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Chapéu
Campanha dos Bancários 2026

Bancários alcançam aumento real para 2026 e 2027, mantêm direitos e avançam em novas conquistas

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13ª mesa da Campanha Nacional Unificada dos Bancários (Foto: Seeb-SP)

13ª mesa da Campanha Nacional Unificada dos Bancários (Foto: Seeb-SP)

Após meses de exaustivas negociações, o Comando Nacional dos Bancários conquistou, na 13ª mesa da Campanha Nacional Unificada dos Bancários, uma proposta com reposição total da inflação (INPC) mais aumento real de 0,60%, em 2026 e também 2027, para salários e todas as demais verbas, incluída a PLR (tanto na regra básica, quanto na parcela adicional) e os vales refeição e alimentação, derrotando assim a tentativa dos banqueiros de impor um arrocho salarial (perdas reais para salários e todas as verbas).

A assembleia de deliberação sobre a proposta será realizada entre os dias 3 (quinta-feira) e 4 de setembro (sexta-feira). Todos os detalhes estarão no edital, que será publicado em breve.

Para além das cláusulas econômicas, a proposta garante a manutenção de todos os direitos da Convenção Coletiva de Trabalho e prevê avanços como a participação efetiva dos trabalhadores e seus sindicatos no programa de gerenciamento de riscos (PGR); gestão ética da tecnologia; direito à desconexão; requalificação e realocação profissional; e o encarecimento das demissões para os bancos, com indenização adicional aos bancários (leia mais abaixo).

"Foram mais de dois meses de negociações duríssimas e várias propostas rejeitadas, nas quais os banqueiros queriam acabar com a mesa única; dividir a categoria por faixa salarial; regionalizar e rebaixar vales alimentação e refeição; ameaçaram judicializar a renovação da CCT; e, até a última mesa, pretendiam impor arrocho. Graças à mobilização, à nossa unidade nacional e à capacidade de negociação, foi conquistada valorização real para salários e todas as verbas, além da manutenção de todos os direitos e avanços para o presente e futuro da categoria”, diz a presidenta do Sindicato e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Neiva Ribeiro.

O Sindicato avalia que – em um cenário no qual a categoria não conta com a ultratividade (garantia da validade de um acordo coletivo de trabalho, além da sua vigência, até a assinatura da sua renovação) – conquistar o aumento real, a manutenção de todos os direitos e ainda avançar em relação à saúde e cláusulas sociais é um saldo positivo para a Campanha dos Bancários 2026.

“A CCT dos bancários tem 85% de suas cláusulas que garantem direitos acima da CLT. A preservação de todos estes direitos, o aumento real e as novas conquistas são fruto da nossa unidade nacional, mobilização e capacidade de negociação. Foi a categoria unida, bancários de bancos públicos e privados, espalhados por todo o país, representados com muita responsabilidade pelo Comando Nacional, que protegeram a nossa CCT e impediram o arrocho salarial”, avalia a presidenta do Sindicato.

Caso aprovada, a proposta de aumento real para esse e o próximo ano fará com que a categoria bancária acumule, entre 2004 (início da mesa única) e 2027, um reajuste total de 286,5%, com 25% de aumento real. Para o piso, o ganho real chegaria a 47,1%.

A inflação (INPC) para a data-base dos bancários (1º de setembro) será divulgada no dia 11 de setembro, quando será possível definir qual será o reajuste total (INPC + 0,6% de aumento real) para salários e demais verbas em 2026.

Avanços em saúde e cláusulas sociais

  • Saúde mental: Participação dos sindicatos no Programa de Gerenciamento de Riscos Psicossociais, da nova Norma Regulamentadora nº 1 (RN-1), com objetivo de reduzir o adoecimento mental na categoria.
  • Combate ao assédio: O banco disponibilizará o canal de combate ao assédio moral e sexual (e conquistado da Campanha Nacional de 2024) para receber também denúncias sobre atos praticados por clientes contra os funcionários.
  • Monitoramento digital: Transparência e limites à vigilância a partir de ferramentas de monitoramento digital no trabalho, direito à feedback e gestão humana, com o objetivo da gestão ética da tecnologia, para proteção aos bancários.
  • Direito à desconexão: Para que bancários e bancárias tenho seu tempo fora da jornada de trabalho respeitado, por exemplo, não sendo obrigados a atender ou responder mensagens fora da jornada de trabalho, seja de clientes, seja de gestores.
  • Paralisação do dia 20 de agosto: caso aprovada a proposta, a Fenaban garantiu que o dia de paralisação será abonado.

Programa de indenização, requalificação e recolocação no mercado de trabalho

Em caso de demissão de bancários em virtude do fechamento de uma agência, ficaram acordadas duas medidas:

  • Um programa de requalificação e recolocação profissional, com a contratação de uma consultoria internacional (Gi Group), que irá elaborar planos para cada trabalhador, com diagnósticos, entrevistas e planos de realocação individual. Os trabalhadores terão ainda acesso a uma plataforma de cursos e serão cadastrados em um banco de talentos, de forma a conectá-los com empresas que necessitem de suas competências.
  • Indenização adicional, além do já previsto na CCT, conforme tabela abaixo:

“Esta é uma importante conquista para encarecer as demissões, realocar o trabalhador demitido no mercado de trabalho e oferecer uma compensação financeira. É mais dinheiro no bolso do bancário em um momento que sabemos ser delicado na vida de qualquer pessoa”, pontua a presidenta da Contraf-CUT e também coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Juvandia Moreira.

Entre janeiro de 2015 e maio de 2026, os maiores bancos fecharam 9,5 mil agências. Destas, 669 foram encerradas no primeiro semestre de 2026.

Bancários enfrentaram duras negociações e derrotaram ataques

O processo negocial deste ano foi particularmente difícil, com 13 rodadas de negociação, as quais duraram pelo menos 8 horas cada uma, e oito propostas rejeitadas.

A negociação que culminou na proposta final dos banqueiros começou no início da tarde de sexta (28), se estendeu por todo o dia e noite, varou a madrugada e foi encerrada somente na noite de sábado (29), com duração total de 32 horas.

Desde o início das negociações, o Comando Nacional enfrentou e venceu ataques à mesa única de negociação; derrotou a estratégia da Fenaban em levar o processo negocial até uma data próxima da data-base da categoria, valendo-se do fim da ultratividade; não se curvou às ameaças de judicialização; barrou a tentativa de dividir a categoria por faixas salariais; e superou propostas que iniciaram com uma perda real de 1,5% para a categoria, rebaixavam o vale-alimentação, congelavam a PLR e retiravam direitos.

“O Comando Nacional, com a força da mobilização da categoria em todo o país, se manteve firme e derrotou os ataques à nossa unidade nacional e também a tentativa dos banqueiros de impor um arrocho salarial e extinguir direitos. Mostramos, rodada após rodada, que não aceitaríamos retrocessos e nem sair do processo negocial sem a valorização real do trabalhador bancário, avanços nas cláusulas sociais e todos os nossos direitos mantidos”, conclui Neiva Ribeiro.

Mesas específicas

As negociações específicas para renovação dos acordos coletivos de trabalho dos trabalhadores do Banco do Brasil e da Caixa ainda estão em andamento. Fique atento ao site e redes sociais do Sindicato para atualizações e encaminhamentos.

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