejeitada em mesa de negociação.

Para as demais verbas, como a PLR, a proposta de reajuste também foi de 100% do INPC, com exceção dos vales-alimentação e refeição. Para o VA, a Fenaban propôs basear o índice de reajuste na inflação da alimentação em domicílio, medida pelo IPCA, com estimativa de 2,99% para a data-base. Já para o VR, a proposta dos banqueiros foi basear o reajuste na inflação da refeição fora do domicílio, com estimativa de 4,13% para a data-base.

“Os banqueiros trouxeram uma proposta sem perda salarial. Vencemos o intuito dos bancos de impor um arrocho salarial, apesar da estratégia dos banqueiros de postergar as negociações para uma data cada vez mais próxima da nossa data-base, valendo-se do fim da ultratividade, aprovada na reforma trabalhista. Vencemos essa estratégia graças à nossa mobilização, à participação da categoria nas plenárias, na paralisação do dia 20, graças à nossa unidade nacional e à nossa capacidade de negociação", enfatiza a presidenta do Sindicato e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Neiva Ribeiro. "Porém, o índice ainda não é suficiente para valorizar os trabalhadores de um dos setores mais lucrativos da economia. Rejeitamos a proposta e reforçamos, mais uma vez, que a categoria espera valorização real para salários, VA, VR e PLR”, completa.

“Somos mais de 400 mil bancários de todo o país, de bancos públicos e privados, e as negociações são complexas. A Fenaban fica argumentando que cada 1% de reajuste significa acréscimo de R$ 1 bilhão nos custos salariais. Mas esse cálculo não justifica impor arrocho salarial, porque do outro lado os lucros seguem altos”, reforça a presidenta da Contraf-CUT e também coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Juvandia Moreira.

Além da pauta econômica, a negociação desta quinta (27) também avançou em cláusulas sobre a NR-1; gestão ética da tecnologia; direito à desconexão; requalificação e realocação profissional; indenização adicional de bancários demitidos em virtude de fechamento de agências, uma questão pendente da mesa sobre proteção ao emprego; entre outros pontos.

Nas mesas, o Comando Nacional também venceu a tentativa dos banqueiros de retirar direitos como a gratificação de caixa, função a qual os banqueiros alegam estar em extinção, e congelar verbas.

Confira abaixo o resumo da última proposta da Fenaban

  • Salários: 100% do INPC, estimado em torno de 4% para a data-base da categoria;
  • PLR: 100% do INPC, estimado em torno de 4% para a data-base da categoria;
  • VA: reajuste conforme a inflação para “alimentação em domicílio”, medida pelo IPCA, com estimativa de 2,99% para a data-base da categoria;
  • VR: reajuste salarial conforme a inflação da “refeição fora do domicílio”, medida pelo IPCA, com estimativa de 4,39% para a data-base da categoria;
  • Auxílio teletrabalho: 100% do INPC, estimado em torno de 4% para a data-base da categoria;
  • Salário de ingresso: 100% do INPC, estimado em torno de 4% para a data-base da categoria;
  • Auxílio-creche/babá: 100% do INPC, estimado em torno de 4% para a data-base da categoria;
  • Auxílio para filho PCD: 100% do INPC, estimado em torno de 4% para a data-base da categoria;
  • Verba de requalificação: 100% do INPC, estimado em torno de 4% para a data-base da categoria;
  • Adicional por tempo de serviço: 100% do INPC, estimado em torno de 4% para a data-base da categoria;
  • Auxílio-funeral: 100% do INPC, estimado em torno de 4% para a data-base da categoria;
  • Multa por descumprimento da CCT: 100% do INPC, estimado em torno de 4% para a data-base da categoria;
  • Indenização por assalto: 100% do INPC, estimado em torno de 4% para a data-base da categoria;
  • Gratificações de caixa: 100% do INPC, estimado em torno de 4% para a data-base da categoria;
  • Gratificação semestral: 100% do INPC, estimado em torno de 4% para a data-base da categoria;
  • Auxílio para deslocamento noturno: 100% do INPC, estimado em torno de 4% para a data-base da categoria;
  • Gratificação de compensador de cheque: 100% do INPC, estimado em torno de 4% para a data-base da categoria.

Proposta anterior rejeitada

Comando Nacional dos Bancários cobra valorização real para salários e demais verbas (Foto: Seeb-SP)

Na tarde desta quinta (27), a Fenaban havia proposto uma proposta rebaixada de 2,99% para salários, baseando este índice na inflação da alimentação em domicílio, medida pelo IPCA, estimada para a data-base.

A proposta rejeitada pelo Comando Nacional, caso confirmada a estimativa de 2,99% para a data-base da categoria, representaria apenas 72% da inflação total (INPC) estimada para a data-base, de 4,13%. Uma perda salarial real de 1,09%.

Após a rejeição do Comando Nacional, a negociação teve uma pausa. Na volta, já na parte da noite, a Fenaban trouxe nova proposta, com 100% do INPC para salários, PLR e demais verbas, com exceção do VA e VR (leia resumo acima).

Evolução das propostas apresentadas pela Fenaban

Negociações continuam e mobilização também

As negociações com os banqueiros serão retomadas na sexta-feira, 28 de agosto. Os bancários e bancárias devem ficar atentos ao site e redes sociais do Sindicato para atualizações das negociações, encaminhamentos e convocações de novas ações de mobilização.

“Cobramos uma proposta que finalmente valorize a categoria com aumento real para salários e todas as demais verbas. Um setor que lucrou R$ 182,4 bilhões só ano passado tem todas as condições de valorizar seus trabalhadores”, conclui Neiva Ribeiro.

Negociações anteriores

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